Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Renata Lo Prete

Por lgarcia em 10/07/2002 na edição 180

ELEIÇÕES SEM OPINIÃO

"?JN? entrevista candidatos ao vivo", copyright Folha de S. Paulo, 8/7/02

"A partir de hoje, os presidenciáveis usufruem de sua principal oportunidade de TV antes do início do horário gratuito, em 20 de agosto. Começa com Ciro Gomes (PPS) a rodada de entrevistas dos postulantes ao Planalto no ?Jornal Nacional?, carro-chefe da programação jornalística da Rede Globo.

Amanhã será a vez de Anthony Garotinho (PSB). Na quarta, de José Serra (PSDB). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá na quinta. A ordem foi definida por sorteio.

Serão sabatinados por William Bonner e Fátima Bernardes. Nos dez minutos destinados a cada um, os candidatos atingirão audiência estimada em 2,1 milhões de domicílios apenas na Grande São Paulo. De acordo com a emissora, em todo o país cerca de 30 milhões de pessoas estão sintonizadas no telejornal a cada minuto.

Embora reconheçam a importância de tamanha visibilidade, as equipes dos presidenciáveis evitam dar a idéia de que eles serão ?treinados? antes de ir ao ar.

Assessores afirmam que seus candidatos manterão a agenda, no máximo tirando para repousar a tarde anterior às entrevistas.

?Não haverá preparação?, diz Einhart Jacome da Paz, publicitário da campanha de Ciro. ?Apenas um pouco de descanso, porque estar na televisão é como visitar o eleitor em casa. Você não vai à casa dos outros amassado.?

Para Carlos Rayel, coordenador de comunicação de Garotinho, importa que as entrevistas terão todas a mesma duração. ?O horário gratuito, além de ainda distante, será muito desigual.?

Nelson Biondi, publicitário de Serra, acredita que a exibição em dias seguidos dará ao eleitor a chance de comparar o desempenho dos candidatos na TV.

Também do lado de Lula não se anuncia preparação especial. Segundo sua assessoria, ele deverá apenas elencar, em conversa com o publicitário Duda Mendonça, possíveis temas de perguntas.

A série de entrevistas no ?Jornal Nacional? inaugura um pacote de cobertura com o qual a Globo espera se distanciar das acusações de favorecimento que atingiram a emissora em eleições passadas.

Ainda no primeiro turno, os presidenciáveis irão ao ?Jornal da Globo? e ao ?Bom Dia Brasil?, além de voltar ao ?JN? e participar de um debate em 3 de outubro.

As regras dos eventos foram negociadas com as equipes dos candidatos de modo a evitar percepções de tratamento diferenciado.

Para Carlos Henrique Schroder, diretor da Central Globo de Jornalismo, isso não significa que as entrevistas serão iguais. ?Serão perguntas diferentes para cada candidato, levando em conta as características de cada um e seus programas de governo.?

Pelas regras acordadas, nenhum trecho poderá ser usado no horário gratuito. ?E, se algum candidato atacar um adversário, este terá tempo, no dia seguinte, para se defender?, diz Schroder.

Cogitou-se gravar as entrevistas pouco antes do telejornal, exibindo-as na íntegra e sem edição. Mas, na noite de sexta-feira, a direção da CGJ afirmou à Folha que os encontros serão ao vivo.

A experiência será inédita tanto para os candidatos quanto no histórico do telejornal em eleições. Antes dos presidenciáveis, apenas o jogador Ronaldo esteve ao vivo na bancada do ?JN?, às vésperas de partir para o Mundial. (Colaborou PLÍNIO FRAGA)"

 

"Emissoras iniciam corrida por cobertura eleitoral", copyright O Estado de S. Paulo, 7/7/02

"Outubro parece estar longe, mas convém começar a pensar no voto desde já.É apostando nisso que as emissoras já organizam seus calendários para a cobertura das eleições da temporada.

Amanhã, o Jornal Nacional, da Globo, começa a promover a primeira rodada de entrevistas com quatro presidenciáveis: Anthony Garotinho (PSB), José Serra (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS). Com 10 minutos de duração, as entrevistas serão ao vivo ou gravadas pouco antes da exibição, uma por dia. Por sorteio, o primeiro a ser entrevistado no JN será Ciro Gomes, amanhã.

O JN voltará a receber os candidatos em setembro para mais uma rodada de entrevistas. Produzirá ainda uma série de 48 reportagens, mostrando o que mudou no Brasil de 1991 até hoje. O programa vai discutir o que foi feito nos últimos anos nas áreas de saúde, habitação e saneamento.

Também já estão acertadas com os candidatos à presidência entrevistas no Jornal da Globo e no Bom Dia Brasil, em agosto.

Debates – A Record pretende agendar para o dia 15 um debate com os aspirantes à cadeira de Fernando Henrique. Sem a presença de platéia e comandado pelo jornalista Boris Casoy, o debate terá 2h30 de duração e será exibido às 21 horas.

?O único a intermediar o debate será Boris. Não teremos bancada com convidados nem com outros jornalistas?, diz o diretor de jornalismo Dácio Nitrini.

O debate com os candidatos ao Governo do Estado está sendo agendado para os dias 22 e 23. A idéia da emissora é dividir o debate em dois dias. ?Acho que sortearemos quais candidatos estarão num dia, e quais ficarão no outro?, conta Nitrini.

Tradição – Na Band, está tudo certo para o debate com os presidenciáveis.

A emissora, que está completando 20 anos de tradição em debates eleitorais – o primeiro foi em 1982, pelo governo do Estado de São Paulo -, pretende realizar o primeiro desta temporada no dia 4 de agosto. Segundo o diretor de Jornalismo da Band, Fernando Mitre, o programa terá cinco blocos e já tem a presença de quatro candidatos confirmada: Lula, Serra, Garotinho e Ciro. A edição deverá ter 2h20 de duração e prevê a presença de uma platéia com jornalistas.

?No dia 11 de agosto, faremos um debate com candidatos ao governo do Estado, e no dia 18, com os candidatos a vice-presidente, coisa que ninguém nunca fez?, diz Mitre.

Os candidatos à Presidência também terão espaço nos jornalísticos da emissora Neste mês, eles falarão sobre segurança no Brasil Urgente. Em agosto, discutirão economia no Jornal da Noite, e, em setembro, participarão do Canal Livre."

***

"Justiça censura Record", copyright Estado de S.Paulo, 2/7/02

"Na última sexta-feira, a Justiça proibiu os jornalistas da Record de fazerem comentários com ?expressões pejorativas? sobre o ex-senador Luiz Estevão – acusado de desvio de verbas do TRT-, sob pena de pagar uma multa de R$ 50 mil. Um dos jornalistas acusados de ofender o político é Boris Casoy (foto). A emissora diz não ter sido comunicada ainda da punição."

 

"?NY Times? retrata Lula com ceticismo", copyright Folha de S. Paulo, 8/7/02

"O jornal norte-americano ?The New York Times? apresentou ontem um perfil do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, como um político de esquerda que se esforça para convencer a classe média e o mercado financeiro de que não é mais, nas palavras do jornal, ?um revolucionário incendiário?.

O texto, intitulado ?Maquiagem na esquerda é recebida com ceticismo no Brasil?, é editado no alto da pág. 3 do diário, ao lado de um gráfico com a evolução das intenções de voto no Brasil.

A reportagem aponta resistência por parte da sociedade brasileira em relação às mudanças de Lula e do PT.

Assinada pelo correspondente no Brasil, Larry Rohter, traz a versão de Lula a essa suposta resistência: ?Veja, se nestes 22 anos de história do Partido dos Trabalhadores, eu não tivesse mudado nada, algo estaria errado?, diz Lula no ?New York Times?.

?Acho que mudei, mudei muito? e ?e creio que o Partido dos Trabalhadores também está muito mais maduro, muito mais consciencioso?, prossegue.

O texto fala sobre a aliança de Lula com o PL, definido como ?um pequeno partido de direita composto por grupos evangélicos?, e da indicação como vice do senador José Alencar (PL-MG), retratado como ?um magnata do setor têxtil?.

Sobre o relacionamento do Brasil com os EUA, o jornal traz declarações para mostrar que um eventual governo Lula terá mais independência. ?O Brasil não pode ser tratado como uma colônia. Precisa pensar naquilo o que quer e no que o povo brasileiro quer?, diz Lula."

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"Casoy recorre de decisão pró-Estevão", copyright Folha de S. Paulo, 7/7/02

"Os advogados do apresentador Boris Casoy irão recorrer da medida liminar concedida pelo juiz da 4? Vara Cível de Brasília, Demetrius Gomes Cavalcanti, que proíbe o jornalista de usar termos considerados ofensivos em relação ao ex-senador Luiz Estevão.

O ex-senador entrou com uma medida cautelar, em junho, alegando que Casoy teria lhe ofendido ao usar expressões como ?Lalau? e ?quadrilha?, durante a apresentação do ?Jornal da Record? que foi ao ar pela Rede Record no dia 19 de fevereiro.

Estevão e o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto foram acusados pelo Ministério Público Federal de envolvimento no desvio de verba da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. Estevão foi absolvido na semana passada. Nicolau foi condenado por evasão de divisas e tráfico de influência.

O advogado Renato Herani, que defende Casoy na ação, disse que não houve qualquer menção ao nome de Estevão quando ele usou as palavras ?Lalau? e ?quadrilha?.

No entendimento dos advogados de Estevão, adjetivos usados por Boris seriam pejorativos.

Para Herani, a liminar concedida caracteriza censura prévia, ao restringir os comentários de Boris antes mesmo de eles ocorrerem.

Segundo o advogado, se Estevão realmente tivesse se sentido ofendido, deveria ter entrado com uma ação criminal por injúria. O ex-senador não entrou com a ação no prazo permitido por lei, que é de três meses após a veiculação, por meio da mídia, da suposta ofensa. Acabou ajuizando mais de três meses depois uma ação civil, que permite pedido de indenização por parte do impetrante.

A Folha não conseguiu localizar o Estevão para que ele comentasse o episódio."

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