Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

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Roberto Maciel

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

O POVO

“Jornal virtual, erros reais”, copyright O Povo, 28/12/03

O Povo chega aos leitores em dois formatos, um impresso e outro eletrônico. Este último representa o reconhecimento do poder da Internet como difusor de informações e conhecimento. Poderia, além disso, ser um instrumento eficiente de comunicação, uma mídia bem trabalhada e rentável em vários sentidos. Afinal, pelo portal www.noolhar.com, pessoas do mundo todo têm acesso às edições do O Povo. Só que o portal apresenta problemas que atingem diretamente o conteúdo do jornal. São falhas de diferentes ordens. Há textos faltantes, há fotos trocadas, há colunas desatualizadas, há deslizes de edição que fazem com que matérias secundárias ou coordenadas sejam levadas ao internauta com mais destaque do que manchetes. No início de julho, por exemplo, o resultado da votação em que a Assembléia Legislativa livrou o deputado Sérgio Benevides da cassação apareceu como o quinto item da relação de matérias disponíveis, embora tivesse sido a manchete do jornal. No dia 14 do mesmo mês, estava estampado no portal a data: ?7 de julho de 2003?.

No dia 9 de setembro, uma terça-feira, parte do conteúdo do O Povo não estava no portal. Todas as matérias de Esportes, por exemplo, eram as do Gol, caderno publicado na segunda-feira. As matérias da Editoria Fortaleza também se referiam a segunda-feira, mesma falha verificada com os artigos e o Editorial, em Opinião. As colunas Política e Vertical S/A também estavam desatualizadas, assim como a Vertical. Já a coluna Lay Out aparece ainda hoje como se fosse de autoria do jornalista Marcos Tardin, que já não se dedica a ela há quase seis meses. No dia 15 de setembro, segunda-feira, a relação das matérias do caderno Vida & Arte continha duas vezes a mesma matéria: ?A senhora da crítica?. Em 13 de outubro, o site ainda relacionava entre os textos do jornal a ?Coluna do Gugu?, que foi publicada no caderno Buchicho até o dia 1? daquele mês e suspensa devido à entrevista fraudada veiculada pelo programa do apresentador, no SBT, no dia 7 de setembro – problema já foi sanado. Em 25 de outubro, um sábado, o Vida & Arte exibiu na capa sete fotos produzidas pelo francês Pierre Verger, expostas no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Sob cada foto, um comentário explicativo do antropólogo Franck Ribard. O portal só publicou uma das fotos (www.noolhar.com/opovo/vidaearte/308592.html) e, apesar disso, todos os comentários. Quem acompanha O Povo pela Internet deve ter ficado com uma sensação de cegueira. Teve acessos a textos sobre imagens que não pode ver. Mais: até recentemente, uma entrevista com o escritor Arthur Eduardo Benevides, publicada no caderno People, aparecia entre as colunas sem o ser. E nem a foto era a de Benevides. A propósito dessa foto, de quem é não se sabe, ela se repete na indicação da coluna ?Muito Prazer?, assinada pelo jornalista Ivonilo Praciano no caderno Allmanaque.

Já no dia 9 de novembro, domingo, o conteúdo da Editoria Fortaleza era o de sábado, 8. No mesmo dia, muitas das colunas ainda eram as do fim de semana anterior. Quem acessava o link da coluna Política encontraria a matéria ?Conferência – PCdoB cobra punição para responsáveis por atentado?, publicada na Editoria de Política, e não o texto assinado pelo jornalista Fábio Campos. A coluna Ombudsman era a de 26 de outubro – nem sequer a de 2 de novembro estava disponível. O título da coluna Das Antigas, publicado na edição de sábado, dia 8, como ?Pedro e Odele II? havia sido trocado para ?Pedro e Odele 11?.

Não são só essas falhas que perturbam o leitor. No dia 19 de outubro, Fernando Luiz Duarte me enviou o seguinte e-mail:

?Vocês têm um espaço muito bom no site noolhar que, no entanto, não é devidamente valorizado, que é o FÓRUM. Divulguem mais o mesmo, modernizem-no, atualizem as mensagens. Hoje vi uma denúncia muito interessante sobre um abuso policial ocorrido na última semana (12/10) em frente a um supermercado e não vi a devida divulgação.

De um leitor a mais de 30 anos do Jornal O Povo,

Prof. Fernando Luiz Duarte

Ps. Também respondam aos emails nunca obtive resposta de nenhum que enviei?.

Existe, por trás do desordenamento indubitável, uma série de fatores que começa na falta de comunicação entre a Redação do O Povo e a do NoOlhar. As reuniões de pauta no jornal têm sido realizadas sem a participação de profissionais do portal – embora antes fosse diferente. A ausência resulta, por exemplo, no desconhecimento pelo NoOlhar do que é prioritário para a edição, do que são os ?investimentos? das editorias. Têm-se, assim, o risco de dois O Povo distintos: o que é impresso, com uma determinada hierarquização de notícias, e o virtual, com outra definição.

Apresentei o levantamento das falhas ao diretor geral do NoOlhar, João Dummar Neto. Ele deu respostas específicas para cada ponto, mas vale ressaltar uma justificativa genérica apresentada: a de que entre o fim de outubro e o começo de novembro houve problemas com o programa de atualização do portal. Ocorre que não cabe ao internauta, que exige rapidez e precisão, aturar, por exemplo, deficiências técnicas. Ou que se aprimorem ou se restaurem os mecanismos de comunicação entre as redações do O Povo e do NoOlhar. Sobram, em casos assim, prejuízos distribuídos de forma equivalente. O jornal perde por não ter um bom apoio na rede de computadores; o portal perde por não resistir a uma comparação ao jornal e por estar ponteado por falhas; e, finalmente, perdem os leitores, que ficam sem referências do O Povo no meio eletrônico e que não têm como confiar no conteúdo do site.

Erros nossos de cada dia

Nas últimas semanas intensificaram-se os erros ortográficos no O Povo. Eles já existiam, é claro – sempre existiram e sempre existirão -, mas os recentes têm uma primariedade desconcertante. Vejam alguns exemplos:

** ?ancioso?, em vez de ansioso (caderno Gol, dia 8, e coluna Das Antigas, 20);

** ?(…) os quase um bilhão de reais (…)?, em vez de ?(…) o quase um bilhão de reais (…)? (coluna Política, 20);

** ?adqüiriu? no lugar de adquiriu (editoria Política, 21);

** ?intensão?, no lugar de intenção (editoria Fortaleza, 22);

** ?explêndido? em vez de ?esplêndido? (coluna Reportagem, 22);

** ?(…) sobre todos os aspectos (…)? em vez de ?sob todos os aspectos? (Fortaleza, 24);

** ?perpetualizar? em vez de perpetuar (coluna Reportagem, 24).

Todos inexplicáveis.”

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