Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > PICADEIRO

Quem constrange quem

Por lgarcia em 25/12/2002 na edição 204

PICADEIRO

Luiz Egypto

A imprensa esbaldou-se com o anúncio do nome do banqueiro tucano Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central no governo Lula. O tom variou de um grave "eu não disse que o buraco era mais embaixo?" a um sarcástico "agora-é-que-eles-vão-ver-o-que-é-bom-pra-tosse". Mas a nota mais alta foi ouvida na segunda-feira, 16/12, nos telejornais, e no dia seguinte, nos jornais diários. Tudo por conta do "constrangimento", do "mal-estar", da "saia-justa", todos qualificativos reiteradamente rebatidos para definir o encontro entre a senadora Heloísa Helena (PT-AL), adversária declarada da indicação de Meirelles, e o próprio indicado, no salão de café do Senado.

Constrangimento por quê? O que pode impedir o diálogo entre uma combativa senadora alagoana e um representante da fina-flor da elite goiana, em que pesem suas abissais diferenças ideológicas? São pessoas públicas das quais se requer, pelo menos, civilidade. Ou não?

Se constrangimento houve, foi a mídia que o provocou. Bastou que Heloísa e Meirelles se sentassem para uma conversa de 15 minutos para que uma cornucópia de câmeras, microfones, flashes, luzes e blocos de anotações carregados por um séquito repórteres e técnicos cercasse a mesa da qual também participava o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

Quem não ficaria "constrangido" com tamanho assédio?

 

L.E.

Foi dura a vida da rapaziada dos departamentos comerciais neste 2002 cheio de sustos macroeconômicos, cortes de pessoal e contração no mercado publicitário. Malgrado os dissabores, vale tudo para cumprir as metas. Ou parte delas.

Na sexta-feira, 20/12, a Folha de S.Paulo deu um exemplo notável do desespero de causa que tomou conta dos que andam doidinhos para fechar as contas que não fecham. O primeiro caderno da edição daquele dia circulou com 16 páginas, das quais constavam dois anúncios discretos no pé da capa (montadora e cartão de crédito), um anúncio em cores de meia página (de um banco, à pág. A 15) e, a grande tacada!, um caderno cor, de 8 páginas, aparentemente um grande anúncio seqüencial de uma operadora de telefonia celular.

Faturamento garantido? Duvide. O anúncio da operadora celular
cabia em 4 páginas. Por determinações industriais,
e para garantir cor no anúncio da página A 15, o jornal
precisou rodar um caderno de 8 páginas em papel branco especial,
em cores, das quais 4 páginas (isso mesmo, quatro) ocupadas
por calhaus ? segundo o Aurélio, "anúncio
gracioso, ou aceito a preço reduzido, para publicação
quando sobra espaço no jornal"; ou "pequeno texto,
clichê, etc., aproveitado para preencher claros na paginação
de jornal ou de revista".

Estão lá, soberbos, coloridos sobre papel branco, página inteira dos Classificados Folha, página inteira do II Prêmio Folha de Qualidade Imobiliária e uma dupla central, majestosa, também anunciando os Classificados Folha.

Terá a operadora de telecomunicações conseguido um bom desconto?

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