Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA & MERCADO

Rodrigo Moreira

Por lgarcia em 29/07/2003 na edição 235

MÍDIA ELETRÔNICA

"A grande mídia e a inclusão desprezada",
copyright Notícia na Internet (www.noticianainternet.blogger.com.br),
17/6/03

“Autor de vários textos sobre mídia e internet, principalmente
no Observatório de Imprensa, o jornalista Luciano Martins
Costa mostra sua visão otimista em relação
às novas oportunidades trazidas pela Internet aos profissionais
de comunicação e aproveita para questionar o papel
da mídia eletrônica, sugerir formas de democratizar
a informação e ainda criticar a postura mercadológica
que a imprensa vem assumindo. Por e-mail, o jornalista respondeu
à entrevista.

Notícia na Internet: Quais as novas oportunidades surgidas
para o jornalismo com o advento da internet?

Luciano Martins Costa: A Internet derrubou as barreiras de tempo
e espaço para o jornalismo, trazendo a possibilidade de manter
os sistemas informativos operantes durante todo o tempo, alcançando
todas as pessoas disponíveis em qualquer lugar onde seja
possível conectar um computador a uma rede de comunicação.
Isso significa uma mudança radical no jornalismo, como atividade
profissional e como negócio. Uma das oportunidades é
alcançar fraç&otilotilde;es do público alvo localizadas
fora do alcance da distribuição do jornal-papel. Outra
oportunidade é a criação de conteúdos
em tempo real, muito úteis para quem precisa tomar decisões
bem fundamentadas e com rapidez.

N.I: A crise nos setores já tradicionais da imprensa tem
permitido a reavaliação do trabalho jornalístico.
Quais iniciativas práticas, que você tem conhecimento,
buscam a solução desse impasse?

L.M.C.: As iniciativas práticas são as clássicas
reduções de custos, com demissões e menos investimento
em reportagem. Com isso, reduz-se a qualidade do jornalismo. Também
se buscam sócios e parceiros, o que deverá conduzir
a um novo perfil das empresas de comunicação. A grande
oportunidade para a imprensa aconteceu entre 1998 e 2000, mas a
maioria investiu errado, entrando em setores nos quais não
tem experiência, como telefonia, TV a cabo e outros negócios
arriscados. A reavaliação do trabalho jornalístico,
quando feita no meio de uma crise, quase sempre leva a decisões
erradas, porque no momento da crise os gestores enxergam mais o
risco do que a oportunidade e se tornam ainda mais conservadores.

N.I.: O jornalismo on-line corre o risco de ser controlado por
grandes grupos de comunicação, a exemplo do que ocorre
com outros veículos impressos?

L.M.C.: Sim. Mas também corre o risco de se fragmentar em
mídias quase personalizadas. Com a popularização
da conexão em banda larga sem fio (wi-fi, de wireless fidelity),
qualquer pessoa poderá publicar na rede páginas com
muitos dados, fotografias e vídeo digital, concorrendo com
os grandes grupos no noticiário de comunidade e setorial,
por exemplo. Em Nova York, já é comum o compartilhamento
de redes sem fio. Qualquer pessoa pode acessar a Internet de um
laptop próximo a uma conexão de banda larga e distribuir
notícias por todo o mundo. Ou receber notícias de
todo o mundo. Essa é uma prática muito difícil
de regulamentar e o controle exige tecnologias muito caras. Assim,
estamos entre o grande sistema e a anarquia.

N.I.: Quais as vantagens da mídia on-line para os jornalistas
em relação as da imprensa? E para os leitores?

L.M.C.: A rigor, há poucas vantagens. O jornalista na mídia
online trabalha muito mais. Não havendo o dead-line, o prazo
mortal para encerramento da edição, o profissional
normalmente é convocado a acompanhar uma série de
eventos até o fim, e corre o risco de trabalhar muito mais
horas. Mas há algumas vantagens, como a agilidade na preparação
das edições, a possibilidade de trabalhar arquiteturas
mais atraentes para a notícia, recursos de áudio e
vídeo que o jornal impresso não tem. Do outro lado
do balcão, onde fica o leitor, essas são as vantagens
mais evidentes: ter a notícia em tempo real, podendo arquivá-la
para ver mais tarde, e não apenas ler, mas também
ouvir e ver o fato noticiado. O leitor não fica preso à
temporalidade da mídia impressa nem à escolha de horário
da emissora de TV ou rádio.

N.I.: De que forma a imprensa pode auxiliar no combate à
exclusão digital, democratizando a informação
de forma mais ampla?

L.M.C.: Um dos grandes erros das empresas de comunicação
no período de grandes investimentos na Internet foi não
ter buscado parcerias para estimular a cidadania digital. Isso teria
ampliado o espectro de leitores, aumentando o mercado para a informação.
Também teria educado os gestores da imprensa a trabalhar
com parcerias do tipo ganha-ganha, em que todos, inclusive a sociedade,
são beneficiados. A prática mais comum de parceria
que a imprensa conhece continua sendo a permuta por espaço
publicitário. O advento da Internet exige a reinvenção
dessas práticas. Por exemplo, uma empresa de comunicação
poderia se associar a uma empresa de telefonia e oferecer conexão
em banda larga para uma comunidade, associando-se a uma empresa
que tenha interesse nesse público, como a indústria
de alimentos básicos, lojas populares, bancos de varejo etc.
Ao mesmo tempo que estaria combatendo a exclusão digital,
essa iniciativa poderia estimular a noção de comunidade
e fornecer uma fonte de monitoramento de saúde pública
e outros problemas sociais.

N.I.: Qual deve ser o perfil do profissional de comunicação
disposto a trabalhar na mídia on-line? Em que ele se difere
dos jornalistas que trabalham em veículos impressos?

L.M.C.: O jornalista de comunicação para a mídia
online deve ter todas as qualidades do jornalista dedicado à
mídia tradicional, como boa redação, capacidade
de síntese, habilidade para fazer escolhas certas em tempo
curto, excelente formação ética, e mais a habilidade
para lidar com a linguagem específica da Internet, aprendendo
a pensar multimídia, ou seja, ao fazer uma reportagem ou
edição, pensar no texto, na imagem e até no
som que pode acompanhar o relato. Ele se difere justamente nisso,
nessa agilidade e nesse pensamento mais amplo em termos de possibilidades
da comunicação.

N.I.: A diminuição da qualidade dos jornais tradicionais
e da ética jornalística têm alguma relação
com o sistema neoliberal? Até que ponto os jornais digitais
estariam livres dessa influência?

L.M.C.: Esta é a questão mais importante que se tem
feito ultimamente, em todos os debates de que participo. Vamos refletir
juntos: a imprensa é tipicamente uma invenção
burguesa. É uma instituição que surgiu com
os burgos, com o adensamento das cidades. Ela era tipicamente um
instrumento de educação burguesa. Ensinava as pessoas
que, ao contrário da vida no campo, na cidade não
era correto fazer cocô na rua. Os velhos jornais de Londres,
Paris e São Paulo às vezes traziam matérias
com destaque, falando dos carroceiros que não se preveniam
para que suas mulas não sujassem a cidade. Ainda hoje, jornais
de todo o mundo ainda fazem matérias sobre pessoas que levam
os cachorros pra passear e deixam o cocô na calçada.
Parece gozação, mas é esse o fundamento da
imprensa: dizer aos leitores o que é o interesse público
e estabelecer linhas de boa convivência entre as muitas forças
presentes no contexto social. Não estou dizendo que o tema
central da imprensa é cocô. Estou dizendo que o tema
central da imprensa é a harmonia de interesses. Nesse sentido,
somos todos burgueses. Quem vive isolado, fora das cidades, lê
jornais ou vê TV como curiosidade.

Quem vive na cidade tem na imprensa uma necessidade vital, essencial
para sua sobrevivência e seu bem-estar. A diminuição
da qualidade da imprensa não tem nada a ver com neo-liberalismo.
Aliás, não acredito na existência desse tal
neo-liberalismo, assim como considero uma bobagem dizer que vivemos
numa sociedade pós-moderna. Vivemos um tempo de transição
do capitalismo, no qual a dimuição do Estado abriu
espaço para um tipo de agente oportunista, assim como a perda
do sistema imunológico abre espaço para os vírus
oportunistas. Nesse período de transição, algumas
forças econômicas ficaram monstruosamente poderosas,
mas não é isso que diminui a qualidade da imprensa.
O que reduz a qualidade da imprensa é a própria imprensa,
que abdicou de seu papel de educar a sociedade e preferiu se transformar
em órgão de entretenimento.

Tudo virou espetáculo, porque a imprensa deixou de mirar
a sociedade e passou a focalizar apenas o mercado. Com isso, ela
deixa de ser essencial ao processo civilizatório e também
passa a ser vista como apenas mais um acessório no aparato
da vida burguesa. A ética jornalística é afetada
diretamente por essa escolha da imprensa. As decisões editoriais
são cada vez mais influenciadas pelo fluxo de caixa das empresas
de comunicação, que perderam a noção
de sua responsabilidade como entidades de educação
para a democracia e a boa cidadania.

Os jornais digitais não estão livres dessa influência.
São até mais vulneráveis, uma vez que são
editados sempre às pressas, sem que se tenha uma noção
mais completa do significado dos eventos. Mas, como o jornal digital
é mais democrático, no sentido de que escapa do controle
dos grandes conglomerados e no sentido de que permite a interatividade
do leitor, ele pode ser um ponto de partida para uma reação,
em busca de mais ética e qualidade. Para isso, é preciso
que muitos jornalistas se disponham a virar o jogo, e principalmente
que muitos leitores entulhem as redações com mensagens
de protesto a cada mancada da imprensa. (Rodrigo Moreira é
estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais
e participante do coletivo Notícias da Internet)”

 

TV & INTERNET

“TV digital deve fazer conexão com internet”, copyright
Folha de S.Paulo, 27/7/03

“A TV digital está se desenhando para ser uma mistura de
televisão com internet. Um aparelho que permita ao telespectador
comprar o vestido da protagonista da novela ou acessar informações
sobre um produto que acabou ver na tela.

Além da interatividade, na televisão digital há
ainda a melhoria na qualidade da imagem: não há nenhum
tipo de interferência, chuviscos etc. A imagem é perfeita.

Para isso, são necessárias duas coisas. A primeira
é que as emissoras invistam em equipamentos para poder transmitir
em sistema digital. A segunda é que os telespectadores tenham
um aparelho compatível, um televisor digital -que, ao menos
no início, será mais caro que a TV convencional.”

 

REDE GLOBO

“Globo quer mudar sua forma de fazer TV”, copyright Folha de
S.Paulo
, 27/7/03

“A Globo não tem mais programas de TV: ela tem, agora, ?media
products?, ou produtos de mídia -que têm de ser feitos
não só para a televisão, mas para a internet,
internet banda larga, celular etc.

A afirmação é de Juarez Queiroz, coordenador
do grupo de diretores da emissora responsável por pensar
as transformações que levarão a Globo à
era da televisão interativa. Diretor-geral da Globo.com -que
recentemente foi incorporada pela TV- e da Globo Filmes, ele diz
que a Globo está passando por uma ?revolução
criativa?: ?O grande desafio que temos é transformar um programa
como a novela em um produto interativo?.

Por interativo, leia-se não apenas uma atração
na qual é possível, por exemplo, votar no final ou
escolher o filme preferido pelo telefone ou via internet. A nova
ordem na emissora é fazer o telespectador ter uma relação
com os programas que ultrapasse o ato de sentar no sofá e
assisti-los.

Em comunicado interno há algumas semanas, a diretora-geral
da Globo, Marluce Dias da Silva -que ficara afastada por motivo
de saúde-, disse que seu principal projeto ao voltar à
emissora é justamente o da distribuição de
conteúdo por novas mídias.

?O consumidor quer ter uma relação de participação.
Isso implica algumas modificações na TV Globo. É
preciso pensar e conceber o produto para que ele possa trafegar
em diferentes mídias?, diz Queiroz. Para isso, ele coordena
um grupo formado pelos responsáveis por cada departamento
da Globo, além da própria Marluce. A missão
é repensar o modo como se faz televisão.

O principal exemplo desse modelo de ?produto? foi o ?Big Brother
Brasil?. Além de assistir ao ?reality show? pela TV, o telespectador
podia votar, acompanhar o site, comprar o ?pay-per-view? para assistir
24 horas por dia etc.

Mas só a interatividade não basta. ?O Jogo?, ?reality
show? sobre a investigação de um crime fictício,
tem todos esses elementos e é um fracasso de audiência
-costuma ter médias de 14 pontos no Ibope . ?Estamos num
processo de aprender. Não adianta ter interatividade, o produto
original tem de ser atrativo para o consumidor?, afirma Queiroz.

Estratégia

Preparando-se para um futuro com a TV digital -em que há
uma fusão entre televisão e internet-, um dos principais
investimentos da Globo é a distribuição de
seus programas via internet banda larga.

?Estamos trabalhando no desenvolvimento da TV interativa, e a banda
larga permite trabalhar esse conceito. A internet abriu a primeira
janela no sentido de construir essa TV. A grande questão
é saber utilizar a programação de TV adaptada
para a banda larga?, explica Queiroz.

Segundo ele, o que menos importa é saber em que equipamento
se dará a convergência entre a televisão e a
internet. ?Qualquer que seja o desenho, é preciso ter um
processo de desenvolvimento de produto e um de mudança de
hábito do telespectador?, diz.

Há cerca de um mês, o ministro das Comunicações,
Miro Teixeira, colocou em consulta pública a minuta de decreto
com o modelo brasileiro para a TV digital. Há anos existe
uma disputa entre os defensores dos sistemas japonês, americano
e europeu para a escolha de um padrão para o país.

A Globo sempre defendeu o padrão japonês, pela possibilidade
de transmissão móvel, como TV em celulares e carros.”

“Globo deve produzir telejornal nos EUA”, copyright Folha de
S.Paulo
, 28/7/03

“A direção da Globo tem planos de produzir um telejornal
em Nova York, dirigido aos brasileiros que moram nos Estados Unidos.

O programa, com foco em notícias locais, seria transmitido
pela Globo Internacional. O canal é distribuído por
satélite e custa US$ 20 por mês ao assinante. ?Estamos
avaliando uma série de programas para dar uma cara local
ao canal?, diz Marcelo Spínola, diretor da Globo Internacional.

Atualmente, a programação dirigida aos estrangeiros
é praticamente a mesma da brasileira, com algumas alterações
de horário.

Ficam de fora filmes e eventos esportivos (como Fórmula
1) dos quais a Globo possui direito de transmissão apenas
para o Brasil. O ?Jornal Nacional? e os outros telejornais são
exibidos ao vivo.

A produção do jornalístico local deverá
utilizar a estrutura do escritório da Globo em Nova York.
Em junho, foi inaugurada um sede nova na cidade, a poucos quarteirões
de onde ficavam as torres do World Trade Center. O estúdio
mostra a redação ao fundo, como ocorre no ?Jornal
Nacional?.

A intenção é ampliar a base de assinantes
no país, hoje perto de 50 mil. Para isso, além da
criação de programas exclusivos para os EUA, a Globo
irá patrocinar eventos ligados à comunidade brasileira
residente no país, como o ?Brazilian Day?, no dia 31 de agosto.
A Globo Internacional chega a 47 países. No Japão,
possui 40 mil assinantes e na África, 50 mil.”

 

MÍDIA &
MERCADO

“Telefónica assume controle de 71,97% do Terra”, copyright
Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 25/7/03

“A Telefónica confirmou que assumiu o controle de 71,97%
do capital da unidade de internet Terra Lycos, após a conclusão
do processo de oferta pública de aquisição
(OPA) de ações.

A Telefónica detinha uma participação de 38%
quando lançou a OPA, oferecendo 5,25 euros (US$ 6,02) para
cada ação que estava na mão de outros acionistas.
O resultado da OPA significa que a empresa desembolsou 1,06 bilhão
de euros (US$ 1,21 bilhão) para ampliar a sua participação.

A Telefónica informou que cancelou a meta mínima
de assegurar 75% do controle como condição para concluir
a OPA. As informações são da Dow Jones.”

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