Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Renato Cruz

Por lgarcia em 08/08/2001 na edição 133


ASPAS

RADIODIFUSÃO EM DEBATE

"Projeto prevê TV digital com alta definição", copyright O Estado de S. Paulo, 4/8/01

"O anteprojeto de radiodifusão, em consulta pública até o dia 21, traz as diretrizes para a introdução da televisão digital no Brasil. A proposta prevê a transmissão de TV em alta definição (HDTV, na sigla em inglês), que pode ser inacessível à maior parte dos brasileiros por vários anos. A barreira seria o alto preço dos aparelhos de alta definição. A digitalização deve chegar ao Brasil entre o final de 2003 e o começo de 2004.

A HDTV tem resolução de imagem até seis vezes melhor do que a TV atual e som com qualidade de CD. A imagem de alta definição é formada por 1.080 linhas, comparada com as 480 nos aparelhos atuais. Os sistemas de TV digital permitem transmitir imagens tanto na qualidade atual quanto em alta definição. Na Inglaterra, por exemplo, a digitalização foi feita sem HDTV.

Para o diretor de Tecnologia da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Walter Duran, as TVs de alta definição seriam compradas por pessoas de maior poder aquisitivo, que assinam serviços por cabo ou satélite, e não da TV aberta.

Segundo Duran, 95% dos televisores em uso no Brasil são de 14 ou 20 polegadas. Somente 1% dos equipamentos comprados têm mais de 29 polegadas, faixa em que entrariam os aparelhos de alta definição.

O representante do padrão europeu DVB, John Bigeni, questiona se seria realista oferecer a alta definição ao mercado brasileiro, por causa do preço proibitivo. Nos Estados Unidos, o preço médio do aparelho está em US$ 1.750.

O conversor, que permite assistir programas digitais nos aparelhos atuais, custa entre US$ 500 e US$ 1.000.

O representante do padrão norte-americano ATSC, Robert Graves, mostra-se otimista em relação ao mercado de TV digital, citando a forte queda de preços desde o lançamento do sistema nos EUA, no final de 1998.

Para o coordenador do grupo da Associação Brasileira de Rádio e Televisão e Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (Abert/SET), Fernando Bittencourt, a alta definição é essencial para o modelo de negócios da TV digital no Brasil. O grupo defende que o Brasil adote o padrão japonês ISDB."

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"Emissoras vão definir sistema de rádio digital", copyright O Estado de S. Paulo, 4/8/01

"As emissoras brasileiras de rádio começaram a análise dos sistemas de rádio digital disponíveis no mundo, com o objetivo de definir quais seriam os mais indicados para o País. ?As rádios AM e FM precisam aumentar sua qualidade técnica para sobreviver à competição com outras mídias, como a Internet e o rádio via satélite?, explica Ronald Siqueira Barbosa, diretor de rádio da SET e assessor técnico da Abert.

O rádio é o meio de comunicação mais difundido no mundo. Cerca de 90% da população mundial tem acesso ao rádio. No Brasil, existem aproximadamente 80 milhões de receptores. A digitalização fará com que as rádios AM tenham a mesma qualidade das atuais FMs, transmitindo em estéreo. As FMs oferecerão qualidade próxima à dos CDs. Além disso, as emissoras poderão transmitir dados. A capacidade para as AMs será de 9,6 quilobits por segundo (kbps), o que equivale a um sexto de uma conexão discada à Internet. Para as FMs, de 64 kbps, 10% mais rápidas do que uma conexão por telefone.

As discussões técnicas não envolvem ainda o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Existem cerca de 3,3 mil emissoras de rádio no País. De acordo com Cláudio Younis, diretor de marketing da SET, o investimento de cada emissora na digitalização deve ficar entre US$ 20 mil e US$ 200 mil. O grupo Abert/SET está analisando tecnologias In Band On Channel (Iboc), que utilizam as faixas de freqüência atuais para a transmissão digital.

?Os sitemas Iboc permitem transmitir na mesma faixa um sinal analógico e outro digital?, explica Younis. Os padrões analisados são o europeu Digital Radio Modiale (DRM), para AM, e o norte-americano, desenvolvido pela empresa Ibiquity para AM e FM. O rádio digital , nas faixas AM ou FM, ainda não está sendo usado em nenhum lugar do mundo."

 

"Europeus entram na briga pela TV Digital brasileira", copyright CidadeBiz <www.cidadebiz.com.br>, 3/8/01

"Os europeus mostraram a sua cara no evento que mostrou como será a TV Digital. A feira Broadcast & Cable e o congresso SET 2001, realizados entre quarta e sexta-feira em São Paulo, foram uma verdadeira vitrine das aplicações da televisão digital e de alta definição. Mas serviram também para que a indústria européia entrasse na briga pelo mercado brasileiro ? que pode movimentar 1,7 bilhões de dólares durante sua transformação do sistema analógico para o digital. O centro dos debates foi a escolha do padrão que deve ser adotado no Brasil ? concorrem o americano, o japonês e o europeu.

Embora a SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), organizadora do evento, e a Abert defendam a adoção do padrão japonês, o lobby europeu marcou presença no evento. O padrão japonês foi escolhido pela Abert/SET após meses de testes realizados no laboratório de TV Digital montado pelo grupo de engenheiros na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e patrocinado pela empresa japonesa NEC.

A gigante holandesa Philips divulgou que já está preparada para produzir os conversores (aparelhos que permitirão a recepção do sinal digital nos televisores atuais) em sua fábrica em Manaus ? mas que prefere o sistema europeu. A empresa produz nos EUA o setop box para o sistema americano e, na Europa, a multinacional fabrica os receptores para o sistema do continente.

Segundo informou o diretor para a América Latina, Carlos Cardoso, a Philips estima que os investimentos necessários para a adaptação da atual linha de montagem na Zona Franca para a produção dos aparelhos dos EUA e da Europa seriam de 1 milhão a 2 milhões de dólares. Mas afirmou que, no caso de ser necessário o desenvolvimento de uma nova linha para o padrão japonês, o custo poderia chegar a 20 milhões de dólares.

A empresa alemã Rohde & Schwarz, fornecedora de sistemas de comunicação e transmissão digital, anunciou durante a feira uma parceria estratégica com a Tellys, empresa de tecnologia com quase meio século de atuação no setor de radiodifusão brasileiro. Segundo o acordo, a companhia alemã vai fazer um aporte de tecnologia nas duas fábricas da Tellys no Brasil. O grupo alemão é um dos maiores fabricantes de equipamentos no sistema europeu de alta definição.

O diretor-executivo do DVB Project, Peter MackAvock afirmou que o padrão europeu permitirá uma economia de escala à indústria nacional. Segundo ele, o padrão já foi adotado por 45 países e já é visto por 2 milhões de receptores – sendo que o sistema japonês é o único que ainda não entrou em operação.

A principal crítica feita ao padrão europeu é o fato de que ele não contempla a alta definição. O diretor do DVB Project, no entanto, disse que o sistema permite a tal HDTV, mas que a um custo alto. Segundo MackAvock, aparelhos de televisão com alta definição vão custar no mínimo 3 mil dólares – preço salgado até para os europeus."

    
    
              

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