Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > VASCO vs GLOBO

Raphael Gomide e Sérgio Rangel

Por lgarcia em 31/01/2001 na edição 106

QUALIDADE NA TV

VASCO vs GLOBO

"Vasco põe SBT na camisa e provoca Globo", copyright Folha de S. Paulo, 19/01/01

"A diretoria do Vasco decidiu provocar a TV Globo ontem, na final da Copa João Havelange.

Ao entrar em campo, os jogadores do time carioca tiveram a marca do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão, principal concorrente da Globo) estampada na camisa.

A ‘brincadeira’ vascaína poderá, porém, causar um problema jurídico para o clube carioca.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o SBT disse que não havia sido informado sobre o uso de sua marca no jogo. Agora, o caso foi encaminhado ao departamento jurídico da emissora, que amanhã deverá apresentar as medidas que serão tomadas.

Desde o início do ano, quando venceu o contrato do Vasco com a Procter & Gamble, o clube não tinha patrocínio para a camisa.

Segundo o presidente vascaíno, Antônio Soares Calçada, o uso da marca do SBT foi uma homenagem a Silvio Santos, dono da emissora. ‘Conheço o Silvio há mais de 30 anos. Quis prestar essa homenagem’, disse o dirigente, que, quando questionado se a atitude era uma provocação à Globo, não respondeu, apenas sorriu.

Calçada afirmou, também, que não sabe se continuará a exibir a marca nos próximos jogos.

A provocação vascaína foi mais um episódio da briga que se arrasta desde o início do ano entre a Globo e o presidente eleito do clube, Eurico Miranda. O dirigente acusa a emissora de ter manipulado as informações sobre a queda de parte do alambrado de São Januário, no último dia 30, que deixou 210 torcedores feridos.

Com a decisão da diretoria do Vasco, a marca do SBT foi veiculada pela Globo durante o jogo.

Alheia a tudo isso, a torcida vascaína apoiou a provocação. Logo após o gol de Juninho Pernambucano, torcedores gritavam o nome da emissora paulista.

Durante o jogo, integrantes da Força Jovem, a maior torcida organizada do clube, cantavam músicas hostilizando a TV Globo.

‘Fora Globo. Fora do Brasil’, cantavam. Após o terceiro gol, os vascaínos também cantaram o nome de Silvio Santos e trechos de músicas de programas do SBT.

‘‘Ão, ão, ão, é o jogo do milhão’ e ‘‘Isso é ritmo de festa’.

O discurso anti-TV Globo de Eurico já havia criado um mal-estar em São Januário quando, no sábado, integrantes da Força Jovem chutaram um carro da emissora nas proximidades do estádio.

Desde o início do ano, também, Eurico proibiu os atletas de dar entrevistas aos jornalistas.

Durante a Copa JH, acusou a Globo de ser a responsável pela marcação do horário de várias partidas da competição, cujos direitos de transmissão detinha.

Ele afirmou ainda que a emissora fizera um mal ao futebol ao se ‘tornar um monopólio’ na transmissão das competições de futebol mais importantes no país.

O próprio Eurico, entretanto, reconheceu recentemente, em reunião dos conselhos deliberativo e de beneméritos do seu clube, que até o Vasco depende dos recursos advindos da emissora."

"Torcida ‘esquece’ Fla e xinga Globo", copyright Jornal do Brasil, 19/01/01

"O Flamengo da vez foi a TV Globo. Os torcedores do Vasco esqueceram, até certo ponto, a rivalidade com o rubro-negro e preferiram xingar a emissora. Não bastasse, os jogadores ainda entraram em campo com o logotipo do SBT – concorrente da Globo – no espaço ocupado pela logomarca do sabão em pó Ace, da Procter & Gamble, antiga patrocinadora do Vasco. O jogo teve transmissão ao vivo da Globo. O presidente eleito do Vasco, Eurico Miranda justificou o logotipo do SBT com uma homenagem à emissora. O SBT, que soube que teria sua marca estampada antes do jogo, acionou seu departamento jurídico.

Eurico disse que não está pensando em firmar contrato algum de patrocínio com o SBT. ‘Foi uma homenagem que eu quis fazer ao SBT. Gosto muito do SBT. Não preciso pedir autorização a ninguém para homenageá-lo’, afirmou Eurico, lembrando que a única emissora a registrar a festa do Vasco, se quisesse, seria o SBT. Em Brasília, o assessor jurídico da CPI do Futebol, Paulo Goiáz, considerou legal a decisão da diretoria do Vasco. ”A Lei Pelé não proíbe publicidade de emissoras de televisão em camisas e calções”, disse.

‘Criativa’ – Na avaliação do advogado, o impedimento poderia ocorrer se o contrato entre a Rede Globo e o Clube dos 13 fizesse imposições. ‘A versão do acordo que eu analisei não apresenta restrições’, afirmou. ‘A atitude do Vasco foi uma forma criativa do Eurico Miranda em provocar a Globo.’ Mesmo se o Vasco não tiver contrato firmado com o SBT, o clube poderá alegar, segundo Goiáz, que fez uma homenagem à emissora.

Segundo a assessoria de imprensa do SBT, a direção da emissora só soube que Eurico Miranda estamparia o logotipo do canal na camisa dos jogadores 10 minutos antes do início do jogo contra o São Caetano. O caso foi encaminhado para o departamento jurídico, que vai analisar as medidas cabíveis contra o Vasco, já que a Lei Pelé proíbe o patrocínio de veículos de comunicação, segundo disse a assessoria. Apesar de a direção da Globo se recusar a comentar o assunto, vários executivos da emissora consideraram falta de ética do SBT, mais ou menos como ”um chute na canela pelas costas”.

Gritos – No Maracanã, os torcedores protestaram contra a Globo. Os gritos variaram entre ‘TV Globo é a vergonha do Brasil’, ‘Silvio Santos’, ‘Ão, ão, ão, é Jogo do Milhão’ e ‘Ritmo de festa’ numa alusão a música-tema do programa Topa tudo por dinheiro, de Silvio Santos. A homenagem de Eurico ao SBT fez o locutor Galvão Bueno e sua equipe, da Globo, improvisar. Além de não citar o nome do concorrente uma única vez, mantiveram, a maior parte do tempo, as imagens feitas de longe.

As imagens feitas de perto foram em menor número e, quando se aproximava a câmera, dava um close no jogador. A mudança de foco era percebida na telinha quando o alvo da câmera era trocado. Às vezes, quando a torcida era focalizada, a imagem não aparecia nítida. O áudio da transmissão também teve de ser modificado quando os torcedores do Vasco xingaram a Globo, com o som sendo cortado. Nesse momento ficou no ar apenas a voz de Galvão Bueno."

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