Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Rodrigo Dionisio

Por lgarcia em 03/07/2002 na edição 179

ILHA RÁ-TIM-BUM

"?Ilha? (enfim) estréia na Cultura", copyright Folha de S. Paulo, 30/6/02

"Está marcada para amanhã, às 12h30 na TV Cultura, a estréia do programa infantil ?Ilha Rá-Tim-Bum?. Assim, termina a novela que envolveu o lançamento da produção, previsto inicialmente para março, adiado para maio e, depois, reprogramado novamente.

Fernando Gomes, que divide a direção da série com Maísa Zakzuk, acredita que a escolha da primeira semana de julho faz parte de uma estratégia da emissora: ?É o início das férias escolares e a semana seguinte ao final da Copa, para onde todas as atenções estavam voltadas. Em maio já estávamos prontos para ir ao ar?.

Ele conta que as gravações de ?Ilha? terminaram no domingo passado, e boa parte dos episódios está editada. Gomes e Maísa participam do projeto desde janeiro de 2001, e o diretor afirma não sentir mais expectativa em relação à estréia.

?Para a gente, é engraçado. Estamos trabalhando há tanto tempo e [com as remarcações] já sentimos essa expectativa antes. Agora, interessa mais saber qual será a aceitação do público. Mas não dá medo, pois temos um programa com o padrão TV Cultura?, afirma.

?Ilha? ficou mais de cinco anos na ?gaveta? da emissora, sofreu com a falta de verba e com mudanças na equipe de produção. As primeiras imagens do programa chegaram ao telespectador no final do ano passado, em um especial de Natal com ?making of? e algumas cenas.

A série conta a jornada de cinco crianças, com idades entre sete e 17 anos. Depois de um naufrágio, elas vão parar na ilha do título. Lá, encontram seres fantásticos, como Solek, um lagarto falante.

O programa, uma co-produção da Cultura com a Fundação Bradesco orçada em R$ 10 milhões, terá 52 episódios. Com meia hora de duração cada um, eles vão ao ar de segunda a sexta. Diferentemente de ?Castelo Rá-Tim-Bum?, dividido em quadros, ?Ilha? funciona como uma minissérie, com começo, meio e fim. Conta de forma alegórica a evolução da raça humana desde a Pré-História.

?É um seriado de aventura. Me inspirei em livros como ?A Ilha do Tesouro? e ?O Conde de Monte Cristo?. Além disso, a cada capítulo, um deles fica em perigo, e os outros têm de salvá-lo. A idéia é mostrar a importância da solidariedade, ensinar que, para resolver um problema, todos precisam se ajudar?, diz o criador e roteirista do programa, Flávio de Souza.

Idealizador de ?Ilha?, ele saiu da Cultura no início da produção da série. Voltou dois anos depois e afirma ter encontrado quase tudo como deixou. Para a estréia de amanhã, Souza diz sentir uma expectativa ?bem grande, quase gigantesca?.

?O programa pode até não fazer o mesmo sucesso de ?Castelo?, mas terá seu público. Foi tão bem-feito que não tem como ficar horrível. E há necessidade desse tipo de programa na TV aberta. Não só para crianças. Eu adoro esse tipo de história. Bom, mas não sou exemplo. Tenho de admitir ser meio infantil?, diz, rindo. (ILHA RÁ-TIM-BUM – Cultura, seg. a sex., 12h30 (inédito), 15h30 e 19h30 (reprises))"

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"Rede TV!, Globo e Record também têm ?engavetados?", copyright Folha de S. Paulo, 30/6/02

"A estréia de ?Ilha Rá-Tim-Bum? na Cultura marca a saída da ?gaveta? de apenas um dos programas cuja exibição foi anunciada para este ano.

A Record adiou para agosto sua nova programação, cuja entrada no ar estava prevista para amanhã. Em julho começa a ser exibida apenas ?Joana, a Virgem?, novela venezuelana programada para depois da Copa, sem data definitiva.

?Questão de Opinião?, com Ney Gonçalves Dias, não será mais produzido. Uma nova atração está sendo planejada para o apresentador, que não conseguiu um programa próprio por ser o reserva imediato do indeciso José Luiz Datena no ?Cidade Alerta?.

Otaviano Costa, fora do ar desde o final do ?Domínio Público? em março, já teve duas datas de reestréia marcadas e canceladas. A situação pode mudar com o acordo da emissora com a Columbia para a produção do ?game show? ?Roleta Russa?. Entre os contratados da Record, Otaviano seria ?o homem? para a atração.

Na Globo, a comédia ?Batalha de Arroz num Ringue pra Dois?, de Miguel Falabella, iria ao ar em abril, substituindo o ?Sai de Baixo?. A informação mais recente é de que deve virar especial de final de ano e, talvez, entrar na programação fixa em 2003.

?Xuxa Só para Baixinhos?, retorno da apresentadora a um infantil diário, vem sendo adiado desde abril. Oficialmente, Marlene Mattos, diretora da atração e empresária de Xuxa, estaria finalizando o projeto. Mas uma briga entre as duas seria o real motivo do atraso.

O anúncio do ?reality show? ?Ilha dos Famosos?, da Rede TV!, para maio foi encarado como balão-de-ensaio pelos publicitários. Dito e feito: sem uma parceria para a produção, o projeto foi arquivado."

 

"?Ilha Rá-Tim-Bum? estréia hoje, na Cultura", copyright O Estado de S. Paulo, 1/7/02

"Em tese, a Ilha Rá-Tim-Bum, que estréia hoje na TV Cultura, nada tem a ver com o Castelo Rá-Tim-Bum (1994) nem com o Rá-Tim-Bum (1990). Ou melhor, tem a grife (Rá-Tim-Bum), o que já facilita sua carreira na TV – e nos futuros negócios derivados do título. Mas é também em razão da grife que muito se espera do novo seriado.

Outras semelhanças que alimentam a alta expectativa, ainda bem, são o autor e criador do novo programa, Flávio de Souza, que escreveu também os dois seriados anteriores, e o diretor Fernando Gomes, que também participou da direção dos três títulos.

Feitas todas essas contas, vamos à principal diferença: o foco da vez é o meio ambiente e a arte de explorar conceitos de sobrevivência e convivência.

Daí o cenário escolhido. Aliás, foi de uma pesquisa entre a platéia à qual é destinada a nova atração que a Cultura tirou a idéia de produzir o infantil em uma ilha. As gravações foram no Parque de Itatiaia.

Cinco jovens se perdem e vão parar na tal ilha. Os demais personagens são habitantes do pedaço. O que permitiu à equipe de direção de arte se esbaldar em figurinos, maquiagens e cores. Nefasto, papel de Ernani de Moraes, é um micróbio em tamanho de gente. Vilão do enredo, fará de tudo para evitar que os jovens partam da ilha – seu objetivo é estudar de perto a raça que ele quer dominar.

Mas às crianças e aos pais, calma. Nefasto é incapaz de provocar pesadelos.

?É um vilão carente e concentra boa parte da dose de comédia reservada ao programa?, conta Fernando Gomes. Para Flávio de Souza, o lagarto Solek (Luiz de Abreu) também é um dos seres que promete atrair atenção extra do público.

?Nosso alvo está na faixa dos 7 aos 12 anos. Tenho um filho de 10 anos e noto que, tirando o Sítio do Picapau Amarelo, a TV aberta oferece poucas opções para essa idade?, diz o autor.

Orçada em R$ 10 milhões, a Ilha Rá-Tim-Bum teve 40% de seus custos bancados pela Fundação Bradesco, parceira da Fundação Padre Anchieta no projeto. São 52 episódios, com fôlego para muitas reprises. Afinal, o Castelo rende frutos até hoje – para a programação e para o mercado de licenciamento de produtos, outro foco do Ilha. Ah, sim: o novo seriado já sai com uma vantagem sobre seus antecessores. Tem direito a site na internet (www.ilharatimbum.com.br). O endereço entra no ar hoje, com resumos dos episódios, personagens e jogos. *Ilha Rá-Tim-Bum. Estréia hoje. De segunda a sexta, às 12h30, 15h30 e 19h30. TV Cultura (operadoras/canais: DIRECTV, 213; NET, 16; SKY, 37; TVA, 2))"

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"Ilha do Infantil", copyright O Estado de S. Paulo, 30/6/02

"Tantas vezes foi adiada a previsão de estréia da nova série de programas da linha Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, que custa a crer que o lançamento vai ao ar amanhã. Daí a alta expectativa para a chegada do Ilha Rá-Tim-Bum, projeto que consumiu R$ 10 milhões e que vem em boníssima hora: poucas vezes a produção de infantis na TV aberta foi tão pífia. O consolo é que a coisa já foi pior, na temporada anterior à atual versão da Globo para O Sítio do Picapau Amarelo.

O Castelo Rá-Tim-Bum, que estreou em 1994, tem seus 90 episódios em reprise até hoje. Por isso, 1 ponto de média de audiência para um mês inteiro (veja quadro na página ao lado) não é tão mau como parece. Até porque o interesse do público não se esgotou com o fim da primeira exibição: a terceira e quarta reprises do Castelo renderam mais audiência que a apresentação inédita, fenômeno facilmente explicável pela fixação que as crianças têm em rever um filme ou ouvir uma mesma história várias vezes.

O primeiro Rá-Tim-Bum, feito em 1990, também em reapresentação até a semana passada, perderá a vaga para o Ilha, que soma 52 capítulos, todos com começo, meio e fim. Em comum, os três títulos têm apenas as sílabas rá,tim e bum, além da cobra. O diretor Fernando Gomes, que participou do comando dos três programas, explica: a primeira série tinha uma cobra chamada Sílvia, a segunda tinha a cobra Celeste e, agora, teremos a cobra Suzana.

O enredo é outro, personagens e cenários, idem. ?A proposta de fazer algo responsável é a mesma?, diz o criador e autor do Ilha, Flávio de Souza, que também assinou os outros dois Rá-Tim-Buns. Pai de Theodoro, de 10 anos, Souza conta que o novo programa é dirigido à faixa de 7 a 12 anos, nicho pouco explorado pela TV aberta.

A escolha por uma ilha como cenário nasceu de uma pesquisa feita entre as crianças. Outras opções, que até chegaram a batizar projetos provisórios para a continuação da série, foram um planeta e uma fazenda.

Para o diretor Fernando Gomes, a maior semelhança entre eles é a ideologia da TV Cultura. ?No início, até tínhamos a pretensão de atingir também adolescentes maiores, mas depois fomos deixando isso de lado e privilegiando mesmo essa faixa dos 7 aos 12?, afirma.

Era uma vez – Cinco jovens (Paulo Nigro, o Gigante; Greta Eleftheriou, a Rouxinol; Thuanny Costa, a Majestade; Rafael Chagas, o Micróbio; e Abayomi de Oliveira, o Raio) passeiam de lancha quando vão parar, por acidente, na ilha em questão. Nefasto (Ernani Moraes), o vilão do pedaço, não os deixará partir: quer estudar bem essa ?espécie que pretende destruir?. A ilha tem seres de proporções inéditas para os visitantes: a aranha Nhã-nhã-nhã (Angela Dip), a Polca (Liliana Castro), Zabumba (Luciano Gatti), o lagarto Solek (Luiz de Abreu), os seres Coiso (Henrique Stroeter) , Coisa (Keila Bueno) e Coisinha (Débora Serretiello), Brurgue, a planta carnívora, Vrunja, a lontra chifruda, e Melóg, o monstrão da Gruta. Tem ainda Hipácia (Graziela Moretto), personagem da biblioteca de Alexandria e que remete a 2 mil anos de História. E ainda o Rá, o Tim e o Bum, que pontuam toda a narrativa, nas vozes de Pedro Mariano, Fernanda Takai (da banda Pato Fu) e Kabengele Bukassa, respectivamente. Cada um dos três encerra suas falas com um vício verbal (né, tá e viu?).

Política ambiental – Sem ter como sair da ilha, os cinco jovens farão, metaforicamente, o trajeto percorrido pela humanidade desde a pré-história. Os desafios na ilha levam o grupo a abordar itens da preservação do meio ambiente, foco do programa. Comédia, suspense e mistério serão pintados, a partir daí, por cores em abundância e muita computação gráfica. Mas a ilha, sem a maquiagem que os recursos da TV fazem na edição final, é de verdade: as cenas foram gravadas no Parque de Itatiaia, no Rio.

A caracterização dos personagens, incluindo máscaras e figurinos, é um charme à parte. Autor e diretores – Fernando Gomes dividiu a tarefa com Maísa Zakzuk – explicam que foi tudo obra da equipe de Kiko Mistrorigo e Célia Catunda. ?Apenas fiz uma descrição do perfil de cada papel e eles criaram em cima?, conta Flávio de Souza.

A trilha sonora, item muito valorizado no Castelo, também é caprichadíssima dessa vez, sob direção de Mário Manga. A não ser pela encomenda de sonorizar uma determinada seqüência com Johann Sebastian Bach, Souza não interferiu na criação musical. O trabalho conta com peças especialmente feitas para a ocasião e com nomes como Arnaldo Antunes e Gilberto Gil – no caso, Pessoa Nefasta, uma gravação antiga, mas ideal para Nefasto.

Comércio paralelo – O lançamento de produtos derivados do Ilha Rá-Tim-Bum é filão certo a ser explorado. Ainda em fase de analisar propostas de empresas interessadas em imprimir a marca da Ilha em material escolar, brinquedos e afins – sem falar em CD, vídeo, DVD, peça teatral e longa-metragem – ,a Cultura acredita que possa somar R$ 10 milhões só com o licenciamento da marca.

A venda de produtos resultantes do Castelo rendeu, até hoje, R$ 5 milhões.

Considerando que agora a organização prévia para faturar com esse negócio é bem maior, a expectativa da vez tem fundamento. Outra vantagem na divulgação da Ilha sobre o Castelo é um site só do programa (www.ilharatimbum.com.br), que entra no ar hoje, com jogos, resumos dos capítulos e perfil dos personagens."

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