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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES 2002

Renata Lo Prete

Por lgarcia em 16/10/2002 na edição 194

ELEIÇÕES 2002

“A sombra da solução final”, copyright Folha de S. Paulo, 14/10/02

“O retrato captado pelas primeiras pesquisas realizadas depois da votação de 6 de outubro reforça o papel da propaganda gratuita, de volta hoje à televisão e ao rádio, como único instrumento capaz de alterar o desfecho provável da disputa presidencial.

Decorrida uma semana de escalada retórica por parte do governo e de seu candidato, que em coro procuraram associar Lula a Hugo Chávez, dólar em alta e outros infortúnios, o Datafolha mostrou o petista 26 pontos à frente de Serra. O Vox Populi, 30.

Os tucanos dirão que era essa a diferença esperada. Não era. Na quinta e na sexta, vendiam à imprensa previsão de 15 pontos.

Não se confirmou a suposição de que o fracasso do esforço de Lula para vencer no primeiro turno jogaria água fria nos números. Ampliou-se a distância que existia nas simulações de confronto entre os dois candidatos.

Não significa que o diagnóstico esteja fechado. Convém lembrar que Serra cumpriu à risca suas principais missões na etapa anterior do horário eleitoral: tirar Ciro do caminho e chegar ao segundo turno, no qual aterrissou com mais votos do que previram as pesquisas (e Lula com menos).

No entanto, o tamanho do problema exigirá da propaganda tucana uma carga de agressividade que tornará brandas, na comparação, as referências feitas ao PT e a seu candidato na primeira temporada televisiva. Não é desvantagem que se supere anunciando programas de agricultura familiar ou de distribuição de leite.

Tampouco parecem promissoras algumas das idéias vazadas para jornalistas no final da semana passada. Estudava-se, por exemplo, cutucar Lula por ter consumido caro vinho francês oferecido por Duda Mendonça em jantar que se seguiu ao debate da TV Globo.

?Romanée o quê??, perguntará o eleitor se tal picuinha entre marqueteiros for ao ar. Isso é biriba. Serra terá de recorrer a bombardeio pesado e sistemático, a despeito dos riscos. Não resta outro caminho a tentar.

Também de Lula não se deve esperar um mero prolongamento dos programas da primeira fase, em que as menções ao campo adversário eram raras e sutis. Dos dois lados, a propaganda assumirá um tom plebiscitário, de natureza diferente em cada caso.

Na campanha de Lula, a escolha a ser vendida é entre oposição e governo. Carimbando a segunda qualificação com a maior insistência possível na testa de Serra, os petistas esperam interditar qualquer outra discussão e inviabilizar-lhe as chances.

Programadas para a noite de estréia, as participações de Ciro e Garotinho visam encorpar uma espécie de grito de Tarzan: ?nós, oposição; ele, governo?.

Na campanha de Serra, o plebiscito será o do medo, fator de conhecida influência sobre eleitores indecisos e simpatizantes de opção menos cristalizada.

Juntam-se a indisposição de Lula para participar de debates, o fantasma do apocalipse econômico e uma operação pente-fino nas administrações petistas para perguntar: ?você tem certeza de que quer o PT mandando no país??

Como de hábito, repetiram-se nos últimos dias as promessas de campanha propositiva, destinada apenas a ?marcar as diferenças? entre os dois candidatos.

Mas, para balançar a árvore e recolher milhões de eleitores a esta altura da disputa, só mesmo algo próximo da solução final.”

“Propaganda política em SP custaria R$ 127 mi”, copyright Folha de S. Paulo, 14/10/02

“A propaganda eleitoral na TV no primeiro turno, sem contar os dois blocos diários de 50 minutos de horário eleitoral, ocupou 8.856 minutos das principais emissoras de TV de São Paulo entre os dias 20 de agosto e 3 de outubro. Se fossem pagar por essas inserções, os partidos gastariam R$ 127,257 milhões só pela veiculação na Grande São Paulo.

Os dados, obtidos com exclusividade pela Folha, são do Ibope Monitor, que acompanha a veiculação de publicidade na mídia. Segundo o levantamento, as inserções dos partidos espalhadas pela programação das emissoras representaram 30% do total de comerciais veiculados no período.

As emissoras de TV têm direito a abater de tributos federais o equivalente a 80% desse total, o que daria R$ 101,8 milhões.

Mas esse valor é muito maior. As TVs têm ainda direito a abater de impostos 80% do valor de tabela de 12 minutos e 30 segundos de cada bloco de 50 minutos de horário eleitoral. Isso daria, pelas tabelas nacionais, R$ 292 milhões. A Receita estima renúncia fiscal por propaganda política e horário eleitoral de R$ 122 milhões em 2002 e R$ 174 milhões em 2003.

O horário eleitoral vespertino teve média de 1,6 milhões de telespectadores na Grande SP e o noturno, de 4 milhões. Em junho, a média nos horários era de 2,5 milhões à tarde e de 5,5 milhões à noite. Na média diária, SBT e Globo perderam um ponto cada.”

“Fama na televisão nem sempre garante voto aos candidatos”, copyright Folha de S. Paulo, 13/10/02

“Não é sempre que o sucesso na TV se reverte em benefício eleitoral. Dos famosos (ou quase isso) da televisão, que participaram ativamente do último pleito, apenas alguns obtiveram êxito. A exemplo da atriz Patrícia Pillar, cujo carisma não bastou para reverter o desempenho do marido Ciro Gomes na corrida ao Planalto, outras figuras conhecidas também não emplacaram nesta eleição.

Paulo César Vieira, 45, o Amendoim do programa ?No Limite 2?, da Globo, aproveitou os resquícios da efêmera notoriedade obtida na TV e foi candidato a deputado federal pelo PC do B no Rio. Carregando o slogan ?No Limite contra a desigualdade social?, ele angariou 5.646 votos, mas não conseguiu ser eleito. Sua campanha foi focada na favela da Rocinha (zona Sul do Rio), onde atua como líder comunitário.

Votação mais expressiva conseguiu o candidato a deputado estadual no Rio pelo PMDB, Diogo Cuoco, filho do ator Francisco Cuoco. Aos 23 anos de idade, ele obteve o voto de 17.986 eleitores, mas também não se elegeu. Diogo recebeu apoio incondicional do pai, que participou de comícios e passeatas, e apareceu em diversos outdoors ao seu lado. ?A dedicação do meu pai me surpreendeu, ele me acompanhou quase todos os dias, animando a equipe, e sempre com muita disposição?, diz.

Diogo não se incomoda de ter pego carona na fama do pai-ator. ?É muito delicado para um artista emprestar sua imagem a um candidato. Mas para um filho é mais natural, porque ele o criou e conhece melhor o seu caráter?, afirma.

O novo deputado estadual pelo PSB do Paraná, Carlos Massa Júnior, 21, filho do apresentador Ratinho, foi eleito com 189.693 votos, a maior votação do estado. Surpreendido com o resultado, Ratinho Jr., que é radialista, afirma que 90% do sucesso se deveu à influência do pai. ?Ele foi meu financiador, foi minha base. Claro que eu tenho uma parcela de responsabilidade, mas foi através da popularidade dele que consegui?, diz.

O pai se mostra orgulhoso: ?Ele tem na veia essa coisa da política e trabalhou muito durante a campanha. Minha presença só ajudou a popularizar mais sua imagem?, diz Ratinho.

O médico José Dilson, 53, eleito deputado estadual pelo PDT de São Paulo, também pegou carona na fama do apresentador. Nos programas eleitorais, ele apareceu calado, enquanto Ratinho, ao seu lado, pedia votos. ?Em política, temos de usar nossas armas mais poderosas, não se pode facilitar?, afirma Dilson.”

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