Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Reuters

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

JB & GM

"Gazeta Mercantil fecha parceria com Jornal do Brasil", copyright Reuters Brasil, 4/10/01

"A Gazeta Mercantil, empresa que edita o mais tradicional jornal de economia do país, está fechando a venda de uma parcela minoritária da companhia ao Jornal do Brasil (JB), tendo por intermediário o banco Fator, informou a assessoria de imprensa da Gazeta.

?Luiz Fernando Levy (diretor-presidente da Gazeta Mercantil) está no Rio com advogados vendo detalhes do acordo que foi fechado com o JB, que comprou uma participação minoritária?, disse à Reuters, no final da tarde de quinta-feira, a assessoria da Gazeta Mercantil.

O banco Fator informou que ainda não está participando da negociação. ?Torço para que esse negócio se efetive e pela nossa eventual contratação?, disse à Reuters Walter Appel, um dos sócios do banco, por meio de sua assessoria.

?Vejo com bons olhos o esforço que alguns segmentos da economia nacional têm feito para criação de grupos mais fortalecidos e fiquei envaidecido por ter sido lembrado como um banco que poderia assessorar essa operação, envolvendo a Gazeta e o Jornal do Brasil?, acrescentou Appel.

Fontes do jornal informaram à Reuters, no entanto, que Levy anunciou que o Fator deve assumir a gestão financeira da Gazeta Mercantil, que vem atrasando salários. Numa reunião com diretores e coordenadores da equipe de jornalismo nesta manhã, Levy disse que a expectativa é que o banco assuma o pagamento dos salários a partir de segunda-feira.

A reorganização da empresa incluiria, segundo essas fontes, a separação de uma unidade de produção de notícias, chamada Comtel, que não seria administrada pelo Fator. Levy, que é sócio-controlador da Gazeta Mercantil, passaria a integrar um conselho com autonomia editorial.

Na segunda-feira, os jornalistas da sede da empresa, em São Paulo, cruzaram os braços. A edição que circulou no dia seguinte teve de ser fechada diretamente pelos diretores do jornal, que precisaram usar uma grande quantidade de material produzido pelas sucursais e por agências internacionais para conseguir volume.

Esta não é a primeira vez que a Gazeta Mercantil negocia uma parceria estratégica para aliviar a situação financeira da empresa, que passou por diversos momentos difíceis ao longo dos últimos anos.

No ano passado, um acordo foi fechado na área de Internet. A Gazeta Mercantil e a Portugal Telecom firmaram uma sociedade no portal InvestNews.com, de notícias e informações financeiras.

Além de distribuir para a Internet as notícias produzidas por todas as redações da Gazeta Mercantil, o InvestNews.com vende conteúdo para diversos sites.

Apesar das dificuldades do jornal, o presidente mundial da Portugal Telecom, que esteve no Brasil na quarta-feira, garantiu que ?a parceria com o InvestNews vai muito bem?.

A Gazeta Mercantil aderiu no ano passado ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de renegociação dos débitos com o governo federal.

A adesão ao Refis e a parceria com a Portugal Telecom foram apontados por Levy, ao apresentar o balanço de 2000, como fundamentais para a melhoria do resultado da empresa no ano passado. A Gazeta obteve um lucro líquido em 2000 de 36 milhões de reais, contra um prejuízo de 154,4 milhões de reais em 1999."

 

"Tanure, do ?JB?, assume comando do jornal econômico ?Gazeta Mercantil?", copyright Valor Econômico, 5/10/01

"O empresário Nelson Tanure está assumindo o controle operacional da ?Gazeta Mercantil?. Os dois grupos concluíram ontem um acordo no Rio. Como conseqüência as áreas comercial e industrial (inclusive a distribuição) da ?Gazeta Mercantil? e do ?Jornal do Brasil? serão fundidas e uma nova empresa está sendo criada para tocar a operação. O Jornal do Brasil, depois de uma longa crise, passou para o comando de Tanure no início deste ano.

A operação se assemelha à realizada por Tanure com o ?JB?. Luiz Fernando Levy deixará o comando da empresa, assim como ocorreu com José Antonio Nascimento Brito, do JB. Levy deve ficar apenas no conselho administrativo.

O Valor apurou que parte do conteúdo editorial também será compartilhado. Roberto Muller, auxiliado por Augusto Nunes, será responsável pela parte editorial.

Tanure negocia um empréstimo-ponte de US$ 20 milhões junto a investidores estrangeiros para colocar em dia parte das dívidas da Gazeta. A empresa vem atrasando salários e tem altos débitos com fornecedores. A expectativa é de que os funcionários recebam parte dos atrasados na próxima semana.

A reestruturação da Gazeta deverá ficar a cargo da Fator Projetos, do Banco Fator. Segundo um dos sócios do banco, porém, a contratação ainda não foi formalizada. O banco já assessorou Tanure na venda da Sade para a Inepar e nas negociações com o JB.

Com a associação, Tanure pretende reduzir drasticamente os custos da ?Gazeta Mercantil? para fazer a recuperação financeira da empresa. ?É uma linha que vem sendo seguida até por Estado e Folha, na distribuição?, diz uma fonte que participou das negociações. Segundo ela, o projeto do empresário é mais ambicioso. Tanure teria como objetivo reunir um grupo de jornais complementares (de economia, geral e esporte, por exemplo), unificando suas áreas comerciais e industriais. Quanto ao conteúdo editorial, um time de repórteres e fotógrafos cobriria os eventos e distribuiria a notícia para as diferentes publicações. (Colaborou Arnaldo Comin)"

 

"Gazeta Mercantil: deu Tanure na cabeça", copyright Comunique-se (www.comunique-semcom.br), 4/10/01

"Terminou há poucos instantes (agora são 17 horas, 4/10) a reunião de Luiz Fernando Levy com 45 diretores da Gazeta Mercantil. Levy anunciou a associação com o empresário Nelson Tanure (que já controla o Jornal do Brasil) e garantiu que até terça-feira (9/10) serão pagos todos os salários atrasados.

Tanure, segundo as primeiras informações, fará um adiantamento de R$ 20 milhões, que evitarão o colapso das atividades do jornal. O Banco Fator é a frente de negociação de Tanure, que assumirá a direção de fato da Gazeta, com o afastamento de Levy – de maneira semelhante ao que ocorreu com José Antonio Nascimento Brito, no Jornal do Brasil.

As operações financeiras, administrativas, industriais e de distribuição da GM e do JB serão gradativamente fundidas através de uma nova empresa – Comtel. Aloísio Sotero, atual diretor de coordenação geral e que conduziu a negociação com Nelson Tanure, passa a ser o executivo número 1 da GM na área administrativa-financeira, enquanto Roberto Muller cuidará do conteúdo.

Até dezembro não haverá mexidas na área editorial mas um diretor disse a Comunique-se que ?as idéias expostas na reunião não deixam dúvidas de que haverá um significativo corte nos custos editoriais? quando terminar esse período de estudo e adaptação?.

Há uma convicção generalizada de que o modelo da ?ocupação? do Jornal do Brasil irá praticamente se repetir.

Até a reunião havia forte especulação de que haveria outros candidatos desejando se associar à Gazeta. Um desses grupos tinha como seu representante mais ostensivo o advogado Sérgio Thompson Flores, que não retornou nossos telefonemas. Esse grupo era formado por fundos de pensão e financeiras, mas, em determinado momento foi identificado, como um dos participantes, um conhecido advogado ligado ao jornal Estado de S. Paulo, o que levou Luiz Fernando Levy a suspender imediatamente a negociação.

A Rio Bravo Investimentos (ligada à Swiss Re), tendo à frente Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, também chegou a ter entendimentos com Levy."

***

"Valor esfrega as mãos. ?Muito bom?", copyright Comunique-se (www.comunique-semcom.br), 4/10/01

"Uma fonte da direção do diário econômico Valor, que pediu para não ser identificada, considerou ?muito bom? para o seu jornal a venda da Gazeta Mercantil. E justificou essa opinião: ?Um jornal como a Gazeta Mercantil depende fundamentalmente de credibilidade junto ao empresariado. Você acha que, com o sr. Nelson Tanure no controle, essa credibilidade será mantida??

Nas direções da Folha de S.Paulo e do Estado de S.Paulo ninguém quis falar sobre o assunto. Mas, entre jornalistas da própria Gazeta Mercantil, as opiniões se mostraram divididas. Um veterano com mais de dez anos de casa, que também pediu para não ser identificado, acha que se encerrou a fase heróica do jornal e agora começa a da era da globalização. ?Até hoje muitos de nós encarávamos o trabalho neste jornal como uma missão. Hoje descobrimos que somos trabalhadores da comunicação, da mesma forma como em qualquer outra empresa.?

Entre os mais jovens o sentimento de perda é menos forte e prevalece a opinião de que ?não dava mais para continuar trabalhando sem saber o dia em que o salário iria ser pago?.

Em contato telefônico com a redação de Comercio y Justicia, em Córdoba, na Argentina, onde houve várias paralisações desde agosto, Comunique-se foi informado de que o clima predominante é o de euforia. ?No nos interesa de quién es la mano que nos paga, tan somente la plata.?"

 

"O inferno astral da Gazeta Mercantil", copyright Comunique-se, 3/10/01

"Apreensão, desânimo, ansiedade e constrangimento. Essas são algumas das sensações hoje vividas pelos funcionários, colaboradores e toda a grande comunidade que gira em torno do mais importante jornal de Economia da América Latina, diante do cenário de dificuldades financeiras que se arrasta já por semanas, com nítidos reflexos sobre o ânimo produtivo da equipe.

Dói menos o atraso nos pagamentos de salário em si, do que a forma como a questão vem sendo tratada pela empresa. Péssimo sobretudo para a cada vez menor credibilidade que inspira tanto interna quanto externamente. Quem acompanhou a paralisação de parte da redação no último dia 1? de outubro diz que foi constrangedor ver diretores que há anos não entrava na produção editorial tendo que descer às pressas para ajudar a fechar o jornal, extrapolando – e muito – a quantidade que normalmente se utiliza de material das sucursais. Foi o jeito de garantir a saída da Gazeta Mercantil no dia 2, e, de certo modo, de evitar traumas maiores na imagem do veículo e da empresa.

Foi um claro recado de que a paciência da equipe chegou ao limite. E não se pode sequer crucificar os profissionais, pois há mais de três meses eles vêm, inclusive com a anuência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, dando claras demonstrações de boa vontade, de compreensão, de solidariedade em relação à empresa.

A cada nova rodada de negociações intestina diminui o oxigênio da alta direção da empresa em relação ao controle da situação. As promessas feitas são cada vez mais encaradas como manobras protelatórias; portanto cada vez menos críveis.

Curioso reparar que fosse outro o veículo e provavelmente o caldo teria entornado muito antes. A verdade é que, independente dos problemas históricos vividos pela Gazeta Mercantil – frutos de uma administração exótica e polêmica da família Levy -, o jornal formou ao longo dos anos uma legião de abnegados colaboradores, que simplesmente adoram a empresa, o ambiente de trabalho, o produto que fazem, o status mantido etc. Esse colchão – ou se preferirem, esse banco de confiança – foi o que de certo modo segurou a equipe até aqui. Mas o crédito esvai-se rapidamente e já está difícil encontrar novas moedas que retomem a credibilidade perdida.

Rumores e boatos são espalhados ao sabor das conveniências, ora para reinjetar ânimo, ora para pôr medo sobre um mal maior, ou mesmo para livrar-se momentaneamente de tantas pressões. Há efetivamente negociações em curso e, pelo visto, a mais consistente com o empresário Nélson Tanure, o mesmo que arrematou, em situação ainda pior, o Jornal do Brasil. Esse filme, no entanto, é recorrente e é uma cópia por enquanto menos dramática da própria história do JB.

À beira do abismo, quando surge um possível comprador os acionistas ao invés de procurar o melhor negócio para todos, querem tirar proveito da situação e o negócio acaba ficando inviável, pela simples desistência do interessado. E é o que está em vias de acontecer na negociação com Tanure. Ele já deu claros sinais, segundo revelou um de seus executivos a Jornalistas&Cia, de que vai desistir do negócio. A questão é que essa postura de querer tirar toda a vantagem do mundo de um negócio – em tese quebrado – inviabilizando-o, pode até ser correta do ponto de vista patrimonial, econômico e financeiro, mas é uma desumanidade e de certo modo uma deslealdade com o próprio negócio e com as pessoas que dele dependem.

A situação é tão constrangedora que hoje diretores da empresa que viajam mundo afora para decidir negócios em nome da organização, o fazem absolutamente desnorteados em relação ao futuro ou aos compromissos assumidos.

Qualquer que seja o futuro, e ninguém consegue conceber um mercado editorial, sobretudo no nicho da Economia e Negócios, sem a forte marca Gazeta Mercantil, é certo que no curto prazo a saúde financeira da empresa dependerá de uma extensa cirurgia, daquelas que retiram inclusive parte dos chamados tecidos sãos. O que quer dizer demissão.

A próxima semana pode reservar surpresas. Boas, se a empresa conseguir fechar algum acordo financeiro (consta que há também negociações com um grupo de banqueiros, informação confirmada a Jornalistas&Cia por um dos diretores do jornal). Ruins se isso não ocorrer e a empresa novamente não cumprir o compromisso assumido com os funcionários de colocar em dia todos os salários. Nesse caso, uma nova paralisação certamente estará a caminho."

    
    
                     
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