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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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PRIMEIRAS EDIçõES > BUSH vs. MÍDIA

Repórteres insatisfeitos

Por lgarcia em 23/10/2002 na edição 195

BUSH vs. MÍDIA

Tensão entre jornalistas e assessores de imprensa de governo é considerada inevitável. Na opinião dos profissionais de imprensa, no entanto, nunca houve uma administração tão fechada quanto a de George W. Bush. "Nesta gestão, o controle da informação é mais rigoroso do que em qualquer outra que já cobri", desabafa Bill Plante, correspondente da CBS na Casa Branca desde 1980.

Os repórteres se queixam da falta de oportunidade de entrevistar o presidente diretamente: em 21 meses de governo, George W. Bush deu apenas 36 coletivas, enquanto Clinton, no mesmo período, deu 73, e Bush pai, 61, informa Martha Joynt Kumar, professora da Universidade de Towson. As relações entre governo e imprensa também foram delicadas em outros momentos, como na época de Ronald Reagan, que resultou no livro On Bended Knee: The Press and the Reagan Presidency, de Mark Hertsgaard (que poderia ser traduzido como "De joelhos: a imprensa e a presidência de Reagan").

Mas as queixas sobre a discrição da Casa Branca atingiram outro nível, afirma Jim Rutenberg [New York Times, 14/10/02]: os jornalistas dizem receber pouca informação sobre o custo, a duração e o risco de uma ação militar no Iraque. Além disso, após o 11 de setembro, muitas políticas e decisões governamentais foram declaradas sigilosas em nome da segurança nacional.

O porta-voz Ari Fleischer rebate afirmando que os repórteres terão a informação de que precisam no tempo adequado. "Não é questão de reter informação, mas fofoca." Além do mais, acredita, eles nunca estarão satisfeitos. "Acho que há uma diferença entre a demanda da imprensa por informação e a demanda do público. Às vezes penso que a imprensa não vai ficar satisfeita até que haja uma Oval Cam e as pessoas possam assistir ao presidente 24 horas por dia no salão Oval."

Discurso descartado

A decisão das três grandes redes abertas dos EUA de não transmitir ao vivo o mais recente discurso do presidente Bush foi uma bênção para as emissoras a cabo e um erro de julgamento, na opinião de alguns. O apresentador da CBS Walker Cronkite e o editor da MSNBC Jerry Nachman criticaram a atitude de CBS, ABC e NBC. "Penso que nesta conjuntura, com este grande e sério debate acontecendo, um discurso de quase meia hora do presidente dos Estados Unidos valeria a pena cobrir", declarou o veterano Cronkite.

A Casa Branca, alegando querer evitar especulação sobre a iminência de uma guerra, optou por não pedir tempo às redes de TV para transmitir o evento, como de costume. Segundo Steve Gorman [Reuters, 8/10], as emissoras afirmam que a decisão do governo pesou na decisão pela programação normal, e que autoridades as teriam levado a acreditar que Bush não falaria grandes novidades. O discurso ganhou a primeira página dos jornais no dia seguinte.

A decisão favoreceu os canais a cabo Fox News Channel, CNN e MSNBC, que atraíram juntas uma audiência de 8,3 milhões de pessoas com a transmissão ao vivo. Nachman, editor-chefe da MSNBC e ex-editor do New York Post, chegou a questionar em seu programa se as redes deixaram interesses comerciais obscurecer o julgamento noticioso.

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