Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > NEW YORK

Sem cara nova

Por lgarcia em 06/06/2001 na edição 124

NEW YORK POST

A mais recente aposta do New York Post ainda não está surtindo efeito. O recém-contratado editor Col Allan, lendário por seu trabalho no The Daily Telegraph e The Sunday Telegraph em Sydney, Austrália, parece não ter se adaptado ao novo público. Embora esteja trabalhando para aumentar as vendas do jornal, neste primeiro mês mostrou ainda não compreender Nova York.

O Post do mês passado trouxe manchetes e referências que interessariam e fariam mais sentido para estrangeiros ? não nova-iorquinos, disse Gabriel Snyder [New York Observer, 29/5/01]. No domingo, dia 27 de maio, por exemplo, a manchete do jornal trazia suposta acusação a um senador de Nova Jersey. No mesmo dia, o tablóide concorrente Daily News trazia na primeira página as infelicidades recentes do prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.

A novela sobre a vida pessoal do prefeito ?a descoberta de um câncer, a decisão de não concorrer ao Senado, um divórcio confuso e uma nova namorada ? era prato cheio para Allan provar por que é considerado mestre no "jornalismo marrom". No entanto, a cobertura do Post sobre a crise pareceu insegura e parcial, como se devesse lealdade a Giuliani, com quem o jornal mantém relação próxima e simpatia política.

Mas aonde foi o espírito brincalhão e às vezes cínico ? que faz um tablóide divertido de se ler e divertido de se odiar ? consagrado nos jornais de Allan? Até o momento, não se sabe. "Esse é o cara que dizem fazer todas aquelas grandes coisas e é isso o que temos?", perguntou um funcionário. Talvez ele ainda não tenha compreendido o povo de Nova York, acredita Snyder, e por isso não foi além das simples mudanças no design.

NEW YORK

Não é necessário fazer parte do meio jornalístico para saber que fofoca vende. A importância de observar a mídia também não é novidade. O que seria, então, uma mistura das duas coisas? Talvez uma ou duas leituras da coluna de Michael Wolff na revista americana New York possam dar dicas da resposta. Ele fala ? e como fala ? de figuras consagradas do meio sobre as quais todos amariam escrever, mas não o fazem, segundo Caroline Miller, editora da revista, por medo. Por isso seus artigos estariam fazendo tanto sucesso.

Agressivo, franco, intencionalmente parcial. Essas, como definiu a própria editora, seriam as características do trabalho do colunista. "Gosto de ser honesto, de dizer o que diria a outras pessoas num jantar. Parece que tenho ? e não sei exatamente de onde isso vem ? a ausência do gene que a maioria das pessoas tem que as faz se preocupar com o próximo emprego. É uma combinação de coragem e tolice. Simplesmente não me importo. Falarei qualquer coisa." Nas palavras de Michael Wolff, pode-se ler a definição de Howard Kurtz [Washington Post, 30/5/01] para sua coluna: é basicamente sobre ele mesmo.

Se seu objetivo é "alfinetar as pessoas", por que seus artigos continuam a ser publicados? Por que a editora HarperCollins lhe deu US$ 750 mil adiantados para escrever um livro sobre o futuro da mídia? Por que está subindo tanto, depois de dois grandes fracassos na carreira? A resposta talvez fosse apenas uma: porque vende.

Wolff esculhambou, por exemplo, um discurso do presidente Bush no Comitê Americano de Judeus, e chegou a dizer no programa de Bill O?Reilly na Fox News Channel que Bush "soa estúpido". O?Reilly protestou contra o rótulo de que os conservadores são estúpidos. A resposta veio impressa, com a descrição pejorativa do apresentador: "Olhos pesados, perde a concentração (…). Parece… estúpido", escreveu Wollf.

O estilo desperta centenas de ferozes e-mails todas as semanas, que só fazem alimentar o grande ego que move sua pena. Sem dúvida será o modelo que usará no livro "Outono dos magnatas" ("Autumn of the Moguls"), em que perseguirá os magnatas da antiga mídia em sua luta no mundo da nova mídia.

    
    
                     

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