Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Sem doce para quem mente

Por lgarcia em 30/05/2001 na edição 123

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MONITOR DA IMPRENSA


ORIENTE MÉDIO

Os aviões das Forças Aéreas Israelenses estão jogando chocolate envenenado e balas de coco letais a crianças palestinas. É isso, pelo menos, que anda dizendo a mídia palestina, numa tentativa venenosa de manter em alta o ódio ao povo judeu. E a dura crítica vem do diretor de um cão-de-guarda da mídia que é palestino, Itamar Marcus.

O jornal diário Al Hayat Jadida acusou Israel de lançar um novo complô para matar crianças palestinas na Faixa de Gaza atirando de aviões doces envenenados em áreas escolares. De acordo com Margot Dudkevitch [The Jerusalem Post, 23/5/01], um funcionário de hospital afirmou ter recebido oito crianças com cólicas estomacais, náusea e febre alta, e o médico-chefe teria dito que apenas uma intervenção de Alá as teria salvado.

O sítio do Hamas, grupo terrorista palestino, pôs mais pimenta no doce. Disse que o gesto se repetiu na Cisjordânia, em Nablus, Ramalá e Hebron. Também pediu que estações de rádio e TV alertassem para o mal dos "doces mortais". Até o secretário da Autoridade Palestina, Tayeb Abdel Rahim, declarou no dia 22 de maio que Israel não estava apenas jogando bombas contra os palestinos, mas também chocolates envenenados. "Sempre que não há novidades a reportar fabricam essas acusações fantasiosas e difamatórias, e ultimamente percebemos um aumento na freqüência com que esses artigos aparecem", disse o palestino Marcus.

Reportagens têm afirmado que um correspondente sênior da BBC na Faixa de Gaza disse em palestra que jornalistas e mídia estão "enfrentando os conflitos ao lado do povo palestino". As citações do correspondente Faid Abu Shimalla foram dispostas no sítio oficial do grupo terrorista Hamas, de acordo com Douglas Davis [The Jerusalem Post, 25/5/01]. O encontro teria reunido em "uma bela e impressionante cerimônia" 140 jornalistas palestinos, árabes, islâmicos e internacionais.

Um porta-voz da BBC confirmou que Shimalla é correspondente da emissora na Faixa de Gaza nos últimos cinco anos, mas disse que a BBC não conseguia entrar no sítio dos Hamas e, portanto, não teria comentários a fazer. Disse, no entanto, que "Shimalla é um jornalista veterano e experiente que conhece os pressupostos da imparcialidade."

Na cerimônia, Ismail Abu Shanab, do Hamas, disse que jornalistas deveriam ser honrados pelo "papel especial que têm desempenhado com suas câmeras, canetas e capacidades, assim como pela rara coragem e ousadia que têm demonstrado ao se juntar à luta nacional contra o inimigo".

O Iêmen impôs censura à cobertura de notícias militares, acusando a mídia de adulterar fatos. "Está proibida a publicação de informações ou notícias relacionadas às Forças Armadas iemenitas, exceto após checagem com o Departamento de Conselho Moral das Forças Armados no Ministério da Defesa", disse um informativo ministerial direcionado à mídia local e estrangeira que circulou na semana passada.

A decisão, de acordo com a Reuters (24/5/01), foi tomada após alguns veículos terem "lidado com assuntos militares sem confirmar sua precisão". Jornalistas locais dizem que a censura é decorrência de uma reportagem feita por uma publicação estrangeira sobre um acidente militar aéreo iemenita que autoridades afirmam nunca ter ocorrido.

O Sindicato de Escritores do Egito expulsou Ali Salem, dramaturgo conhecido por seu apoio à paz com Israel. A informação, divulgada em 24 de maio, é de Farouk Khrorshid, presidente do sindicato. A direção decidiu excluí-lo por suas relações pacifistas com entidades israelenses, o que contraria regras do sindicato. "Alertamos repetidas vezes para que se arrependesse, mas ele não deu atenção aos avisos", disse Khorshid.

Salem há tempos está envolvido num pequeno movimento que pede a paz com Israel. Segundo a Associated Press (24/5/01), ele foi duramente criticado por visitar Israel em 1994 e escrever um livro sobre a experiência. O escritor, de 65 anos, se disse aborrecido com a expulsão, mas não o suficiente para mudar suas idéias. "Nada nesse mundo é capaz de me tornar um hipócrita."

Salem estava entre os poucos escritores egípcios que apoiaram o ex-presidente Anuar Sadat quando assinou o primeiro tratado de paz entre árabes e israelenses, em 1979. O escritor é autor de cerca de 20 peças de teatro e recebeu diversos prêmios. Ele ainda escreve colunas semanais em publicações pró-governo.


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