Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES >   CAMPANHA ANTI-BAIXARIA

Renata Gallo

Por lgarcia em 20/01/2004 na edição 260

PERFIL / PENÉLOPE NOVA

“‘Não sei bancar a pudica'”, copyright O Estado de S. Paulo, 18/01/04

“Sabe menininha criada pela avó? Agora esqueça. A avó que criou Penélope Nova, VJ da MTV e filha do músico Marcelo Nova, destoa de toda uma geração. Nas palavras da própria Penélope, sua avó paterna é a verdadeira louca da família, do tipo que amarrava a corrente da casa e a coleira do cachorro no pescoço, que se misturava no meio da galera afoita que freqüentava os shows do Camisa de Vênus e conseguia gritar no mesmo tom, palavrões similares, aliás.

Aos 30 anos, Penélope parece um gibi – nos seus braços quase não há espaço para mais uma tatuagem -, fala de sexo com desenvoltura incomum e, apesar de usar calça 38, tem o biótipo bem diferente das outras VJs. Mesmo fora do padrão MTV, desde que estreou, em 2001, tem ganhado espaço na emissora. Além do Câmbio, essa semana estreou no comando do Ponto Pê, programa diário no qual tenta esclarecer as dúvidas sobre sexo que martelam a cabeça dos adolescentes.

Desbocada e, aparentemente, agressiva, Penélope fala em tom infantil quando atende ao telefone o namorado. Também usa um colar com o nome dele, em um estilo parecido com aquela polêmica coleira usada por Luma de Oliveira em um desses carnavais. Polêmica, aliás, parece ser a única coisa que ela realmente é.

Estado – Como virou VJ?

Penélope Nova – Trabalhava no departamento artístico da MTV desde 1997. E, como era cabeluda, sou tatuada e peituda, me convidaram para fazer um teste para um programa no mesmo estilo do Fúria (programa de rock pesado), que tinha acabado. Ganhei a vaga e estreei no Riff.

Estado – Rock pesado é a sua área?

Penélope – Sim e não. Eu ouço rock, gosto de coisas pesadas, mas nunca ouvi só metal. Tenho um conhecimento musical relativamente bom na área, mas não sou uma enciclopédia, nem é meu interesse. Essa coisa de saber todos os discos da banda, a música 2 do lado B do 7.? álbum é coisa de menino. Sou mais instintiva.

Estado – Você gostou de virar VJ?

Penélope – Acho que de todas as pessoas que passaram por isso eu fui a que menos notou o choque da atenção atraída. Sempre tive os olhos de todo mundo ao meu redor porque eu comecei e me tatuar com 18 anos, tinha o cabelo cor-de-rosa, fui careca, usava saia prateada…

Estado – Isso te incomodava?

Penélope – Sim, mas não é o incomodar da privacidade é o incomodar do julgamento. As pessoas te olharem e reagirem às suas tatuagens como se isso fosse determinante no seu caráter é imbecil. As pessoas faziam um julgamento de caráter, de drogada, de vagabunda. Você sabe que, quando as pessoas me agridem, com tom de desaprovação ou de me ridicularizar, eu costumo latir.

Lato e faço cara de louca.

Estado – Na rua as pessoas se aproximam de você?

Penélope – Acho que essa coisa de eu falar alto, falar de sexo com uma certa naturalidade, para muitas pessoas de um jeito desnecessário, aliás, diminue o assédio. Mas eu não sei bancar a pudica, tento sim ter um comportamento diferente diante das câmeras, tento falar menos palavrões.

Estado – Você é uma pessoa crítica?

Penélope – Eu sou crítica como se fosse uma outra pessoa que está ali. Não gosto da idéia de pensar, de refletir sobre o que eu teria de fazer. O que tiver de mudar vai mudar naturalmente. Quando assisto me divirto, eu dou muita risada comigo na TV.

Estado – Você emagreceu desde que apareceu na MTV.

Penélope – Não fiz dieta. Uso calça 38, mas sou uma gordinha de alma.

Durante muitos anos acordei cedo para nadar, correr e ir à academia, mas, depois de um tempo, isso parou de me interessar. Também porque academia virou moda. Já fiz muito regime na vida, coisas malucas como a dieta de Beverly Hills – uma dieta em que você tinha de comer só fruta durante 10 dias, carregava sacos de uva pela rua. Há alguns anos não faço nada e passei a emagrecer. Costumo dizer que é justiça divina.

Estado – Você sempre pensa em chocar, ser diferente?

Penélope – Isso é tão da minha avó, quer dizer, da geração da minha avó, porque minha avó é a verdadeira louca da família. Ela amarrava a corrente da casa e a coleira do cachorro no pescoço e ia para o show do Camisa de Vênus e ficava gritando no meio da galera. Acho que pensar assim é ser simplista.

Tatuagem é tão estético quanto usar brinco. O.k., é mais definitivo, mais sério, agressivo, mas é estético. Acho bonito e, graças a Deus, não é todo mundo que acha. Me incomoda é essa coisa da massificação do belo, essa obsessão pelo belo, por não ter celulite, por ser magra…

Estado – Você se mudou para São Paulo com 12 anos porque seus pais se separaram. Foi traumático?

Penélope – A adolescência é um trauma, mas o lance da separação não foi tanto porque eles brigavam muito. Minha mãe me gerou, mas não desempenhava a função materna, quem fazia isso era minha avó. Minha mãe sempre foi o oba-oba da minha vida. Ela é linda e novinha, a gente saía eu ficava com um cara num dia e ela ficava com o mesmo no outro e vice-versa.

Estado – Por isso você é bem resolvida no sexo?

Penélope – Acho que sim. Isso fez com que eu encarasse o sexo com naturalidade, não que eu seja entusiasta. Pelo contrário, eu sou extremamente fiel, nunca traí nenhum namorado. Já tive várias experiências, já fiquei com meninas, eu e um namorado já tivemos uma namorada em comum.

Saíamos nós três de mãos dadas.

Estado – Sua família entendia?

Penélope – Claro que não, mas teve de engolir. O que era estranho é que meu pai era o cara do Camisa de Vênus e queria bancar o pai tradicional, mas não adiantava porque ele era o pai porra-louca.

Estado – Você acha que seu comportamento influencia os adolescentes?

Penélope – Eu não sou Deus. Toda vez que tenho a oportunidade eu falo que tenho as mesmas dúvidas que eles. Sempre tem um grupo que fica na porta da MTV e eu acho uma b… porque poderiam estar no cinema, fazendo algo útil.

Não gosto do assédio besta, daquele tipo: ‘ai, adoro você’. Faço meu trabalho, me cobro para ser sincera, transparente, de verdade. Como as pessoas vão receber isso depende delas.

Estado – Seu espaço foi angariado pela sua sinceridade?

Penélope – Sei lá, mas essa idéia de achar que eu sou diferente nesse mundo onde eu não me identifico com quase nada me faz feliz. É gratificante, quase justiça.”

 

PLAYBOY, 50 ANOS

“Uma noite no templo das fantasias masculinas”, copyright O Estado de S. Paulo, 18/01/04

“Meia centena de homens excitados tumultua o hall do hotel Merv Griff’s Hilton de Beverly Hills, na Califórnia. E não é porque o vice-presidente americano, Dick Cheney, também esteja hospedado ali. É que, em pouco mais de meia hora da noite de quinta-feira, aqueles homens estarão em um lugar com fama de ser uma espécie de Hopi Hari do erotismo, um Playcenter da sexualidade: a Mansão Playboy, em Los Angeles.

Convidados para celebrar os 50 anos da revista e o êxito dos negócios mundiais do grupo Playboy, eles vieram de todo lugar do mundo para a festa – China, Japão, Índia, Argentina, Equador, Peru, Austrália. Criada em 1953, a revista Playboy é o carro-chefe do grupo, lida por cerca de 10 milhões de adultos norte-americanos todo mês. É uma publicação franqueada para 18 países, entre eles o Brasil (sua terceira maior vendagem no mundo). A Playboy TV chega a 130 milhões de lares (possui 1 milhão de assinantes na América Latina).

A mansão de Hugh Hefner fica na Charing Cross Road, num lugar de onde dá para ver o famoso letreiro de Hollywood na colina. A mansão fica perto da que foi de Frank Sinatra, que é breguíssima – o bairro todo parece uma espécie de filme de arquitetura de terror. O marketing pessoal de Hefner apregoa que ele vive na mansão com seis namoradas, aos 77 anos. Nos fundos da casa, contam, moram a ex-mulher de Hefner e dois filhos. ?Não se pode dizer que ele não seja um homem de família?, brinca um executivo. Na entrada, há um mural com motivos gregos e mais adiante aparece um cartaz no meio dos arbustos, onde se lê: ?Freie para animais?. Os homens (são 670 convidados) desembarcam ruidosamente e são recebidos pelas famosas coelhinhas da Playboy, com orelhas e pompons no traseiro, sorridentes e receptivas. Mais adiante, há um grupo de mulheres de biquínis pretos e saltos altíssimos. Logo são umas 200 mulheres por todo lado, um playground de peladonas.

A festa é nos jardins da mansão, então não dá para ver as famosas pinturas de Pollock e Picasso que dizem que Hefner tem nas paredes da casa. Com piscinas, cascatas artificiais e pedras gigantes coladas com cimento, a mansão não é muito diferente de qualquer motel com teto retrátil da Rodovia Raposo Tavares. A freqüência é que é um tanto diferente: estão por ali os atores Martin Landau e Jamie Brown, o cantor Enrique Iglesias, os roqueiros Marylin Manson e Ray Sugar e alguns atores pós-adolescentes daqueles filmes tipo American Pie, mas pouca gente sabe informar o nome de algum deles.

Os homens agora já tinham tomado alguns goles de uísque escocês e cerveja Michelob e tiravam fotos com Pamela Anderson (juro: até que não é tanto silicone assim). Quando a solícita Pamela não estava disponível, iam para os fundos do terreno, onde havia uma foto de Marilyn Monroe recortada, e tiravam fotos abraçando a deusa que foi a capa da primeira edição. Tudo conspirava para que o detector de chauvinismo das feministas disparasse na noite.

No palco, a capa da edição de dezembro de 2002, Dita Von Teese, ensaio intitulado O Retorno do Fetiche, dançava ao som de música de big band dos anos 20. Aos poucos, Dita inicia um strip-tease lânguido, com um sorriso de capa de revista, e vai tirando a roupa. Mas o corpete enrosca, ela tem de pedir ajuda a uma coelhinha auxiliar. Consegue tirar tudo e fica com um minúsculo tapa sexo. Ao final do número, ela entra dentro de uma taça gigante de martini e rodopia incessantemente, sob aplausos entusiásticos.

Bela morena ao estilo Betty Page, Dita von Teese dá o golpe de misericórdia no sujeito que já tenha chegado à terceira cerveja. Ato contínuo, um alemão assanhado, cuja silhueta parece com a de uma pêra gigante, atraca-se com a playmate desavisada e torna-se um polvo ameaçador. Ela brinca, roda e sai fora. O alemão sobra sozinho na pista.

No banheiro masculino, uma surpresa: Paris Hilton retocando a maquiagem, com dois seguranças na porta. Por conta disso, todos os homens são agora remanejados para banheiros alternativos. ?Por via das dúvidas, eu tirei a aliança?, brinca um jornalista australiano na fila, falando com um colega canadense. No armário de todos os toaletes, há um kit padrão: um pote de aspirina, outro de vaselina, uma caixa de Tampax e nenhum envelope de camisinhas.

Então, ali pelo meio da festa, surge o anfitrião, Hugh Hefner. Ele senta numa mesa no centro do ?salão?, com seis acompanhantes. É um coroa simpático, beija todas as moças que o cumprimentam na boca – Drew Barrymore esquivou-se e ofereceu a face. Hefner mostra que não é exatamente um modelo de parcimônia: come espetinhos de filé mignon enrolados em bacon e toma refrigerante normal, nada de diet. Criou um arcabouço ?filosófico? para justificar eticamente seu império.

?As boas moças também gostam de sexo, e essa é a chave?, ele diz. ?O que eu tenho tentando provar é que o maior beneficiário da revolução sexual são as mulheres, não os homens, porque as mulheres foram forçadas a viver de um jeito não natural, num pedestal, consideradas como as filhas de Eva. O homem quer ficar com as garotas más e depois casar com uma garota boa. É uma tradição totalmente desfavorável para as mulheres?. Hef, como é conhecido, fala com todo mundo, atende o povo com um sorriso perpétuo e, em dado momento, sua ?preferida?, Holly Madison, o puxa da cadeira e vão os sete para o centro da pista.

A DJ àquela altura era outra playmate, Colleen Shanon, do Alasca, daquelas do tipo que ninguém quer nem saber que música toca. Hefner dança com suas seis mulheres, ou coisa que o valha, e sustenta com heroísmo o mito de potência e longevidade sexual que ajuda seu grupo a faturar US$ 277 milhões por ano. Ao estilo Coisinha de Jesus, Hefner esforça-se para chacoalhar o esqueleto, e as garotas tomam drinques vermelhos e não param de sorrir.

Às 22h20, as garotas de biquíni preto, uma das tropas de choque da festa, iniciam outro número que parece previamente ensaiado: caem na piscina, e começam a dançar na água. Corajoso, ou muito bêbado, um dos convidados tira a roupa e entra junto. Os japoneses, com seu velho senso de honra, se sentem ultrajados e também começam a cair na piscina – o primeiro deles, tatuado como um gângster da Yakuza, ganha afagos das moças por todos os lados e grita triunfalmente para os não-molhados. Outro cai de terno e tudo.

Finalmente, um sujeito tira tudo e as garotas brincam com sua underwear abandonada na piscina. Um italiano consegue a proeza maior: convencer uma das peladonas a levá-lo até uma gruta misteriosa ao fundo da piscina, e o ragazzo desaparece para sempre da festa, atrás das bolas gigantes e jacarezinhos infláveis.

No território dos secos, uma playmate do grupo das vestidas (não muito vestidas, ressalta-se) aproxima-se do repórter. ?Por que você anota tanto aí??. É preciso sobreviver, é o tal do senso do dever, é meu trabalho. As desculpas soam esfarrapadas, ela ri e passa a mão na nuca do desafortunado repórter, e provavelmente considera-o um caso perdido.

Fim de festa é tudo igual. As coelhinhas peladonas reaparecem vestidas e, na saída, novas garotas distribuem kits com chinelinhos e bonés. No mundo de cenários de Hollywood, as festas de Hugh Hefner são apenas mais um sonho, alimentado por uma boa dose de fantasias masculinas estandardizadas.

E tudo começou com um chifre…

Tudo começou em 1953, mesmo ano da publicação do Relatório Kinsey da sexualidade. Hugh Hefner criou e editou o primeiro número da revista Playboy na mesa da cozinha de sua casa, com um investimento de apenas US$ 600 (era tudo que tinha), e mais US$ 8 mil emprestados de parentes. O número inicial, que tinha Marilyn Monroe na capa e custava US$ 0,50, vendeu 51 mil exemplares.

Segundo escreve Gay Talese em seu livro A Mulher do Próximo, a obsessão de Hefner pelo sexo pode ter começado às vésperas de seu primeiro casamento, quando sua noiva, Mildred, confessou que o traía com um homem que conhecera numa estação de trem. Hefner, filho de pais puritanos protestantes, ficou abalado e ainda assim fez questão de casar-se, mas nunca mais foi o mesmo.

Os primeiros tempos da primeira revista de entretenimento masculino foram difíceis. O correio boicotava as assinaturas, entregando-as com atraso, e a polícia de Chicago, onde tudo começou, costumava perturbar a direção da empresa. Embora espalhe o mito e reproduza um discurso padrão para jornais e revistas, Hefner não convence como atleta sexual. Mesmo nas empresas, hoje, é uma figura simbólica, um garoto-propaganda de sua própria marca. A mulher forte da Playboy Enterprises é a filha dele, Christie, graduada em Literatura Inglesa, e que é casada com um senador por Illinois.”

 

CAMPANHA ANTI-BAIXARIA

“Band e Record tiram do ar atrações ?baixaria?”, copyright O Estado de S. Paulo, 20/01/04

“Dois programas que costumam dar dor de cabeça às emissoras estão com os dias contados: Hora de Verdade, da Band, e Verdade do Povo, da Record.

A primeira atração, que era comandada por Márcia Goldschmidt, é a que vive seus minutos finais. O programa, que já teve mais de uma hora de duração, perdeu sua apresentadora – Márcia saiu no final do ano passado para comandar o Jogo da Vida, um programa de namoro na TV – foi encurtado e agora está com pouco mais de 20 minutos de duração. Problemas com audiência o Hora nunca teve, sempre apareceu entre os maiores ibopes da rede. O caso é que a atração também está há tempos entre os líderes do ranking da campanha ?Quem financia a Baixaria é Contra a Cidadania?, que pretende melhorar a qualidade da programação de TV.

O Hora da Verdade é um dos campeões de reclamações do público e aparece no ranking entre os 10 piores programas da TV. Sem contar as denúncias de farsas envolvendo participantes da atração publicadas na imprensa.

Com o programa Verdade do Povo, que surgiu na Record justamente para competir com o Hora da Verdade, os problemas também não são poucos.

Apesar de não ter aparecido no ranking da baixaria, a atração comandada por Wagner Montes ainda não convenceu o mercado de anunciantes, por causa de seu conteúdo considerado apelativo.

No final do ano passado Verdade do Povo saiu de férias dando lugar a duas séries: Mestre das Feras e O Mundo Perdido. Ambas mantiveram a audiência no horário, o que compromete ainda mais a volta do programa.

A direção da Record já falou sobre a intenção de tirar o programa da grade, mas não deu previsão de quando será. Wagner Montes deve permanecer no canal, mas em um novo projeto.

Amanhã, todas as produções da Record voltam de férias e os ponteiros para a estréia da nova programação em março devem ser acertados.”

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