Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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Renato Janine Ribeiro

Por lgarcia em 05/09/2000 na edição 97


"‘Perco para a Vera Fischer, mas não vou apelar com sexo’", entrevista a Erika Sallum copyright Folha de S. Paulo, 27/08/00

"Em tempos ‘áureos’, ele chegava a dar picos de 38 pontos no Ibope (cada ponto equivale a cerca de 80 mil telespectadores na Grande São Paulo), causando polêmica com aberrações como uma mulher que ‘fumava’ pela vagina. Hoje a situação é bem diferente. Tendo como rival direto a novela ‘Laços de Família’, da Globo, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, agora se contenta com médias de 15 pontos -recentemente, seu programa, exibido às 21h no SBT, amargou 12 pontos de audiência, com a estréia do horário político.

Em uma fase, segundo ele, ‘mais light e menos apelativa’, Ratinho desabafa e diz que ‘não dá para competir com a Vera Fischer transando’: ‘Pego o pior horário da TV, quando a Globo bota no ar o que tem de melhor. Mas nunca fiquei em terceiro lugar nem precisei colocar mulher pelada no palco. Isso eu não faço’.

Com um salário mensal de R$ 2 milhões, ele é dono de 15 mil hectares de terra no Mato Grosso do Sul, onde está prestes a se associar a um canal de TV local, ‘para fazer programas mais ligados à natureza’.

Fã da novela ‘O Cravo e a Rosa’, o controverso apresentador conta ainda que adoraria comandar uma versão de ‘No Limite’, caso o SBT fizesse uma, e que Fausto Silva vem perdendo ibope para Gugu Liberato aos domingos porque ‘falta emoção ao programa dele’.

‘Amigão’ de Lula, não diz com qual candidato à Prefeitura de São Paulo simpatiza mais, mas afirma que não é malufista nem gosta de Marta Suplicy. ‘Ela vive falando mal de mim para todo mundo. A Erundina tem muito mais capacidade que ela.’

O vice-presidente da Globo, Roberto Irineu Marinho, disse em 98 que você era ‘uma novidade e que novidade passa’. Isso não aconteceu, mas você e seu programa mudaram muito. Por quê?

Estou mudando o programa porque há uma necessidade na TV de ser menos apelativo. Estou tentando ser menos apelativo. Vim de um programa policial, então não dava para esperar que eu mudasse de repente. Faço um programa diário de muita responsabilidade, que concorre com a novela das oito. Pego o horário do lobisomem, o pior da TV em termos de disputa. É a Globo colocando o melhor que ela tem no ar. Eu tenho de ser o melhor do SBT, e isso é difícil. Antigamente, diziam que eu dava audiência porque colocava doente no ar, aí eu parei de fazer isso. Depois, falavam que eu dava ibope porque tinha muita briga no programa, e parei também. O que eu mostro hoje é discussão, não briga. Não há brasileiro que não goste de discussão. Isso dá audiência. Hoje não tem mais gente doente, mas tem denúncia todo dia. Eu falei que ia politizar mais meu programa. Mesmo uma atração popular como a minha pode ajudar o país a se desenvolver. Vivem dizendo que sou anticultural… olha, se o cara não aprender a ler o ‘Notícias Populares’, não vai conseguir ler o ‘Estadão’. Ou seja, o camarada tem de primeiro entender meu programa. Só num programa popular é que o povo presta atenção a temas complicados, como a reforma agrária. Eu trago o Raul Jungmann e dá 19 pontos no Ibope. Aí ele vai à TV Cultura e não dá dois pontos. Por quê? Porque lá é para um público seleto.

Apesar das mudanças de que você fala, recentemente o ministro da Justiça, José Gregori, propôs que a população fizesse um boicote de três dias contra programas violentos e de mau gosto e criticou atrações como a sua…

Acho que o ministro está querendo aplicar um censura boba, que já não existe mais. No mundo todo existe programa como o meu. Quem tem de melhorar é o governo, é a distribuição de renda. Ele deveria é se preocupar em votar a reforma tributária, que vai gerar muito mais emprego. A preocupação dele está errada. Os programas populares, em qualquer país, sempre existiram. O circo sempre existiu. TV é circo, e o meu programa também. Não sou pago para pregar a moral, a cultura, mas para fazer um programa de entretenimento. É por isso que o cinema nacional vai mal, porque ele tenta educar o espectador. Quem tem de educar é o governo.

Mas mesmo esse entretenimento não deve ter uma certa responsabilidade?

Sim… O problema é que o ministro fala do meu programa, mas não me assiste. Ele vê o meu programa por meio do que sai nos jornais, que não gostam de mim. Estou há seis meses sem levar pau da Folha. Por quê? Porque mudei o programa, não porque a Folha gosta de mim. Nem ganhei o Troféu Santa Clara, o que me deixou revoltado. Faço um programa diário, é como se fosse uma novela. Como fazer isso sendo popular? Eu não coloco sexo no programa. A novela só faz 50 pontos no Ibope quando tem dois trepando! Eu não coloco isso. É muito mais violência quando, numa novela, uma menina de 14, 15 anos fala: ‘Pai, eu vou transar’. Aquela garota da novela vai influenciar um monte de gente. Na TV tudo é bonitinho, mas ninguém explica que, se ela transar sem camisinha, pega neném.

Você é contra qualquer tipo de regulamentação para o que é exibido na TV?

O povo é que deve fazer uma regulamentação nos ministros que nós temos! Essa é a minha proposta. A gente já tem uma auto-regulamentação: o controle remoto. Ah, mas falam: ‘Não consigo mandar no controle remoto do meu filho’… ora, se você não controla seu filho, é porque não é um bom pai, pô. Tem canal que só passa sexo lá em casa, mas eu não deixo meus filhos verem.

Você não colocaria sexo nem se precisasse muito aumentar sua audiência?

Não dá. Tenho formação familiar, e minha mulher não iria admitir eu mostrar mulher pelada. Não apelo com sexo, vulgariza demais a mulher. Mostro, claro, cenas engraçadas. Mostrar a Vera Verão de bunda de fora para mim é uma coisa engraçada. Aquelas bichinhas que vêm ao programa… Sou um cara que acha que cada um deve ter sua opção sexual, mas, quando entra uma bichinha engraçadinha, eu dou risada. Acho viado engraçado, ainda mais esses viadinhos engraçadinhos. Morro de rir, gosto, trato bem…

O que você acha do ‘No Limite’, da Globo?

Acho um bom programa. Ninguém obrigou ninguém a ir lá, sou totalmente a favor do programa. Agora, ele consegue tanto ibope porque não tem nada naquela hora na TV. Eu só vejo ‘No Limite’ porque não tem corrida. Ele não tem concorrente, não bate com ninguém de frente. Queria ver se colocassem meu programa na mesma hora, iria diminuir muito a audiência da Globo.

Você apresentaria uma versão de ‘No Limite’ se o SBT fizesse uma? Dizem que o Silvio Santos vai fazer isso…

Ô se apresentaria… com a mesma competência do Zeca Camargo, adoraria.

Para você, que há tantos anos é apresentador, o que está acontecendo com o Faustão, que vem perdendo para o Gugu continuamente aos domingos?

Falta mais criatividade popular ao programa do Faustão. Falta ele fazer o que o Gugu faz. Os dois são bons. Posso até estar errado, mas tenho a impressão de que o Faustão, pelo fato de não dar palpite na produção, se prejudica. Eu chego aqui às 10h e fico até meia-noite, comando meu programa, só vai ao ar o que eu quero. Tem vezes em que a gente nota que o Faustão não está gostando de apresentar alguma coisa. Eles têm de popularizar o programa. Não dá para ficar só mostrando o Tchan, já enjoou. Tem de inventar umas coisas. Ele estava indo bem, mas de repente cismou que deveria ser mais light e se ferrou. O problema não está nele, mas na produção. Ele tem participar da produção. O que dá audiência em TV é emoção, humor e indignação. Esses são os três sentimentos que a TV tem. Falta emoção ao Faustão. Se eu fosse produtor dele, dava um show no Gugu, porque a Globo tem condição de fazer isso. Está faltando também um diretor popular, que entenda de televisão popular, mas eles ficam trocando de diretor toda semana. Não dá para fazer um padrão global no domingo. Quer fazer um programa dominical com um padrão global? Então vai para a Globo News…

Em termos práticos, o que é o popular de que você fala?

Popular é fazer uma linguagem que o povo entenda, mas os jornais parecem não compreender nada. Isso não quer dizer baixaria. Às vezes coloco lá no palco umas coisas que os jornais acham baixaria -mas eu não acho- só para chamar a atenção da imprensa, só para falarem mal de mim, eu gosto. Tenho a vantagem de, se um jornal falar mal de mim, poder falar mal dele. Não tenho medo da Folha, da ‘Veja’, de ninguém. Se dão pau em mim, rasgo o jornal no ar, faço o que eu quiser. Não ligo mais para isso, mudei.

Você está se referindo àquelas reportagens que saíram na Folha em 98, denunciando que muitos dos casos mostrados no seu programa eram forjados? Como você ficou depois desse episódio?

Aquilo foi uma maravilha, a melhor coisa que aconteceu para mim. Depois daquilo, parei de comprar reportagem. Antes falavam para mim: ‘Ah, tem ali uma vizinha que não se dá bem com outra’. E eu mandava trazer as duas para mim. Hoje, não. Os caras vinham aqui para ganhar cachê, pago pela emissora pelo direito de imagem. Mas tiramos tudo isso, e, quando eu desconfio de uma história, mando o camarada embora.

Qual foi o maior audiência de sua carreira?

Cheguei a dar 38 pontos.

Hoje você não consegue mais isso…

Não. Chego a 30 pontos, mas a Globo reforçou demais a programação dela. Hoje bato com a novela de frente. Quando eu começo a dar 23 pontos, a Globo já mete uma cena de sexo, com a Vera Fischer dando para um cara lá…, aí não tem jeito.

Você acha que eles colocam a cena de propósito, quando vêem que seu programa está com 23 pontos?

Sim, não posso garantir, mas aquilo é programado. Quando chego a 22 pontos, eles já botam a Vera Fischer beijando aquele rapaz na cama. Aí falo: ‘Ai, enquanto ela não parar de dar, vamos perder’. Não dá para competir com homem e mulher pelados. Outro dia apareceu o making of da Feiticeira na Band, ela ficou pelada, mostrando a ‘chavasca’ (risos). E eu lá com meus calourinhos… é difícil. Mesmo assim, nunca fiquei em terceiro lugar. O ‘Linha Direta’, por exemplo, só não perde mais pontos porque não disputa mais comigo. O curioso é que, quando acaba a novela, se eu tenho dez minutos a mais, subo de 16 para 30 pontos. Nem adianta falar que meu programa é baixaria -então quem vê a novela também gosta de baixaria?

Você não se sente pressionado nessa situação?

Estou consciente de que disputo com novela, e a direção da emissora sabe disso. Público de novela é fiel -até eu vejo ‘O Cravo e a Rosa’, adoro.

Por falar em Globo, você ficou chateado por não ter sido convidado para o especial dos 50 anos da TV no país?

Senti-me desprestigiado, sim. Gostaria de ter ido, afinal é um marco da TV brasileira, mas já esperava não ser convidado. A Globo não gosta de mim. Também acho que não faço parte da história da TV ainda…

Mas você iria para lá se fosse convidado?

Não sei, não faço muito o perfil da Globo. Até pelo meu próprio temperamento, não aceito muito cacique. Lá eles iriam colocar uns três diretores dizendo que não pode fazer isso e aquilo, e eu já ficaria bravo.

Hipoteticamente, vamos supor que hoje termina seu contrato com o SBT, e a emissora não queira renová-lo. Para onde você iria?

Vou colocar agora toda a minha modéstia de lado. Enquanto eu estava na CNT, começaram a ouvir falar da emissora, ela passou a incomodar. Fui para a Record, e ela ameaçou o SBT. Vim para o SBT, e ele ameaçou a Globo. Então, eu tenho algum valor. Pode pegar os números. Antes de mim, nunca o SBT conseguiu dar 16 pontos no Ibope competindo com novela. Algum valor eu tenho, agora não sei se o Silvio vai me mandar embora… é possível, talvez, já que meu salário é muito alto.

Quanto você ganha?

Incluindo merchandising, dá R$ 2 milhões.

Não dá uma certa culpa de ganhar tanto em um país de miseráveis?

No começo, tinha culpa, sim. Mas cheguei à conclusão de que não dá para ficar distribuindo dinheiro. Meu trabalho social é arrumar emprego com meus projetos.

E onde você imagina que estará daqui a dez anos?

Tocando fazenda. Mas sou apaixonado por TV. E sei que, mesmo que o SBT me mande embora, tenho recursos para comprar um horário em uma emissora.

E ter uma emissora sua?

Não tenho vontade de ter uma TV em rede nacional. Devo entrar agora como sócio em um canal do Mato Grosso do Sul, a TV Pantanal. Quero fazer uns programas que mostrem mais a natureza… mas que não me confundam com um salvador da pátria, porque farei uma TV comercial. Não estou querendo melhorar a educação, nada disso. Claro que, se eu puder fazer isso e ganhar dinheiro, muito bom, mas não é minha função melhorar nada. Sempre tive visão comercial.

Você não vota em São Paulo, mas com qual candidato a prefeito você simpatiza mais?

Não falo. Não posso fazer isso. Acho que São Paulo hoje tem opção, não dá para falar que todos são iguais… mas não falo quem é. Se eu falar que gosto de um, ele aumenta dois pontos, e não posso apoiar ninguém.

Você já disse que a Marta Suplicy é uma chata…

Ela fala mal de mim, então também não gosto dela. Sou amigão do Lula, ele vai lá em casa sempre, mas da Marta eu não gosto. A Erundina tem mais capacidade…

Você é malufista?

Não sou. E não falo mais disso."

"Por que Shakespeare é melhor do que o Ratinho?", copyright Pensata (www.uol.com.br/folha/pensata), 24/08/00

"O pessoal ‘gostam’ de atribuir a violência presente na sociedade à TV. Em princípio, soaria mais correto afirmar que a TV reproduz a violência social. Mas é difícil falar aqui em causas absolutas. A dialética é algo mais complexo. É forçoso pelo menos reconhecer que, ao reproduzir a violência social, a TV também contribui para ampliá-la. Assim, discutir se o ovo antecede ou precede a galinha seria menos bizantino e mais produtivo. Mesmo porque, desde Darwin, todos sabemos que o ovo veio antes da galinha.

Periodicamente, surgem vozes propugnando por um controle mais efetivo daquilo que é exibido nas TVs, seja por meio da censura, ou, mais democraticamente, de uma auto-regulamentação das emissoras, ou mesmo daqueles aparelhinhos que permitem aos pais pré-programar o que os filhos podem assistir. Essas engenhocas cumpririam bem o seu desígnio, não fosse o fato de que em geral são os filhos que têm de ensinar aos pais como elas funcionam.

Mas deixemos de lado esses problemas operacionais. Pretendo aqui propor uma questão mais elementar: por que Shakespeare é melhor do que o programa do Ratinho? Num certo nível, a resposta é óbvia. Esqueça esse nível e refaça a pergunta. Por que Shakespeare é melhor do que o programa do Ratinho? Agora podemos continuar.

O Ratinho, ou qualquer um de seus congêneres, em termos de violência, é um programa leve se comparado, por exemplo, a ‘Hamlet’. Essa peça é um banho de sangue. No final, não sobra um único personagem importante vivo. Não é exagero afirmar que a ação acaba pela completa falta de protagonistas.

Um deslize de Shakespeare? Tomemos Homero. A ‘Ilíada’, a obra que inaugura a literatura ocidental, é a narrativa detalhada de dez anos de chacina permanente. Homero não poupa o leitor das minúcias, como na seguinte passagem, em que o rei de Creta, Idomeneu, mata Erimante, um troiano:

‘O bronze cruel justamente na boca enterrou de Erimante Idomeneu, trespassando-lhe a lança comprida a cabeça e indo por baixo do cérebro a ponta de bronze, que os brancos ossos lhe quebra, bem como inda os dentes; os olhos se lhe enchem de negro sangue, que jorra abundante das fauces abertas e das narinas. A nuvem da morte envolveu o guerreiro’.

É o Canto 16, 345-50, na tradução de Carlos Alberto Nunes. No original grego, a descrição soa ainda mais brutal.

Não estou insinuando que Shakespeare e Homero são bons porque são violentos, mas é certo que a violência não os torna ruins. Um apresentador de TV que queira, nessa matéria, igualar-se a um desses autores teria, no mínimo, de decepar ao vivo a cabeça de alguém. Fica aqui a sugestão para um ‘Além do Limite’. Agora podemos voltar à nossa questão inicial e ensaiar uma entre as muitas respostas que podem existir para ela.

Peço desculpas ao leitor por, mais uma vez, recorrer a Kant e escuso-me ante o filósofo de Königsberg por simplificar em demasia seus raciocínios sutis. Utilizo aqui a leitura de Émile Bréhier, em ‘História da Filosofia’.

Antes de Kant, os filósofos que pensavam a estética procuravam ligar o belo ao agradável ou ao útil. Para Kant, porém, o belo não se vincula a interesses sensíveis nem morais. Ele é um objeto de prazer universal e desinteressado.

O prazer, de um modo geral, se realiza quando a experiência de um objeto corresponde ao fim para o qual ele foi feito.

A imaginação esquematiza o objeto de acordo com um conceito proporcionado pelo entendimento. O juízo é a união do esquema ao conceito. No caso do juízo estético, no qual o conceito não é dado pelo entendimento, a imaginação segue esquematizando, não acerca de um conceito, que está ausente, mas segundo as condições de unidade do entendimento. Haveria finalidade, dado que existe a concordância entre imaginação e entendimento, mas seria uma finalidade sem fim, posto que nenhum conceito limita a imaginação. É meio complicado, mas não incompreensível. A imaginação age livremente concordando com as regras do entendimento. Há aí o prazer proporcionado pela realização da finalidade. Mas é uma finalidade sem fim, porque desligada do conceito. O prazer que resta é desinteressado (sem amarras de conceitos) e universal (de acordo com as condições ‘a priori’ do exercício da faculdade de julgar).

Mas Homero e Shakespeare seriam, na estética kantiana, não apenas belos, mas sublimes. E o sublime se diferencia do belo por proporcionar um prazer negativo. A imaginação, por um instante, sofre quando se depara, por alguma razão, com a perspectiva de infinitude colocada, digamos, pela morte. A imaginação é incapaz de representar o infinito. Num segundo momento, a razão vem em socorro da imaginação e propõe o conceito de infinitude, que não pode ser representado, mas pode ser pensado. O que era dor dá lugar à satisfação proporcionada pela superação da impotência anterior.

O Ratinho, o Leão e, ‘No Limite’, toda a fauna podem agradar muitos espectadores. Mas isso não os torna belos. Eles não chegam a despertar um prazer desinteressado e universal. Tampouco são sublimes, porque não nos colocam diante de uma perspectiva de infinitude.

Resta saber se o fato de o Ratinho ‘et caterva’ não serem Shakespeares justifica uma reação tão forte contra esse tipo de programa, com alguns chegando a propor a censura; afinal, até onde se tem notícia, apenas Shakespeare é Shakespeare, apesar do que Freud tenha dito sobre ele. Mas essa é outra história."

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