Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Rejeição em casa

Por lgarcia em 30/05/2001 na edição 123

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MONITOR DA IMPRENSA


MINORIAS ÉTNICAS

Brian Stockes é um correspondente em Washington, mas não consegue credencial para o Capitólio ou para a Casa Branca porque a proprietária do veículo em que trabalha é uma tribo americana. "Não me impediram de participar de audiências públicas, mas há certas áreas em que só se pode entrar com credencial", afirmou Stockes, do semanário Indian Country Today, de Dakota do Sul, EUA.

O dilema de Stockes, segundo Mark Fitzgerald [Editor & Publisher, 22/5/01], deriva de uma regra pouco conhecida que proíbe quase todas as publicações nativas do país de obter credenciais de imprensa que possibilitem circulação na Casa Branca. A Galeria de Imprensa Periódica do Senado dos EUA (PPG), responsável pela emissão de credenciais, não credencia jornais oficiais, incluindo no bolo tribos indígenas do país.

O advogado do Indian Country Today, Markham Erickson, recorreu contra a rejeição das credenciais em carta enviada no dia 5 de abril ao Comitê de Regras do Senado. O jornal propõe uma emenda à regra vigente no PPG. Afirma que "o termo ?governo? não inclui nações indígenas reconhecidas nacionalmente". Até a semana passada, não houve resposta.

Cerca de 200 jornais e revistas étnicos são impressos na cidade de Nova York todos os dias. Esse número é três vezes maior que há 10 anos. O crescimento reflete a complexa diversidade verificada nos resultados do Censo dos Estados Unidos, divulgado na semana passada. "Observamos o crescimento da mídia étnica", afirma Jon Funabiki, vice-diretor de mídia, arte e cultura da Fundação Ford. "Todos com quem conversei concordam em que a mídia noticiosa étnica está de vento em popa em todo o país."

Segundo Deepti Hajela [Associated Press, 22/5/01], o ocorre em tempos em que jornais diários de língua inglesa lutam para manter a circulação. As publicações étnicas estão refletindo as mudanças demográficas da cidade. O Censo mostra que grupos étnicos de Nova York crescem em número e variedade.

Em termos nacionais, esses números são baixos para o tipo especializado de publicação, mas analistas afirmam que a tendência pode ser vista em locais como Flórida e Califórnia. Em Chicago, mais de 80 publicações servem a comunidades hispânicas, polonesas, coreanas e russas. Em Miami, onde publicações em espanhol há muito fazem sucesso, jornais agora tentam alcançar imigrantes do Caribe.

"É um fenômeno dos últimos cinco anos", disse John Virtue, vice-diretor do International Media Center, na Universidade da Flórida em Miami. "Há bem mais publicações do que se imagina."

Uma coalizão de grupos multiétnicos classificou, na quinta-feira passada, como medíocre o esforço das emissoras dos EUA em aumentar a diversidade racial em seus programas. Segundo a Agência Reuters [25/5/01], a análise se baseou no desempenho das redes nos últimos 16 meses.

A NBC recebeu a nota mais alta, C, e a ABC a mais baixa, D?, no boletim sobre a inclusão de latinos, índios americanos e asiáticos americanos na indústria televisiva. A Fox recebeu um C?, e a CBS D+. Os americanos de origem africana ficaram de fora da classificação porque o maior parceiro da coalizão, a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), não teve tempo para apresentar suas conclusões à comissão diretora, mas seu relatório ficou prometido para julho, durante a convenção nacional do maior grupo de direitos humanos do país.

O presidente da NAACP, Kweisi Mfume, afirmou que em breve serão apresentadas diversas opções de mudança às emissoras, no intuito de forçá-las a aumentar a diversidade. Mfume lançou a campanha pela diversidade racial na TV em julho de 1999. As redes se defenderam apontando os progressos, mas admitiram ter ainda que ir mais longe.

O repórter Michael O. Allen, africano naturalizado americano, reclama de discriminação racial na redação do Daily News desde 1998, quando Ed Kosner foi nomeado para o comando da edição dominical do jornal nova-iorquino. Em outubro do ano passado, meses depois de Kosner se tornar editor-chefe, Allen foi mandado de volta para o Brooklin, onde começou a trabalhar para o News, em 1993. Em março deste ano ele apresentou queixa à Comissão de Oportunidades Iguais de Trabalho (Equal Employment Opportunity Commission), acusando o jornal de rebaixamento de cargo movido por motivos racistas. Seu advogado afirmou que o jornalista quer continuar no Daily News, mas deseja tratamento igualitário.

Kosner disse a Cynthia Cotts [Voice, 23/5/01] que jamais, em 40 anos de jornalismo, fora acusado de qualquer tipo de atitude racista. O jornal afirmou que a transferência foi motivada pela necessidade de ampliar a cobertura na área e pelo "relativo fracasso" de Allen em produzir matérias de alta qualidade para as edições de domingo.

No entanto, Allen não é o único insatisfeito. Para um antigo funcionário, o jornal é "um lugar horrível para pessoas de cor". Durante anos, segundo ele, as minorias da redação foram sempre designadas para cobrir pequenas cidades distantes. Em 1987, um júri federal determinou que o jornal pagasse US$ 3 milhões por discriminação racial contra quatro empregados negros. No Daily News, não são brancos apenas 18.6% dos funcionários, segundo pesquisa da Sociedade Americana de Editores de Jornais.

Um jornalista do News disse que, embora o jornal contrate negros, sua ascensão lá dentro é muito difícil, pois os editores não aceitam que errem, aprendam e cresçam. Para outro, Allen foi mandado para longe porque editores encontravam problemas demais em seus textos.


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