Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Ricardo Mendonça

Por lgarcia em 04/12/2002 na edição 201

INTERNET

"Este homem manda 5 bilhões de e-mailspor mês", copyright Veja, 4/12/02

"As pessoas que navegam na internet estão sujeitas a vários tipos de aborrecimento. Entrar em um site que demora para abrir é um deles. Enfrentar uma conexão que cai a toda hora é outro tormento. Links que não funcionam são um inferno. Mas nada se compara à insuportável praga dos spams, aqueles e-mails, geralmente publicitários, que o internauta recebe sem que tivesse dado autorização para que uma empresa desconhecida entupisse sua caixa postal com propaganda. Apesar de incomodarem internautas, grandes empresas e até os provedores de acesso, os spams se multiplicam. Segundo pesquisa feita por uma empresa americana, uma de cada três mensagens que circulam pela internet é publicidade indesejada. O spam já supera as mensagens enviadas por amigos, pela família, por colegas de trabalho ou da escola. O negócio prospera tanto que, nos Estados Unidos, alguns spammers, como são chamados os profissionais que atiram mensagens para todos os lados, já ganharam notoriedade. É o caso de Tom Cowles, o sujeito que aparece na foto que ilustra esta reportagem. Dono de uma empresa em Ohio que envia 5 bilhões de e-mails por mês (quase um e-mail mensal para cada habitante da Terra), Cowles fatura 12 milhões de dólares anuais torrando a paciência das pessoas.

Os spams são um tormento por vários motivos. Em primeiro lugar, eles entopem a caixa postal do computador, o que pode bloquear mensagens relevantes e tornar o micro mais lento. Para as grandes empresas, o spam também é uma chateação. Há perda de produtividade (gastam-se minutos preciosos deletando o lixo eletrônico) e sobrecarga de servidores. ?No meio corporativo, não existe um único argumento a favor do spam?, diz o diretor-geral do portal da Microsoft no Brasil, Osvaldo de Oliveira. Os spammers defendem-se dizendo que os e-mails são um eficiente canal de comunicação entre empresas e consumidores. O problema é que são raríssimas as companhias sérias que usam o spam para divulgar produtos. Normalmente, as firmas idôneas mandam mensagens comerciais apenas quando o internauta as solicitou. A diferença do spam para esse tipo de e-mail é que o primeiro é enviado mesmo sem a autorização da pessoa. Como é o usuário quem paga a ligação à empresa de telefonia para ter acesso à internet, ele acaba bancando o envio de uma mensagem que não pediu para receber. Se um spammer mandar 2 milhões de e-mails para 2 milhões de internautas que usam conexão discada (aquelas mais comuns, que custam em média 5 centavos por minuto no Brasil) e cada um deles demorar sessenta segundos para abrir, identificar e deletar o spam, o prejuízo total proporcionado pelo spammer será de 100.000 reais. É como receber um telefonema de telemarketing a cobrar. Ou pagar pelo selo de uma mala direta.

Não existe um procedimento infalível para fugir do spam. Os especialistas recomendam jamais responder a um e-mail indesejado. Divulgar o endereço eletrônico na web também é arriscado, assim como ficar repassando piadas, fotos ou correntes. Algumas empresas instalaram sistemas de filtro que bloqueiam mensagens que se parecem com spams. Nos Estados Unidos, um grupo criou um índex chamado Realtime Blackhole List, que consiste numa relação de provedores e autores de spams e serve de base para os programas de filtragem. Nada disso, no entanto, é capaz de garantir definitivamente que o internauta esteja livre da amolação. Sempre que alguém desenvolve algum recurso para combatê-lo, o spammer já está um passo à frente. Outro problema é a facilidade com que se compram listas de e-mails. Muitos funcionários roubam relações de grandes empresas e as vendem aos profissionais do ramo. Além disso, é possível pescar na própria internet listas de endereços eletrônicos. Alguns programas navegam na rede procurando o símbolo @, de arroba, presente em todo e qualquer e-mail. Quando descobre uma arroba, digamos assim, dando sopa, o programa captura o e-mail que ela representa. Depois, é só enviar a mensagem e infernizar a vida de milhões de pessoas.

Os números do spam

As mensagens eletrônicas indesejadas, os chamados spams, já são o tipo de e-mail mais enviado pela internet. Elas superam as mensagens enviadas por amigos, pela família, por colegas de trabalho ou da escola

De cada três mensagens que circulam pela internet, uma é spam

Cada internauta recebe mais de 2 000 spams por ano

90% dos spams recebidos por americanos são enviados por menos de 150 pessoas, os chamados spammers profissionais"


"Internet que funciona", copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 2/12/02

"Nenhum número é confiável, até porque todos são estimativas. Mas se o conjunto dos números que são divulgados quase que todo mês servem de guia pelo conjunto, o comércio eletrônico vai muito bem no Brasil. Em 2001, uma bandeira de cartão de crédito avaliou que as vendas diretas ao consumidor ficaram em 600 milhões de reais – no fim deste ano, deve dobrar.

Em toda América Latina, da fronteira do México com os EUA até a ponta sul da Patagônia argentina, o Brasil sozinho movimenta 90% do comércio digital.

O fenômeno tem, contados, dois anos de vida. Curiosamente, justamente os dois anos que começam no fim de 2000, marcado pelo estouro da bolha das pontocom. E, não à toa, com a exceção do Submarino, loja eletrônica que vai bem das pernas são velhas conhecidas do consumidor tupinambá, marcas como a das Lojas Americanas (fundada em 1930) ou da Livraria Saraiva (fundada em 1914). No grupo, incluem-se ainda todas as grandes cadeias de supermercado, bancos ou a floricultura da esquina. No Brasil de hoje, é possível comprar quase que qualquer coisa com meia dúzia de cliques via Internet.

Para o empresário e editor Jack London, fundador da primeira livraria eletrônica brasileira (a Booknet, que virou Submarino), a confiança no comércio eletrônico foi hábito induzido por iniciativas governamentais como o imposto de renda pela Internet. Se aquilo que representa os dados mais preciosos de cada cidadão pode ser enviado com segurança pela rede, então vale arriscar qualquer outra coisa. (98% dos brasileiros declararam à receita pelo meio eletrônico em 2002.)

Mas as grandes lojas de varejo se surpreenderam, gerentes terminaram perplexos pela velocidade da coisa. A loja virtual corta custos – um grande imóvel e centenas de funcionários, afinal, não são necessários – e vende muito. Muito mesmo. Até o final de setembro, as Americanas venderam 100 milhões de reais pela Internet, mais que o dobro do mesmo período no ano passado. É dinheiro transbordando, o equivalente a oito lojas físicas da rede, quase 10% do faturamento total da cadeia. E ela mal fez três anos. A manter-se o ritmo, deve mais que dobrar o volume financeiro a cada ano.

Na cadeia carioca de supermercados Zona Sul, as compras remotas (aí inclui-se também fax e telefone) já são responsáveis por 28% dos lucros; no Pão de Açúcar o percentual é equivalente. Quando chega nos bancos, o número atropela. Menos que 30% das transações bancárias, em todo o país, são na boca do caixa.

Mas o furor do comércio eletrônico não se limita às grandes cadeias de varejo. Um passeio com lupa na mão pelo site de leilão norte-americano eBay traz listas as mais longas de produtos brasileiros. São artistas plásticos, pequenos antiquários, colecionadores, gente de todo o tipo que fez de um ponto de compra e venda da rede sua fonte particular de dólares. Duas cópias da Ordem da Rosa imperial, por exemplo, estão já no quinto lance – 227 dólares por enquanto; uma moeda de 20.000 réis com o busto de Pedro II está, no nono lance, cotada em 165 dólares. Some-se a isso o leilão do aluguel de condomínios na praia para férias e até o mercado imobiliário caiu no esquema. Um pequeno antiquário de Copacabana teve seu lucro mensal de 20.000 reais quase dobrado para 10.000 dólares.

Todos estes números são, naturalmente, parcos quando comparados aos negócios entre empresas. Neste caso, o chamado business-to-business, ou B2B pelo jargão do ramo, o volume se conta em bilhões. O caso de maior sucesso no Brasil é o da Volkswagen. Lá, do copinho de café descartável às placas de aço que serão moldadas na forma de carro, tudo é comprado pelo site. Em 2001, 5,8 bilhões, uma brincadeira que envolve 5.500 fornecedores aqui e na Argentina. O tipo de transação, que antes demorava 30 dias, hoje é feita em algumas horas – e quando os preços de apenas 3 fornecedores eram cotados, por conta do tempo e gasto que o trabalho envolvia – hoje não tem limites. A partir do ano que vem, a empresa vai uniformizar seu sistema de compras mundialmente para cortar ainda mais os custos – uma brincadeira que envolve 50 bilhões zanzando de um canto para o outro do planeta. Em dólares.

A Internet tupinambá, afinal, não vai assim tão mal das pernas."


"Grupo Catho é acusado de roubar currículos de empresa concorrente", copyright O Estado de S. Paulo, 1/12/02

"A revista Dinheiro trouxe à tona uma investigação que a Justiça de São Paulo promove contra o Grupo Catho, sigilosamente, desde abril. A empresa é ré num processo que corre na 33.? Vara Cível de São Paulo. Ela é acusada pela concorrente, Curriculum, especializada na contratação de profissionais pela internet, de se apropriar da base de dados de competidores, furtar informações e praticar concorrência desleal.

Quando ocorreu a denúncia, advogados da Curriculum conseguiram uma liminar judicial que autorizou uma análise dos computadores da Catho, por peritos determinados pela Justiça, para apurar as denúncias de irregularidades. Ao longo das investigações, apareceram outros nomes na lista de empresas que teriam arquivos acessados pela Catho, entre elas o Guia Oesp e a Embratel.

?A Catho furtou mais de cem mil currículos da nossa base de dados?, disse o presidente da Curriculum, Marcelo Abrileri, à Dinheiro. ?Eles foram tão piratas quanto quem copia um software sem licença.? Thomas Case, dono da Catho, relata a revista, confirma que se apoderou de informações de concorrentes, mas garante que fez tudo de acordo com a lei. ?Tenho pareceres jurídicos que sustentam minha posição?, assegurou à revista.

Um laudo preparado pelos peritos Giuliano Giova e Ricardo Theil, nomeados pelo juiz Galbetti, resultou em relatório de 5 mil páginas, que foi entregue ao juiz Luís Mário Galbetti na última semana.

Os peritos relataram que a empresa criou um software para capturar informações de outras empresas. Esse programa, chamado pelos funcionários da Catho de ?rouba.phtml?, teria ajudado a Catho a obter mais de um milhão de currículos e endereços eletrônicos de pessoas que buscavam, por meio dos serviços dos sites, recolocação profissional.

A apuração descobriu ainda um personagem central. ?Eu robo (sic) gente grande, e coisa boa?, escreveu numa mensagem eletrônica transcrita pelos peritos. Ele é Adriano José Meirinho, que aparece no centro das investigações. Com 21 anos de idade, Meirinho é o ?webmaster?, o administrador do site da Catho. No relatório, aparecem vários diálogos em que ele diz que sua função é ?roubar currículos?."

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