Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > RENASCE

Sandro Guidalli

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

PETER ARNETT NO BRASIL

"Ação entre amigos", copyright Comunique-se, 29/5/02

"A vinda ao Brasil dias atrás do veterano correspondente Peter Arnett foi muito propícia e cheia de significados. Devemos a oportunidade à universidade Estácio de Sá, que decidiu retribuir o empenho do jornalista no front, outorgando-lhe seu título de honoris causa.

Confesso, porém, que estava em dúvida sobre os reais motivos da homenagem até ler uma entrevista feita com nosso homem em Bagdá pelo jornal Valor Econômico, publicada na edição de 22 de maio. Foi através dela que pude descobrir o que fez a Estácio tirá-lo do Oriente Médio.

A pergunta fundamental que tinha em mente era: a homenagem se devia ao que Arnett fez ou se devia ao que Arnett pensa? Seja como for, as duas alternativas me pareciam desprovidas de qualquer nexo como justificativa para o ato da academia carioca. Mas eu estava enganado.

Em primeiro lugar, vamos a um resumo do pensamento arnettiano, possível de ser alinhavado a partir da entrevista ao Valor. Ele parte da premissa de que nada justifica as ações retaliatórias dos EUA pós-11 de setembro. Assim, está comprometida a mídia que venha a defender Bush e seus eventuais ataques ao Iraque ou aos países acusados de abrigar, incentivar ou produzir o arsenal humano, bioquímico e militar terroristas. ?Hoje, a mídia é condescendente a um novo ataque?, diz ele.

Arnett não se contenta em subtrair dos EUA o direito a defender-se mesmo depois da violência inédita de que foi vítima no ano passado. Vai além e coloca em dúvida os próprios serviços de inteligência de Washington: ?são questionáveis?. Generaliza e afirma que ?a mídia também assumiu uma posição antipalestina…?. Entretanto, apenas para ficar num só exemplo, basta lembrar que o LA Times sofreu recentemente severo boicote da comunidade judaica que vinha considerando-o pró-árabe demais.

Arnett chega a demonstrar o mesmo cinismo dos jornalistas engajados na luta contra o ?capitalismo desumano?. Diz ele que, assim como na segunda guerra, agora a maioria dos ?organismos de imprensa acreditam que os EUA correm perigo…?. Bem, aqui seria o caso de internar um país inteiro num hospício caso ele se sentisse em paz depois da ação de 11 de setembro. Menos Arnett, é claro. O mesmo vale para o conflito contra o Eixo. Para o veterano jornalista, Pearl Harbour deve ter sido uma brincadeira de mau gosto da artilharia aérea japonesa. O medo dos americanos seria então um delírio de psicopatas com mania de perseguição. Exceto Arnett, é claro.

O pensamento arnettiano, portanto, é de pura agitação anti-EUA. E não é novo. Já foi praticado na Guerra do Golfo e agora, no Afeganistão. Vai tão longe que a própria CNN resolveu despachar seu correspondente para fora da emissora depois de uma confusa e insustentável reportagem em que ele acusava os EUA de usar o gás sarin contra seus próprios desertores no Laos durante a guerra do Vietnã. ?Assim já é demais?, deve ter pensado o editor em Atlanta.

Como se vê, o discurso do correspondente é música para a platéia que o acolheu na Estácio. Isso basta para deixar claro que a homenagem deve-se ao alinhamento de Arnett com a esquerda mundial, a mesma que transforma o terrorista da Al Qaeda em vítima e em terrorista a verdadeira vítima, ou seja, os EUA e seu governo. Não poderia haver, portanto, homenageado mais adequado às faculdades de Comunicação deste país.

Janer Cristaldo – Devido ao sucesso dos relatos de Cristaldo parcialmente publicados nesta coluna, informo aos que quiserem conhecer um pouco mais das histórias e da obra deste jornalista que tenho comigo outros textos de sua autoria. Basta requisitá-los ao e-mail guidalli@bol.com.br. Também é possível acompanhar suas crônicas no site www.baguete.com.br."

 

BIBLIOTECA VIRTUAL DE JORNALISMO

"Faac cria biblioteca virtual de Jornalismo", copyright Comunique-se, 29/5/02

"Com mais de 750 títulos cadastrados, o Lupajor é uma biblioteca virtual totalmente dedicada a obras sobre Jornalismo. Lançado oficialmente no ínicio de maio, o projeto é uma iniciativa do setor de Extensão da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A idéia é facilitar a pesquisa sobre Jornalismo, permitindo que o internauta possa cruzar dados em uma busca sofisticada. ?É uma forma de a universidade pública dar retorno à população, que contribui através de impostos?, diz Angelo Aranha, um dos professores responsáveis pelo Lupajor.

O projeto foi iniciado em abril de 2001 e nasceu do interesse dos professores Aranha e Luciano Guimarães em criar um banco de dados sobre publicações dedicadas ao estudo do Jornalismo. A dificuldade de se encontrar obras na área e a vontade de criar um serviço útil à sociedade também ajudaram a dar o pontapé inicial.

Os bolsistas Nádia Pontes e Diego Meneguetti, do quarto ano de Jornalismo, cuidaram do levantamento dos livros. Mesmo sem o estímulo de uma bolsa de estudos, outros seis alunos participam do Lupajor. Além de acreditarem no projeto, encontraram uma oportunidade única: ler tudo sobre Jornalismo que chegar às mãos deles. A intenção é que boa parte das obras cadastradas no Lupajor apresentem, além de dados como ano de publicação e editora, um resumo sobre o título e, se possível, sobre seu autor. ?Os alunos leram cada um dos livros?, diz o professor.

Mas o trabalho está longe de acabar. O cadastro de centenas de livros de autores brasileiros foi apenas a primeira etapa. Este ano, bolsistas e alunos vão se dedicar ao cadastro de trabalhos acadêmicos: teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de todo o Brasil já estão sendo pesquisadas para, mais tarde, passarem a integrar o banco de dados do Lupajor. Em 2004 será a vez dos livros sobre Jornalismo publicados fora do Brasil. ?Queríamos fazer um projeto de extensão válido e útil e não pesquisar o sexo das borboletas?, brinca Aranha."

 

NO. RENASCE

"no. prepara a volta, desta vez sob o iBest", copyright Comunique-se, 28/5/02

"Anunciadas pelo CEO do portal iBest, Marcos Wettreich, durante a entrega do prêmio no dia 14/05, as negociações entre ex-colunistas do no. e o iBest para a criação de um site de opinião continuam em andamento. Segundo fonte do Comunique-se, ainda não há contrato assinado tampouco nome escolhido – em sua coluna no jornal O Dia, Arnaldo César publicou que o novo site se chamaria No Mais!.

?Se o projeto sair, faremos uma revista eletrônica que ficará hospedada no iBest?, contou a fonte. Embora estejam convidando grandes nomes que escreviam para o no., entre eles Arthur Dapieve, poucos confirmaram colaboração para o novo site. ?Se sair, o projeto terá o estilo no., só que menor, e contaremos com Flávio Pinheiro, Paulo Roberto Pires, Alfredo Ribeiro, Xico Vargas e Carla Rodrigues?.

A parceria pode envolver um contrato de patrocínio. ?Resolvemos procurar investidores que trabalhem com o mercado de Comunicação. Não vamos repetir o mesmo erro do no.?. A fonte disse também que as ?suaves prestações? relativas ao pagamento de atrasados dos colaboradores e da direção do no. não estão sendo pagas. ?Pagaram a primeira e até agora não vi o resto do dinheiro?.

Os investidores do no. decidiram não dar continuidade ao site em meados de abril. Uma nota de despedida foi publicada no dia 16/4. Uma fonte disse na época que, apesar de haver grupos interessados em investir no no. – um deles era a Brasil Telecom, parceira do portal iBest -, os investidores não aceitaram abrir mão do nome. ?Eles não querem, nem tampouco aceitam que alguém queira. O Sr. Carlos Jereissati sempre apostou contra o no. Quando percebeu que a redação não concordaria com a interferência, começou a atrapalhar o trabalho dentro da empresa?, acusou a fonte na ocasião.

Comunique-se tentou conversar com Wettreich. Ele não quis falar com nossa redação, alegando, através de sua assessoria, que ainda é cedo para entrar em detalhes."

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