Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES > LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Reações da imprensa à censura

Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Chico Bruno (*)

Quando, no dia 6 de outubro, a Justiça Eleitoral, atendendo a uma solicitação do PT, impediu a circulação da Folha do Amapá, não se ouviu uma só voz além fronteiras daquele estado de solidariedade e de condenação à censura exercida através da Justiça.

Agora no dia 23 de outubro, a Justiça Eleitoral, atendendo a pedido do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, candidato à reeleição, censurou a edição de 24 de outubro do Correio Braziliense, muitas vozes se levantaram em solidariedade ao jornal e condenaram a censura, inclusive muitos parlamentares do PT.

Estes dois episódios demonstram duas situações. Ambas dizem respeito ao tratamento que nós, jornalistas, dispensamos a episódios iguais. A censura exercida no Amapá não mereceu uma linha da mídia nacional. Mais grave, ainda, as entidades de classe não se pronunciaram em defesa da liberdade de expressão, que foi vilipendiada. Já o episódio ocorrido no Distrito Federal mereceu a atenção de grande parte da mídia e protestos de todas as entidades de classe ligadas à mídia. Isso demonstra claramente que há dois brasis, que há tratamento diferenciado e um certo preconceito, principalmente da chamada grande imprensa nacional.

Contra equívocos, informação

A segunda situação aponta para um fato muito mais grave. A ausência de análise por parte da imprensa de como age o PT. No episódio da Folha do Amapá, nenhuma censura da direção do PT nacional ao PT local que, com auxílio da Justiça Eleitoral, cerceou a liberdade de expressão, e muito menos uma palavra de solidariedade ao jornal. Já no caso do Correio Braziliense, vários deputados federais petistas, inclusive o presidente do PT, José Dirceu, se pronunciaram contra a censura e hipotecaram solidariedade. A imprensa brasileira deixa passar incólume a incoerência dos políticos brasileiros.

Estou a me perguntar por que tem que ser assim. Qual a diferença entre a esquerda censurar um jornal do Amapá e a direita um do Distrito Federal, se a censura é uma só? A essa indagação existem duas possíveis respostas: o desconhecimento da imprensa sobre o que acontece no dia-a-dia do país ou a arrogância e a soberba da grande imprensa, que só se interessa pelo que ocorre no eixo Rio/São Paulo/Brasília e umas poucas vezes em Minas Gerais.

Em relação à falta de análise da imprensa sobre a incoerência petista, que no Amapá usa a censura a seu favor e no Distrito Federal a condena porque ela atinge seus objetivos eleitorais, deixo a seguinte provocação: estariam os analistas políticos míopes ou não querem mostrar que estas eleições, quase gerais, colocaram no mesmo patamar a esquerda e a direita?

Qualquer que seja a resposta, vale lembrar que a informação é o instrumento que evita os equívocos de um povo.

(*) Jornalista

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