Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > A FARRA DA COPA

Rastaqüera vem do francês – rastaquouère

Por lgarcia em 20/06/1998 na edição 47


Alberto Dines

 

J

ogadores e técnicos estão fazendo coisa que jamais ousaram no meio da Copa – criticar abertamente a cobertura da mídia. A mídia está fazendo o que jamais ousou durante a Copa – criticar abertamente a mídia.

Veja ficou tão indignada com as palhaçadas da cobertura televisiva que, sem outra alternativa, apropriou-se do título de uma de nossas rubricas, “O Circo da Notícia”. O título está registrado mas este Observatório, diante deste magnífico acesso de ira sagrada, autoriza o seu uso. Uma vez. (Ver abaixo remissão para Entre aspas.)

A idiotização do noticiário, impresso e televisivo, no dia de folga (quarta-feira, 10/6) e nas vésperas do Dia dos Namorados, 12/6, comprova que o baixo nível não é do povo brasileiro mas daqueles que o alimentam com este lixo informativo.

Aquela massa de colunistas que não são do ramo e celebridades convertidas em colunistas fica zanzando pela França sem ter o que fazer entre um jogo e outro. O resultado é uma formidável coleção de sandices — sérias ou risonhas mas, de qualquer forma, a maior que já tivemos em matéria de jornalismo esportivo.

A seleção pode trazer o Penta mas o registro correto desta façanha será feito apenas por dúzia e meia de profissionais competentes que entendem de futebol e têm compostura profissional. A outra centena de credenciais foi desperdiçada. Engodo para ludibriar leitores e anunciantes.

Esses os resultados do “jornalismo de saturação” que acaba de ser inventado:

 

I) 73.5% dos colunistas
não são do ramo

Com base nas edições do sábado, 13/6, e do domingo, 14/6, este OBSERVATÓRIO chegou à conclusão de que a maioria esmagadora dos articulistas levados pelos jornais para cobrir o Mundial de Futebol não exercem atividades regulares no jornalismo esportivo.

Podem ser torcedores e apreciadores, podem ter sido jogadores, podem ser celebridades com o direito de pontificar sobre tudo e todos mas a própria mídia não os reconhece, em condições normais, como especialistas.

Claro que esses profissionais não inventaram a expedição às terras de Asterix. Foram convocados pelos gênios que reinventam diariamente o jornalismo em nossas redações.

O levantamento não incluiu repórteres porque, mesmo quando não especializados, sendo apenas bons repórteres, trazem boas informações e avaliações.

Alguns jornais deixaram de indicar a procedência de certas colunas dos cadernos de Copa, descumprindo obrigação elementar (a origem da matéria é um dos fatores que contribui para a sua credibilidade). Durante quase uma semana um colunista político da Folha escrevia simultaneamente uma crônica política enviada de S. Paulo e outra sobre a seleção na França. A ubiqüidade foi, afinal, esclarecida no dia em que o jornalista embarcou. Antes, o leitor esteve literalmente enganado.

Exemplo da produção dos enviados não especializados: quando Romário foi cortado, outro colunista político da Folha, diretamente da concentração, afirmou que o problema na panturrilha do atleta era fruto do esforço muscular despendido nas partidas de futevôlei. Romário desmentiu pessoalmente, a Comissão Técnica também.

 

Infográfico da Info-Xaropada

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem