Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > O POVO

Regina Ribeiro

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

O POVO

"Informação falante", copyright O Povo, 21/7/02

"Segunda-feira passada o caderno de Informática não foi publicado no O Povo. Alguns leitores, ao notar a ausência do produto veiculado normalmente às segundas, recorreram tanto ao serviço de Atendimento ao Assinante quanto à Ombudsman. Queriam saber por que o caderno não estava encartado.

Entre as informações preliminares de suspensão do produto até a confirmação de que o caderno estava passando por uma remodelagem se passaram mais ou menos umas três horas. Até que veio a real informação: o caderno deixou de circular. O tema informática será abordado junto com a Economia, segundo informações obtidas na Redação. Também foi dito que deveria ter saído uma matéria explicando a mudança na própria segunda-feira, 15. Deveria, mas não saiu.

Toda e qualquer empresa remodela seus produtos, encontra formas que se encaixem num ponto ótimo entre os custos e retorno financeiro. Isso é admissível, compreensível, aceitável. O que não é admissível, compreensível e aceitável é fazer tal mudança, a ponto de implicar na supressão de um caderno, e não informar ao leitor.

Um bom exemplo que deveria ter sido repetido pelo O Povo aconteceu no último dia 7, quando o Delas anunciou que estava saindo do palco para dar lugar a um novo produto. Num editorial os leitores foram informados: ?Esta é a última edição do Delas, do caderno que fez parte dos domingos de muitas mulheres desde o dia 5 de janeiro de 1997?. Informação elegante e respeitosa.

Com o Informática o que se viu foi um descaso imenso com os leitores. Saiu de cena sem dizer nada, deixando o silêncio e a desinformação.

É de se perguntar por que o Delas agiu dessa forma e o Informática de outro, se os dois pertencem à mesma empresa? Eu não sei, mas tenho certeza de que essa falta de uniformidade em alguns procedimentos não fica bem para O Povo. ?Deveria ter saído uma matéria sobre o assunto?, foi informado. No entanto, até sexta-feira a matéria não havia sido publicada.

O índice do Lula

Na quinta-feira, 18, O Povo publicou errado o índice de intenções de voto destinado ao candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT) referente à última pesquisa do Vox Populi, encomendada pelo jornal Correio Braziliense. A chamada de capa e a matéria da página 2 informavam que cabiam ao candidato petista 32% da preferência dos eleitores pesquisados. Na realidade esse índice era de 34%, como saiu publicado na seção Erramos de sexta-feira, 19.

Apesar da correção do índice decidi voltar ao assunto porque considero interessante acrescentar alguns dados que podem ser esclarecedores. Um dos leitores que trataram da questão duvidou do erro involuntário afirmando que O Povo não precisaria fazer qualquer modificação num texto que ?já vem pronto?. Ele havia lido a informação em alguns sites na Internet e na noite anterior o resultado a pesquisa já estava em pelo menos um telejornal que vai ao ar depois das 23 horas.

O Diário do Nordeste também publicou a mesma informação, sem o índice, apenas informava a diferença de oito pontos percentuais entre o candidato do PT e candidato da Coligação Trabalhista, Ciro Gomes (PPS), que apareceu com 24% das intenções de voto. Ou seja, o erro dos dois jornais teve como fonte a transmissão de uma informação errada pela agência de notícias.

?O Povo errou no índice do Lula. Em vez 34%, utilizou 32%. Foi um equívoco. Mas rebato com veemência qualquer indicativo que se trata de manipulação para prejudicar Lula?, afirmou o editor do Núcleo de Conjuntura – que inclui Política, Internacional, Brasil e Opinião – Rodrigo de Almeida.

É sabido por boa parte dos leitores que os jornais locais e do mundo todo compram matérias de agências de notícias. Acontece que as agências também erram, espalhando esse erro a todos os jornais que veiculam suas informações. Na grande maioria das vezes o erro é corrigido, em seguida, pela própria agência. Nesse caso, não sei se houve correção a tempo, uma vez que no site da Agência Estado – que tinha o texto coincidente ao publicado pelo jornal – a informação estava correta. Posso dizer também que mesmo que a informação tenha sido reenviada pela agência, nenhum dos dois jornais atentaram para o fato.

Reconheço que é um exagero – para não dizer inadmissível – imaginar que O Povo iria manipular um índice de pesquisa para prejudicar a candidatura do Lula ou de quem quer que fosse. No entanto, devo admitir que o leitor tem toda liberdade para fazer uma leitura baseada nas informações que estão ao seu alcance. O leitor em questão tinha os dados que refutavam a informação do O Povo, jornal do qual ele tem assinatura exclusiva, ou seja, não assina o DN simultaneamente para comparar os textos. E nos sites acessados por ele o índice era de 34% e não 32%.

É importante lembrar que boa parte dos leitores, por mais informações que tenha dos processos industriais do produto jornal, está longe de ter conhecimentos específicos do tipo: 1. Agências de notícias podem mandar matéria com erro; 2. Podem haver divergências de informação entre as agências de notícias; 3. As agências, quando se dão conta do erro a tempo, corrigem a informação reenviando o texto; 4. Algumas vezes quando a agência manda o reenvio da matéria, a edição já está encerrada; 5. Também algumas vezes a matéria corrigida pode passar despercebida diante do universo de textos colocados à disposição para edição, ou seja, escolha e processo de publicação. Essas são algumas das inúmeras situações no processo de edição do jornal que vai parar nas mãos de cada leitor.

Digo isso para mostrar que o leitor tem liberdade para fazer as conjecturas dele. Quero acrescentar ainda que a representação que se faz da mídia não está nada para Alice no País das Maravilhas. No cinema, na TV, na literatura e mesmo na literatura especializada, a mídia e seus profissionais são apresentados como os mestres da construção e desconstrução de realidadades. Qual a influência que toda essa representação tem para os leitores?

Como não sabemos da resposta cabe ao O Povo, que tem uma proposta definida para a cobertura das eleições, inclusive anunciada aos leitores, não deixar margens para dúvidas.

Pausa

Durante esta semana não darei expediente no O Povo. A coluna do próximo domingo 21, também não será publicada. Os leitores poderão, no entanto, endereçar suas reclamações, observações e sugestões sobre a cobertura do jornal, normalmente, para o e-mail: ombudsman@opovo.com.br. Estarei de volta no próximo dia 29."

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