Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > O POVO

Roberto Maciel

Por lgarcia em 26/08/2003 na edição 239

O POVO

“Uma questão matemática”, copyright O Povo, 24/8/03

"A relação entre fonte e jornalista deve ser baseada no fundamento da ética. Agregadas a isso estão a confiança e, quando necessário, a preservação da origem da informação. Ocorre que se esses postulados não forem observados com o indispensável rigor abrem-se caminhos para ruinosas distorções. Desde o último dia 12, a coluna Política do O Povo tem abordando o caso de um aluno da Universidade Federal do Cear&aacaacute; que, por falta de apoio, deixou de participar das Olimpíadas Universitárias Internacionais de Matemática, em Bucareste (Romênia). Preocupação justa, reconheça-se, considerando a importância do certame para o estudante, para a instituição e para o Estado. Do todo das análises feitas pelo jornalista Fábio Campos, que cuidou de apurar a questão, deve-se até destacar uma constatação: ?a UFC não é feita apenas de uma elite que usou de lamentáveis subterfúgios para compor a lista dos grandes marajás da aposentadoria nacional?.

No dia 13, no entanto, a coluna reproduziu a seguinte opinião de um leitor, que não foi identificado: ?O mais incrível é verificar que os nossos professores da UFC levam um banho no que se refere a gestão e marketing dos gestores das escolas particulares. Logo eles que deveriam ser referencial de excelência. O que vemos são profissionais corporativistas, pouco interessados nas demandas sociais, agarrados aos seus empregos e sem a menor idéia de suas funções perante a sociedade. São esses comportamentos que favorecem a idéia daqueles que propõem a privatização de tudo. Aonde encontrar argumentos para defender a universidade pública enterrada no marasmo do seus tecnocratas incompetentes, que só enxergam seus contracheques e a reforma da previdência??.

O colunista fez questão de ressaltar que aquele texto não é dele e que o autor cometeu ?o pecado da generalização?. Porém, apesar disso e paradoxalmente, achou por bem levá-lo ao público alegando que ?vale fazer reflexão sobre suas ácidas palavras?. Mas, afinal, que tipo de reflexão pode a sociedade fazer sobre uma agressão dessa monta? Desconhece-se quem praticou ?o pecado da generalização?. Não se sabe sua história nem intenções. Dele se ignora qualquer contribuição com o meio acadêmico ou, em particular, com a Universidade Federal do Ceará. Como levar a sério, como aceitar o convite à reflexão feito na coluna? Empoleirados no acima citado postulado da preservação da fonte, sob o manto do anonimato, na sombra, desgarrados da responsabilidade sobre o que dizem, pensam ou fazem, fica fácil para muitos tecer quaisquer considerações que queiram. Difícil mesmo é aceitar que a imprensa aceite, e divulgue, coisas assim.

Elogio palpitante e incomparável

A nota que se lerá a seguir foi publicada na coluna Confidencial, assinada pelo jornalista Alan Neto, na edição de terça-feira última: ?Prova, provada, de como se faz um rádio-esportivo moderno, atuante e jornalístico, com entrevistas palpitantes e informações ágeis, quem deu foi a AM d?O Povo, em Sobral, com o seu imbatível e saboroso ‘Ataque – Contra-Ataque’, varando a madrugada, sob a batuta do imcomparável (sic) Sérgio Ponte. Um show de audiência e de competência?. É necessário, indispensável, vital que haja limites ao conteúdo transbordante de adjetivos e elogios de alguns textos em colunas. Não só no O Povo, mas em qualquer jornal que se preocupe com a qualidade e a substância do que oferece ao leitor. O acompanhamento mais atento por parte dos editores, sem que isso signifique uma postura autoritária, policialesca ou de censor, evitaria excessos assim. Além de comandar um programa esportivo na emissora, Alan Neto é irmão do jornalista Sérgio Pontes.

Uma como a outra

Segunda-feira última, o caderno Buchicho publicou capa assemelhada à do ?Zoeira?, do ?Diário do Nordeste? (edição do dia 13, quarta-feira). E ambos utilizaram imagem da revista ?Boa Forma? (publicação mensal da Editora Abril). Por haver uma diferença de cinco dias em relação ao concorrente e de mais de uma quinzena em relação à revista, O Povo levou ao leitor uma imagem que nada tinha de nova e que nem sequer produziu. Mais: diferente do caso de outra capa aqui notada, com a modelo Sabrina Sato, nem se tratou de uma coincidência entre o Buchicho e o ?Zoeira?. Ao assumir ares ultrapassados, o produto também assume o risco do desgaste editorial, em prejuízo para o leitor, e comercial, o que representa perda para o jornal e para os anunciantes.

Na pauta

Reuni-me neste sábado (23) com estudantes que participam das ações da ONG Comunicação e Cultura. Ética jornalística, a função de ombudsman e os direitos do leitor foram os temas que compuseram a pauta."

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