Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

PRIMEIRAS EDIçõES > DIVERSIDADE NA MÍDIA

Questionada, ação afirmativa avança

Por lgarcia em 21/10/2003 na edição 247

DIVERSIDADE NA MÍDIA

A Coalizão Multi-Étnica de Mídia, grupo que reúne organizações americanas de defesa das minorias na mídia, está publicando a quarta edição de seus estudos anuais sobre a diversidade na televisão dos EUA. Lynn Elber, da AP [14/10/03], analisou o relatório sobre hispânicos e asiáticos, conversando também com seus autores. As principais conclusões são que pessoas de origem latina estão aparecendo mais na TV, enquanto os orientais praticamente não têm espaço.

Todos os anos as grandes redes recebem notas de diversidade da instituição para pressioná-las a melhorar continuamente. A avaliação é feita a partir de sete quesitos distintos. A Fox foi a que se saiu melhor na visão dos hispânicos, recebendo um B+. Segundo o presidente da coalizão, Esteban Torres, ela é a mais "diversificada" etnicamente na programação, no quadro de funcionários e até nas compras que faz de fornecedores. NBC e CBS receberam notas C+, enquanto a ABC conseguiu um B. Uma constatação grave da pesquisa é que os indígenas estão em situação ainda pior que a dos asiáticos, ficando excluídos da televisão.

Ações afirmativas em xeque

Enquanto alguns setores aplaudem os esforços da mídia para dar espaço a todo o espectro racial da população americana, o jornalista William McGowan alimenta a polêmica sobre seu livro Coloring The News, em que defende que os programas de ação afirmativa, que reservam determinadas quantidades de postos de trabalho a minorias, corrompem o jornalismo, tirando seu impacto.

Em artigo para The Wall Street Journal [15/10/03], ele denuncia que parte da imprensa tentou desqualificar seu trabalho porque ele critica os programas das empresas de comunicação. "Infelizmente, demasiadas organizações jornalísticas que apostaram pesado na cruzada da diversidade entenderam meus argumentos de forma errada ou preferiram não repensar seus investimentos". O New York Times, por exemplo, não teria publicado crítica ao livro porque ele questiona profundamente a política étnica do diário. Seu editor de resenhas, Chip McGrath, teria confirmado esse fato em entrevista ao San Francisco Chronicle.

Coloring The News também recebeu resposta dura de associações profissionais. Integrantes da Associação Nacional de Jornalistas Negros (NABJ, sigla em inglês) teriam tentado sujar o nome do autor, interpretando o livro de maneira distorcida. Eugene Kane, colunista do Milwaukee Journal Sentinel escreveu: "McGowan me parece um jornalista branco que tem saudade das redações e das colunas sociais só com brancos, e de jornais sem o rosto de negro algum, exceto se for acusado de algum crime". Eric Deggans, também um membro da NABJ, comentou em sua coluna no St. Petersburg Times que ele acha que McGowan está tomado de "raiva de ver que tantas organizações jornalísticas assumiram o compromisso de contratar e promover as minorias". A Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos qualificou o livro de "insultante" e "pobre na argumentação".

Apesar da forte oposição, algumas vozes se levantaram a favor do livro. O Clube Nacional de Imprensa concedeu-lhe um prêmio de crítica de mídia ? e acabou também sendo alvo de críticas por isso.

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