Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Renata Lo Prete

Por lgarcia em 20/05/2003 na edição 225

FRAUDE NO NYT

“?Fome pela notícia? põe em xeque o ?NYT?”, copyright Folha de S. Paulo, 18/05/03

“Um ato de contrição como poucas vezes se viu na história do jornalismo americano. Assim um diário concorrente definiu as quatro páginas -mais chamada no alto da capa- em que o ?New York Times? reconheceu dezenas de erros e invenções cometidas por um repórter.

A riqueza de detalhes e o destaque foram, no entanto, insuficientes para encerrar o barulho em torno do caso Jayson Blair -por ironia, um nome que traz à lembrança o personagem de ?Sexta-Feira 13? e o filme da bruxa.

Uma semana depois de publicada a reportagem com as conclusões da sindicância interna, o que inicialmente foi atribuído a uma ?falha de comunicação entre editores? transformou-se em mea culpa da cúpula e agora assombra a credibilidade de um dos jornais de maior prestígio do planeta.

Mesmo diante da sucessão de fraudes registradas na imprensa americana em anos recentes, os feitos de Blair, 27, não deixam de impressionar.

Examinadas as 73 histórias escritas por ele desde outubro do ano passado, 36 continham declarações e personagens fabricados, material plagiado de outros jornais e relatos nos quais o repórter simulava estar em locais onde jamais esteve.

A investigação foi motivada por queixa do ?San Antonio Express-News?, que bateu à porta do ?Times? para mostrar que trechos inteiros de reportagem sobre a família de um soldado desaparecido no Iraque haviam sido copiados do diário texano -inclusive detalhada descrição da casa e entrevista com a mãe do soldado que Blair apresentou como sendo de sua autoria.

Confrontado com as evidências, o jornalista pediu demissão em 1? de maio e até hoje não se manifestou.

Mais do que pela recorrência e ousadia das invenções, o caso chama a atenção pelo nome do jornal que as abrigou. O ?Times? vinha assistindo em situação confortável a episódios de fraude que constrangeram boa parte da concorrência -agora compreensivelmente em festa.

Em livro clássico sobre a história e os bastidores do jornal (?O Reino e o Poder?, de 1969), Gay Talese descreve o senso de importância de um antigo executivo diante da convicção do público de que ?se algo está nas páginas do ?New York Times? é porque de fato aconteceu?. Não mais. Ou não necessariamente.

?A invenção e o plágio generalizados [nas reportagens de Blair] representam profunda quebra de confiança e um dos piores momentos nos 152 anos do jornal?, afirmou o texto de domingo passado.

O responsável, até aí, era um só. ?A pessoa que fez isso se chama Jayson Blair?, declarou Arthur Sulzberger Jr., ?publisher? do ?Times? e membro da família que controla o diário. ?Não vamos satanizar nossos chefes -sejam os editores ou o editor-executivo ou, se me permitem, o ?publisher?.?

Mas o discurso não conseguiu estancar as críticas dentro e fora do jornal, centradas na ausência de explicação consistente para sucessivas promoções concedidas a Blair a despeito de um histórico de falhas e ficções.

Ao reconhecer dezenas de erros e invenções cometidas por um repórter, jornal vê sua credibilidade questionada e promove ato de contrição sem precedentes

Trecho da reportagem-sindicância: ?Seus erros haviam se tornado tão rotineiros, seu comportamento, tão desprovido de profissionalismo, que em abril de 2002 Jonathan Landman, o editor de Cidades, enviou à cúpula da Redação um e-mail em que dizia: ?Temos de impedir que Jayson continue a escrever para o ?Times?. Já.?

Em vez disso, Blair foi transferido, depois de uma licença e de algumas advertências, para seção de maior prestígio, a Nacional, na qual o encarregaram de casos de primeira grandeza, como o do atirador de Washington.

O editor não foi avisado do diagnóstico de seu colega de Cidades. Segundo o editor-executivo, Howell Raines, e o secretário de Redação, Gerald Boyd, tentou-se evitar que Blair fosse ?estigmatizado? pela nova chefia.

As quatro páginas de explicações tocam apenas de passagem na questão racial -alguns críticos avaliam que Blair, negro como o secretário de Redação e pupilo deste, jamais teria ido tão longe com sua folha corrida se não fosse a política interna de estímulo à contratação de minorias.

Roupa suja

O alcance das repercussões fez com que, três dias depois da reportagem de domingo, a cúpula apresentasse à Redação um discurso bastante diferente.

Realizado em um cinema a poucas quadras da sede do jornal, o encontro foi ?fechado à imprensa? -mas relatado em detalhes no dia seguinte por todos os diários, inclusive o ?Times?.

Raines assumiu responsabilidade pelos danos à imagem do jornal e, na contramão do que havia dito antes, reconheceu que o fator racial pode ter influenciado seu julgamento.

Em um espetáculo tão ou mais inusitado do que a reportagem corretiva, afirmou que estava ali para ?ouvir a insatisfação? dos jornalistas. E ouviu por cerca de duas horas.

?Você não pensa em renunciar??, perguntou de saída um repórter. Não. ?Vocês [Sulzberger, Raines e Boyd] perderam a confiança de muita gente na Redação?, opinou um editor-assistente. A lavagem de roupa suja pode ter contribuído para acalmar os ânimos internos, mas o caso promete ir longe.

Surgem evidências de que as fraudes não se limitaram aos seis meses inicialmente analisados pela comissão de sindicância -Blair trabalhou para o jornal durante quatro anos.

Na sexta-feira, o ?Washington Post? publicou relato de uma redatora que forneceu material de apoio para reportagem sobre um ?recall? de pneus da Firestone assinada pelo repórter em 2000.

De acordo com ela, a entrevista feita com um consumidor foi totalmente modificada para ?esquentar? as acusações à empresa. O jornal diz que vai investigar.

Em defesa de seus procedimentos, Haines alegou ter investido em Blair, apesar dos sinais de perigo, porque ele demonstrava ?fome pela notícia?.

A nova denúncia deve reforçar a discussão sobre uma cultura jornalística que, até em veículos como o ?New York Times?, tem privilegiado o impacto em detrimento da consistência e da precisão.”

***

“Fraudes abalam editor-executivo ?rápido no gatilho?”, copyright Folha de S. Paulo, 18/05/03

“A revelação de fraudes em reportagens do ?New York Times? abalou a credibilidade do mais importante jornal do mundo e ampliou as dúvidas internas sobre os métodos do editor-executivo Howell Raines, que há 20 meses comanda a Redação.

Com humor britânico, o jornal ?The Guardian? fez gracejos com o dístico ?All the news that?s fit to print?, que aparece desde 1897 na primeira página do sesquicentenário jornal norte-americano. ?Todas as notícias que merecem ser impressas -ou pelo menos assim pensávamos?, ironizou o periódico londrino.

Na quarta-feira passada, Raines reconheceu que o jornal teve sua credibilidade atingida pela revelação das fraudes e assumiu sua parcela da culpa.

Admitiu que é visto como ?arrogante e pouco acessível? aos jornalistas e propôs melhorar os ?canais de comunicação? com sua equipe.

?O ?NYT? não precisa melhorar seus canais de comunicação. Precisa melhorar seu juízo das coisas?, censurou o site ChronWatch.com, que se propõe a ser um fiscal da mídia.

?Marciano?

Com um histórico de conflitos recentes com subordinados e de críticas por ter estimulado a carreira de um repórter que não tinha a confiança dos editores do próprio jornal, Raines recebeu o apoio do diretor-presidente e publisher do ?Times?, Arthur Ochs Sulzberger Jr., 51, para manter-se no cargo.

Raines, 60, está há 25 anos no ?Times?. Assumiu o posto de editor-executivo em 5 de setembro de 2001, seis dias antes do atentado terrorista contra as torres do World Trade Center.

Entre janeiro de 1993 e agosto de 2001, foi editor de Opinião, cargo de extrema confiança e proximidade da família controladora do ?NYT?.

Então responsável pelos editoriais do jornal mais influente do mundo, Raines não era o nome preferido de seu antecessor, Joseph Lelyveld, na linha sucessória do comando da Redação.

Ao comunicar Sulzberger sobre sua intenção de se aposentar, Lelyveld sugeriu que seu cargo fosse dado a Bill Keller, secretário de Redação e número dois no comando do jornal.

O publisher optou por Raines. Justificou sua decisão a Lelyveld dizendo que não sentia proximidade com Keller, conforme reportagem da revista americana ?The New Yorker?.

No mesmo texto, um editor de assuntos metropolitanos chamou Raines de ?marciano?, por ter passado oito anos trabalhando distante do quarto andar, onde fica a Redação do ?NYT?. Normalmente, o responsável por escrever os editoriais mantém-se afastado das rotinas de produção e fechamento do jornal.

Contestação

O descontentamento da Redação com o editor-executivo ampliou-se quando ele anunciou qual seria a meta de sua gestão: ?aumentar o metabolismo competitivo do jornal e atacar a complacência?.

Com 152 anos, o ?Times? acumula 110 Prêmios Pulitzer. Sete foram obtidos no ano passado, já durante a gestão de Raines, que registra também uma queda de 5% na circulação

Na prática, queria ?avivar a primeira página com mais notícias exclusivas?, aumentar o espaço da cultura pop e de reportagens sobre estilo de vida. Defendia ainda que sua equipe fosse ?mais rápida no gatilho? na confecção de reportagens diferenciadas.

Essa proposta foi interpretada pela Redação como uma contestação ao estilo do editor-executivo anterior.

Lelyveld, um amante da chamada alta cultura, chegou a mobilizar, em 2000, 50 pessoas na produção de uma série de 15 reportagens sobre o racismo nos Estados Unidos. Venceu o Pulitzer, o mais importante prêmio do jornalismo norte-americano, concedido pela Columbia University.

No comando do jornal durante o escândalo sexual envolvendo o então presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinski, Lelyveld manteve o ?NYT? numa linha sóbria, na avaliação da Redação, apesar do frenesi da maior parte da imprensa.

Seu substituto, em época próxima, havia sido criticado por ter assumido nas páginas editoriais que o cientista nuclear sino-americano Wen Ho Lee espionou programas nucleares dos EUA para repassar informações à China. As acusações não foram provadas, e o cientista foi colocado em liberdade em setembro de 2000.

Em seus 152 anos, o ?Times? já acumula 110 Prêmios Pulitzer. Sete deles foram obtidos no ano passado, já durante a gestão de Raines, que registra ainda uma queda de 5% na circulação nos últimos seis meses.

O editor-executivo do ?Times? analisou a resistência de parte da Redação às suas propostas: ?mudanças sempre tiram pessoas de sua zona de conforto?, disse à revista ?The New Yorker?.

Mea culpa

Depois de trocar diversos postos de chefia na Redação e enfrentar uma série de pedidos de demissão de jornalistas experientes da casa, Raines convocou uma reunião em que fez uma espécie de mea culpa.

?A maior lição que tenho aprendido desde que me tornei editor-executivo é que há utilidade real em conversar com minha equipe. E é preciso ter tempo para responder suas questões?, afirmou.

?Agradeço a vocês do fundo do meu coração pela paciência, pelo bom humor e pelo profissionalismo durante meu treinamento como editor-executivo. Acredito, e preciso dizer, que nosso metabolismo competitivo tem crescido?, contemporizou.

Criado em Birmingham, no Alabama, Raines é descendente de fazendeiros que, no passado, nunca tiveram escravos, em uma região marcada historicamente por conflitos raciais.

Como Jayson Blair, o repórter que cometeu as fraudes no ?Times, é negro, o próprio Raines fez especulações em torno do tema. ?Eu pessoalmente favoreci Jayson? Não conscientemente. Mas tenho o direito de perguntar se eu, como um homem branco de Alabama, com as convicções de lá, dei a ele chances demais. No fundo do meu coração, acho que a resposta é sim?, declarou Raines, cujo braço direito na Redação, Gerald Boyd, também é negro.”

“Editor do ?Post? defende atitude do ?Times?”, copyright O Estado de S. Paulo, 19/05/03

“O choque da imprensa americana na semana passada com o episódio Jayson Blair, acusado de falsear reportagens para The New York Times, extrapolou a área jornalística e invadiu a racial. O Times, como sugeriram alguns, pode ter feito vistas grossas para deixar que Blair, um jovem negro, ascendesse e firmasse a imagem de diversidade pregada pelo jornal. O editor do caderno Style do Washington Post, Eugene Robinson, de 49 anos, especialista no tema racial, esteve no Brasil na semana passada para uma série de palestras e falou com o Estado sobre o caso. Os principais trechos da entrevista:

Estado – O senhor acredita que Jayson Blair tenha sido mantido no cargo, apesar de seus erros, porque o ?Times? quis evitar demitir um negro?

Eugene Robinson – Certamente não. Ele cometeu muitos erros. O Times tem muitos negros. Ou seja, o compromisso com a diversidade não estava em xeque.

Provavelmente foi uma falha na administração.

Estado – O caso poderá afetar políticas afirmativas para negros?

Robinson – Acho que não. Certamente, nos jornais e em outros veículos de comunicação vai disseminar ou reaquecer o debate em torno das ações afirmativas e acho que alguns oponentes dessas políticas vão dizer que isso aconteceu porque ele é negro, que foi tratado de modo diferente porque é negro. E acho que o Times vai dizer que esse não foi o caso.

Estado – No caso, do ?Washington Post?, há alguma política especial para a contratação de jornalistas negros?

Robinson – Temos uma política na qual o jornal está comprometido com a diversidade nas contratações e promoções. O que quer dizer que nós estamos comprometidos em ter uma equipe diversa, contratar e promover minorias e mulheres, sempre de acordo com o padrão, com a aspiração do Post de ser o melhor jornal do mundo. Não há nenhum tipo de cota imposta, mas nós, como editores, somos avaliados sobre quanto levamos em consideração a diversidade. Se eu, por exemplo, preencho uma vaga na equipe, vão me perguntar se considerei candidatos de minorias.

Estado – O senhor já foi alvo de preconceito na carreira?

Robinson – Claro. Menos agora do que no início. Quando eu comecei, em 1975, havia muito poucos repórteres negros no jornal em que eu trabalhava, o San Francisco Chronicle, e também muito poucos no mercado. Claro, eu sentia uma certa suspeita das pessoas que queriam saber se eu era realmente qualificado. Agora, eu estou numa posição em que não preciso me preocupar muito com isso.”

“Ainda a fraude do ?Times? e a culpa do editor Raines”, copyright Tribuna da Imprensa, 16/05/03

“Ao considerar o editor executivo do ?New York Times?, Howell Raines, o culpado pelo maior erro nos 152 anos de história do jornal, discordei no dia 13 da tendência das análises sobre o escândalo de fraude do repórter Jayson Blair – tendência obliquamente encorajada pelo próprio ?Times?, na autocrítica de quatro páginas no dia 11 e na coluna do ?conservador residente? William Saffire, dia 12.

De certa forma, tanto Saffire, no seu texto bem cuidado, como a autocrítica tornavam bode expiatório a política de promoção da diversidade – que supostamente levara o jornal a apostar nos negros (como Blair) e minorias, beneficiários da ?ação afirmativa?. Sem o dizer explicitamente, o colunista falou da generosidade da posição de Raines, sugerindo ter errado porque aquelas pessoas não a mereciam.

Não é preciso maior esforço para identificar o racismo embutido no raciocínio. A máfia conservadora – sempre unânime em repudiar como lixo liberal qualquer coisa lida no ?Times?, seja o autor branco, preto, amarelo ou azul – já abraçara a tese. Obstinada na retórica contra a ação afirmativa, ela conta com decisão favorável em breve, na Suprema Corte, num recurso contra a Universidade de Michigan.

A diversidade e a arrogância

A partir do relato do ?Times? ontem sobre a reunião de Raines com os jornalistas de sua equipe, de que participou ainda o chefão (?publisher?) Arthur Sulzberger Jr, concluo que era correta minha avaliação inicial. Pois ao se declarar ?responsável? e, ao mesmo tempo, dizer que se errou foi por acreditar sinceramente na diversidade, o editor-executivo apoiou-se com esperteza no bode expiatório – e tirou o dele da reta.

?Acredito agressivamente em dar emprego e oportunidades na carreira a minorias?, disse Raines. ?Isso significa que pessoalmente favoreci Jayson??, perguntou depois. ?Não conscientemente. Mas vocês têm o direito de perguntar se eu, como um branco do Alabama, com todas aquelas convicções, dei a ele uma chance a mais, que não devia dar. (…) E se eu me aprofundar na busca da verdade, a resposta pode ser sim?.

Aí está, nítida, a nova tese: o branco sulista do Alabama racista só errou porque se deixou levar pelos liberais do Norte – e confiou num jovem negro. Paga, pelo erro, um alto preço. Declara-se responsável, sim, mas de forma enganosa – pois põe a culpa na política da diversidade, da ação afirmativa. O malabarismo de tal raciocínio, no entanto, deixa de lado pedaços da realidade do ?Times? que convém recordar.

Na cúpula da redação há menos de dois anos, depois de ter sido editor de opinião, Raines lembrou na reunião a conquista de oito prêmios Pulitzer no período (20 meses). E disse saber o que a equipe pensa dele – que é ?inaccessível e arrogante?, que a redação é hierarquizada, que ?só faço o que quero e ignoro idéias dos outros?, e que existe um ?sistema de estrelas destinado a favorecer meus prediletos?.

O nepotismo entra em cena

Tal estilo de liderança e administração – conforme reconheceu, após conversas com muitos nos últimos dias – é encarado como a causa do escândalo. Conforme o relato do jornal (assinado por Jacques Steinberg, que não foi à reunião por não ter sido ela aberta à cobertura), isso levou Raines a ignorar as muitas advertências sobre Blair, praticamente promovido (à editoria nacional) em vez de ser demitido.

Arrogância e autoritarismo nada têm a ver com diversidade. Então por que foi esta escolhida para bode expiatório? Na certa porque convém à imagem de Raines, que prefere ter errado por ser humano e generoso, virtudes raras, do que por ser arrogante e autoritário, pecados habituais dos chefes. ?Você perdeu a confiança de muitos na redação?, ?as pessoas sentiam-se intimidadas e não lideradas?, ouviu ele na reunião.

O bom senso recomenda menos ênfase na diversidade e na ação afirmativa para o papel de bode expiatório ainda por outras razões, citadas ontem em artigo assinado por Ciro Scotti no website da revista ?Business Week?. Além do favoritismo desenfreado e do culto à juventude no ?Times?, disse Scotti, Blair escapou na tela do radar por estar envolvido com uma jovem próxima à família Raines.

Mas o pecado do nepotismo não preocupa a direita (grupos Murdoch e seita Moon), que aposta tudo na obsessão contra a ação afirmativa. Antes mesmo do próprio jornal expor toda a extensão do caso na autocrítica do dia 11, o MRC (Media Research Center, o maior instituto conservador que fiscaliza a mídia) acusou Raines de considerar a diversidade mais importante para o ?Times? do que o jornalismo.

Para variar, a fraude da direita

Declaração nesse sentido foi feita segunda-feira, 12, por uma representante do MRC no programa de Bill O?Reilly, da rede Fox News. Como foi contestada ao alegar que Raines dissera aquilo em palestra na Associação Nacional de Jornalistas Negros (NABJ) em 2001, O?Reilly pediu que lesse a frase dita por ele – ao que confessou não ter o texto e foi premiada com gargalhada impiedosa dos debatedores.

Encontrei no ?Times Watch?, site da MRC dedicado ao jornal, a nota sobre o tema. E a única frase ali atribuída a Raines (por entrevistadora da rede pública de rádio, NPR) é esta: ?A campanha (da diversidade) tornou nossa equipe melhor e, mais importante, mais diversa?. Só isso. Mas no parágrafo final e no título a nota diz que Raines ?acha a diversidade racial mais importante do que aumentar a qualidade do jornalismo?.

Como observei antes, Raines é o grande culpado. E com a ajuda da direita, já tem seu bode expiatório. Mas há mais a ser discutido – da arrogância do ?Times? ao que pensam da controvérsia os negros e suas organizações, ignorados na grande mídia. ?The Black Commentator?, por exemplo, já fez uma análise radical, particularmente devastadora. Fica para outra coluna.”

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