Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > O POVO

Roberto Maciel

Por lgarcia em 09/12/2003 na edição 254

O POVO

"Amigos, amigos, noticias à parte", copyright O Povo, 7/12/03

"Press releases são textos enviados por assessorias de Imprensa às redações para divulgar eventos, produtos, serviços ou mesmo a imagem de seus clientes. São uma legítima forma de contato entre dois agentes de comunicação, mas, de tão freqüentes, acabaram exigindo que as redações criassem regras para usá-los. A orientação comum é contemplada no Guia de Redação e Estilo do O Povo. Define-se e recomenda-se o seguinte: ?Press release – Informação que assessoria de imprensa envia ou fornece a jornalistas. Em princípio, o press release deve ser encarado como um produto de um profissional que está defendendo o interesse de uma pessoa, empresa ou instituição. Portanto, deve servir, no máximo, como um subsídio adicional para o trabalho jornalístico, cabendo ao jornalista checar a correção das informações que ele veicula?. Em resumo: release não é matéria, certo? Certo na teoria. Na prática, a conversa é outra.

Quinta-feira, O Povo e o ?Diário do Nordeste? usaram o mesmíssimo texto de assessoria para informar o resultado de um jogo de futsal vencido pelo time do Colégio 7 de Setembro, em uma competição realizada em Brasília. O Povo levou a seus leitores, na Editoria de Esportes, um ?produto de um profissional que está defendendo o interesse de uma pessoa, empresa ou instituição? quase na íntegra, somando 20,5 centímetros da mais autêntica cópia em uma manchete da página. O ?Diário do Nordeste? foi mais econômico: publicou como matéria secundária, com 10,5 centímetros, parte do que ?deve servir, no máximo, como um subsídio adicional para o trabalho jornalístico?.

Usando como referência só o primeiro parágrafo de ?Jogos Escolares – Ceará na semifinal?, do O Povo, e a íntegra de ?Ceará ganha vaga para semifinal de futsal nos JEBS?, do ?Diário?, vamos a algumas comparações no quadro abaixo. Eventuais construções mal feitas estão mantidas conforme os, digamos assim, originais:

?Diário do Nordeste?: ?Com uma atuação quase perfeita o time do Colégio Sete de Setembro, do Ceará, venceu ontem, o Instituto Educacional Mater Dei, do Maranhão, por 4 a 1, garantindo vaga na semifinal do torneio de futebol de salão dos 25? Jogos Escolares Brasileiros (JEBS), que estão sendo realizados em Brasília?.

O Povo: ?Com uma boa atuação, o time do Colégio Sete de Setembro, do Ceará, venceu ontem, o Instituto Educacional Mater Dei, do Maranhão, por 4 a 1, garantindo vaga na semifinal do torneio de futebol de salão dos 25? Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), que estão sendo realizados em Brasília?.

?Diário do Nordeste?: ?O jogo foi disputado no ginásio do Sagrada Família, mesmo local em que os cearenses enfrentam nesta quinta-feira, às 9h30min, o Colégio Batista Santos Dumont, do Rio Grande do Norte, por uma vaga à final?.

O Povo: ?O jogo foi disputado no ginásio do Sagrada Família, mesmo local em que os cearenses enfrentam nesta quinta-feira, às 8h30min (horário de Brasília), o Colégio Batista Santos Dumont, do Rio Grande do Norte, por uma vaga na final?.

?Diário do Nordeste?: ?A outra partida semifinal será disputada entre os times do Colégio Carlos Drummond de Andrade, de São Paulo, e o Colégio Percepção, do Rio de Janeiro, às 8h30min?.

O Povo: ?A outra semifinal será entre os times do Colégio Carlos Drummond de Andrade, de São Paulo, e o Colégio Percepção?.

Certamente há na história dos jornais impressos um mundo de explicações para a utilização de releases com se fossem textos jornalísticos. Vão da falta de repórteres à falta de matérias. Mas passam também pela relação promíscua que não raro se vê entre os meios de comunicação e seus anunciantes. Nessa confusa ligação, ninguém se importa com o público. E o público, que acha que paga para ter notícias bem apuradas, acaba comprando publicidade disfarçada de jornalismo.

No jornal não se lê o jornal

Assinada pelo jornalista Jocélio Leal, a coluna Vertical S/A publicou quarta-feira, com o título ?Risco de mais ISS para profissionais?, nota sobre alterações propostas pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator do projeto da Reforma Tributária no Senado, ao texto aprovado na Câmara Federal. A idéia de Jucá era permitir que prefeituras cobrassem o Imposto Sobre Serviços (ISS) de profissionais liberais tendo como base alíquotas variáveis e não valores fixos, o que ocorre hoje. A nota fazia referência, ainda, às reações contrárias dos senadores Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Tasso Jereissati (PSDB), entre outros. Segundo a Vertical S/A, Jereissati e Bornhausen apresentaram emendas ao que o senador de Roraima pretendia. Jucá recou.

Pois bem, no dia seguinte, na página 2 (Últimas), o mesmo assunto foi tratado de forma equivocada no Senado. O título da matéria era ?Substitutivo – ISS pode ter cobrança baseada em faturamento?. Só que a novidade, no caso, já era a aprovação pelo Senado do substitutivo de Romero Jucá emendado por Tasso Jereissati, Jorge Bornhausen e vários parlamentares, garantindo o sistema atual a profissionais como odontólogos, advogados, contadores, médicos e outros. Mais preciso, então, teria sido informar no título que estava garantida a forma atual de cobrança para algumas categorias. Se o jornal tivesse sido lido por quem escreveu o título, o ângulo seria diferente. E correto.

Tarifa gratuita? Só no O Povo

Em um trecho da matéria ?Projeto de lei – Prefeitura quer subsidiar tarifa de ônibus de carentes?, publicada quinta-feira, O Povo dava o que poderia ser uma notícia auspiciosa. É necessário grifá-lo: ?… a Prefeitura anunciou que deverá conceder tarifa gratuita em transporte coletivo, para pessoas de comprovada baixa renda?. Auspiciosa sim, não fosse falsa. O que o prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães, anunciou no dia anterior foi o encaminhamento à Câmara de Vereadores de um projeto pelo qual a Município pretende subsidiar 20% da tarifa, o que corresponde atualmente a R$ 0,30 – conforme se viu nos outros jornais e no site da Prefeitura (www.fortaleza.ce.gov.br). Não se falou em dar passagem de graça a ninguém. No comentário que enviei à Redação no mesmo dia, apontei o erro. O jornal, no entanto, preferiu ignorá-lo. Não o corrigiu com outra matéria nem com um registro na seção Erramos. É possível que haja até hoje – espero que só até hoje – leitores achando que a Prefeitura dará passagens graciosamente."

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