Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES NOS EUA

Resultado das primárias assusta jornalistas

Por lgarcia em 27/01/2004 na edição 261

Edição de Letícia Nunes (com Dennis Barbosa)

ELEIÇÕES NOS EUA

Repórteres que durante semanas fizeram prognósticos do resultado das eleições primárias nos Estados Unidos levaram um baita susto na segunda-feira, 19/1. As primárias para escolher o futuro candidato democrata à presidência tiveram sua primeira fase no estado de Iowa. De acordo com boa parte da mídia, o caucus ? reunião em que filiados do partido escolhem seu candidato ?seria uma disputa entre dois candidatos: Howard Dean, ex-governador de Vermont, e Richard Gephardt, deputado por Missouri. As previsões se provaram amplamente equivocadas, e seu fracasso deve mudar o tom da cobertura das primárias nas próximas etapas. Ao fim do dia, era evidente que os dois favoritos haviam sido suplantados pelos senadores John Kerry, de Massachusetts, e John Edwards, da Carolina do Norte. Os principais âncoras da TV não conseguiam entender se haviam perdido algo, ou se a cobertura simplesmente mudara de perspectiva.

As pesquisas feitas no domingo anterior mostravam a ascensão de Kerry e Edwards, e mesmo assim a imprensa continuou acreditando que Dean tinha as melhores chances. Na segunda-feira à noite, assim que os resultados começaram a sair, os telespectadores assistiram, em tempo real, à surpresa dos mais conceituados âncoras e comentaristas.

O que os repórteres não levaram em consideração foi a volatilidade do sistema do caucus, onde grupos de pessoas se reúnem e votam abertamente. Muitas dessas pessoas têm disposição para mudar seu voto, caso seu candidato não tenha o índice mínimo de aprovação. Assim, em análises feitas por comentaristas pós-primárias de Iowa, chegou-se à conclusão de que o grande erro da imprensa foi confiar demais nas pesquisas. Os jornalistas basearam sua cobertura em um grau de compromisso dos eleitores com seus candidatos que provou ser inexistente. A palavra de alerta que a imprensa não pode se esquecer para a cobertura das próximas primárias é volatilidade. [The New York Times, 21/01/04]

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