Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > RBS - LANÇAMENTO

Sandro Guidalli

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

RBS vs. PT

"Governo Dutra: imprensa gaúcha sob coação e censura", copyright Comunique-se, 22/06/02

"?O caso do governo estadual contra a RBS (Marcelo Rech e José Barrionuevo) é paradigmático da lenta agonia do Estado Democrático de Direito, no profundo Sul da nossa República Federativa. Mais do que isso, por uma tradição histórica, que faz do Rio Grande um Estado que antecipa os fenômenos políticos, os quais, mais tardiamente, emergem e se cristalizam no cenário nacional, tais fatos impõem-se à reflexão e exigem posicionamento da sociedade brasileira como um todo – mais especificamente, dos seus segmentos e instituições diretamente envolvidos na preservação da liberdade e na consolidação da democracia?.

Eduardo Dutra Aydos

(Professor de Ciência Política da UFRGS)

Nenhum jornalista brasileiro, com ou sem canudo, foca ou veterano, terá o direito de dizer-se surpreso ou de afirmar a ignorância dos fatos quando o que hoje é prática comum no Rio Grande do Sul um dia tornar-se corriqueiro no resto do país. E pelo andar da carruagem, isso não vai demorar muito.

A decisão judicial que condenou dois jornalistas gaúchos a ir para a cadeia por terem ousado criticar o governador petista Olívio Dutra, apesar de tratada com descaso, claro, pela maioria dos jornais, observatórios e colunistas, já foi suficiente, porém, para tornar desacreditados eventuais queixumes no futuro acerca daquilo que será não mais ameaça à liberdade de imprensa, mas sim o fim propriamente dito de tal liberdade.

O que vem acontecendo no Rio Grande do Sul não é novidade, exceto talvez para os leitores da chamada grande imprensa. A mesma a que pertencem os jornalistas reunidos em passeata e em atos no centro do Rio de Janeiro, tão logo confirmada a morte de Tim Lopes.

Estavam lá, entre outros, os defensores da liberdade de expressão que todos os dias fingem ignorar o controle totalitário sobre a mídia no Rio Grande do Sul e que sabem muito bem que não tem nem nunca terá Elias Maluco o poder similar ao que exibe Olívio Dutra e sua força togada a impor um cala-boca constante sobre profissionais sérios e respeitados.

Estavam lá também os sindicalistas de sempre a exigir o fim das hostilidades contra a imprensa, os mesmos que sabem muito bem de onde partem as verdadeiras ordens para intimidar os jornalistas que não são cooptados pelo socialismo petista ou por quem quer que ao governo lá instalado faça criticas.

Se a lamentável morte de Tim Lopes serviu como um gravíssimo alerta para muitos, o que vem acontecendo no Rio Grande já ultrapassou há muito tempo o estágio da atenção para desenbocar de fato no estágio da consumação de uma nova ordem em que o Estado fascista é quem define o jogo.

Mas tudo isso, no fundo, não deveria mesmo sequer parecer novidade aos menos avisados. O PT nunca tolerou a menor crítica e sempre manobrou a mídia, com quem divide charutos, no sentido de culpar os outros pelas próprias mazelas e pela odiosa prática de inverter os papéis de vítima e acusador tão bem por nós conhecida.

Pois o resultado de 20 anos de trabalho conjunto está aí: uma sociedade desinformada, uma imprensa dividida entre os jornalistas cínicos e os ingênuos, estudantes de comunicação apalermados e um monte de bodes expiatórios prontos para serem usados sempre que necessário.

Assim, como ninguém irá mesmo entre os jornalistas de maior poder nas redações denunciar o que faz o coronelismo petista no extremo sul do país, e suas consequências sobre o outrora vigoroso jornalismo gaúcho, tomei a liberdade de realizar a tarefa, para a qual foi indispensável ouvir as vítimas. Noto apenas que não precisei falar com os condenados do PT, pois abundante é a colheita daquele que procura por perseguidos do regime Dutra.

Vamos começar por Diego Casagrande, importante jornalista gaúcho e que abrigou-se na Internet para poder comunicar-se com seus leitores, mesmo assim sob constante vigilância do regime Dutra:

?Eu tenho aproximadamente dez mil leitores que recebem todas as semanas um boletim com notícias de política e economia em que costumo exercer a liberdade de expressão para comentar e criticar as ações do governo. Em novembro passado, entretanto, após criticar a Procergs (empresa estatal de processamento de dados), tive o envio dos boletins interrompidos pelo meu provedor, o VIA-RS, controlado pela Procergs.

Para reverter o que considero uma arbitrariedade, o advogado Renan Adaime Duarte ingressou com medida cautelar e pedido de liminar na justiça para que fosse restabelecido pelo VIA RS nosso serviço de e-mail utilizado para o envio integral da webcoluna.

O juiz Pedro Luiz Pozza, da 3? Vara da Fazenda Pública, acatou nosso pedido na tarde de quarta-feira e determinou que a PROCERGS permita o imediato envio, restaurando ainda que em caráter provisório, a liberdade na rede. A justiça se fez presente num momento valioso onde a prepotência de uma empresa estatal nos leva a uma profunda reflexão sobre a sociedade livre de pressões políticas que desejamos.

Estamos diante de uma discussão sem precedentes, no tocante à liberdade de imprensa e expressão na internet. Certamente, esta é apenas a primeira de uma série de batalhas que enfrentaremos nos tribunais, onde pretendemos recorrer até as últimas instâncias para fazer valer nossos direitos?.

De Gilberto Simões Pires, outro veterano e respeitado cronista do sul sob censura nas emissoras abertas por determinação do regime Dutra:

?Certo dia, cheguei para gravar o meu programa na TV Bandeirantes e fui informado de que não iria mais poder realizá-lo. A ordem era do comando da emissora que, pressionada pelo governador, me mandou embora. O governo usou o poder das verbas publicitárias estatais para me tirar de lá. Hoje, tenho um site na Internet, um boletim eletrônico e um programa na TV por assinatura onde, até agora, estou livre da pata de ferro do PT. Não sou nenhum revanchista, falo por fundamento. A técnica do governo aqui é a de Gramsci o que contaminou a maior parte dos jornalistas que, por formação acadêmica, pactuam desde cedo com o socialismo. Eles dominam tudo mas sempre reclamam por mais espaço, o tempo todo, todos os dias e, no entanto, somos nós que estamos cada vez mais distantes do grande público. Tivemos que recorrer à Internet e às emissoras fechadas para trabalhar?.

De Políbio Braga, ex-Gazeta Mercantil e Bandeirantes, famoso colunista e reconhecido pela independência de atuação sob qualquer governo, e que também teve que se refugiar na TV fechada e na Web por pressão do regime petista:

?Hoje, o Rio Grande do Sul é um estado onde a política fascista avança como na Alemanha em 1933. É o avanço de uma ideologia que não admite a crítica e que nunca está satisfeita com o espaço que tem na imprensa. Exceto alguns jornalistas, quase a totalidade da reportagem dos principais jornais e emissoras faz vista grossa aos problemas e erros do governo. O Rio Grande hoje é um balão de ensaio para os socialistas de todo o continente que estão observando atentamente o que ocorre aqui. Poucos têm uma atitude mais crítica, por exemplo, em relação às ações do MST, ao desaparelhamento moral da polícia, às decisões da Justiça em favor do governo, ao incentivo às invasões de propriedade privadas. Muita coisa é relatada mas o modo de fazer a reportagem é claramente pró-governo e a favor das entidades que aqui têm abrigo certo. Ninguém, na imprensa de um modo geral, investiga a fundo o que verdadeiramente acontece?.

Há outros casos, como o de Érico Valduga. No dia em que foi demitido da Gazeta por pressões econômicas do regime, o jornal exibiu um anúncio do governo de página inteira. Já o radialista Rogério Mendelski, figura bastante conhecida no sul, costuma usar um boné do MST quando viaja com sua camionete pelo interior para não ser importunado pela polícia e para rodar com mais tranquilidade. Ele é previdente. Afinal, fazer parte deste grupo de invasores marxistas no berço do Fórum Social Mundial é gozar da melhor proteção que alguém possa usufruir na vida: a do próprio aparelho de estado.

Nota 1 – Quase uma semana após a divulgação da decisão da juíza de Porto Alegre condenando os jornalistas da RBS, aguardo, sentado é claro, as medidas a serem tomadas pela Fenaj, as comissões a serem formadas para discutir o caso e também, o início das passeatas e atos contra o fim da liberdade de imprensa no Rio Grande do Sul.

Nota 2 – Sempre tão zeloso e crítico quando o assunto é a interferência togada em temas relacionados à liberdade de expressão dos jornalistas, o Observatório da Imprensa desta semana não só emudece diante dos fatos gerados pela juiza petista como publica uma carta ridícula de um assessor do regime Dutra em que ele tenta justificar a decisão judicial. Como já disse o advogado Pedro Mayall Guilayn, a.k.a. Alceu Garcia, alguém precisa urgente observar o Observatório.

Nota 3 – Para quem quiser fugir ao controle sobre a imprensa no RS, alguns links: www.diegocasagrande.com.br / www.polibiobraga.com.br / www.controleremoto.com.br"

 

RBS – LANÇAMENTO

"Diário de Santa Maria", copyright AcessoCom (www.acessocom.com.br), 21/6/02

"O conglomerado de mídia gaúcho RBS lançou, em 19/6, o ?Diário de Santa Maria?, sexto jornal do maior grupo de comunicação do Sul do País. De acordo com ?Zero Hora?, o diário terá tiragem entre 8 mil e 10 mil exemplares, com circulação em 34 municípios da Região Central do Rio Grande do Sul, onde vivem 790 mil pessoas. O diretor-geral de Jornais da RBS, Christiano Nygaard, enfatizou que apesar de ser um jornal voltado à comunidade do interior, a publicação tem a vantagem de estar ligada a um grande grupo. ?Ter um projeto gráfico e editorial alinhado às melhores práticas internacionais, com qualidade de impressão de primeira linha e rapidez na distribuição dos exemplares, é possível porque o ?Diário de Santa Maria? faz parte de uma rede de jornais que visa, antes de mais nada, à satisfação do leitor?, observou. O diário, cujo nome foi escolhido por 90 mil votos da comunidade, tem um caderno principal com 16 páginas e um encarte de variedades de oito páginas. Nos finais de semana, o ?Diário de Santa Maria? terá edição conjunta de sábado e domingo, trazendo o caderno de variedades, em formato de revista, com 16 páginas. O investimento na nova publicação, informa o jornal ?Valor Econômico?, chega a R$ 1 milhão, entre infra-estrutura, marketing e pessoal (57 funcionários)."

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