Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Sete anos depois, o ‘furo’ volta a Campinas

Por Mauro Malin em 05/06/1997 na edição 23

Wilson Marini, editor do Diário do Povo, de Campinas, mostrou na noite de 1 de junho, um domingo, na Rádio Bandeirantes, que o Jornal da Tarde não deveria ter colocado o rótulo de “exclusivo” no assunto Lula/Cpem, porque o Diário dera o furo nove dias antes.

O programa Imprensa e Comunicação em Debate, da Bandeirantes, promoveu um confronto entre Marini e o repórter do Jornal da Tarde que fez o assunto subir ao proscênio da política nacional, Luiz Maklouf Carvalho. Maklouf disse que não tinha lido a matéria do Diário do Povo, desconhecia sua existência.

Marini insistiu: o JT não poderia ignorar toda a movimentação petista desencadeada pela reportagem original – de Angélica Muller e Soraya Agége – contendo as denúncias de Paulo de Tarso Venceslau. O Diário circula regularmente em Brasília, de onde no dia seguinte lideranças do PT telefonaram para a redação do jornal pedindo cópias do material usado na reportagem.

É verdade que o JT poderia ter feito como a Folha de S.Paulo, que mencionou tanto o Diário do Povo como o próprio JT ao abordar o assunto, em 27 de maio. (No dia 4 de junho, Wilson Marini continuava cobrando do JT, por carta, que alterasse sua cronologia dos acontecimentos, segundo a qual “tudo começou” no dia em que foi publicada a segunda entrevista do denunciante, 26 de maio. A cronologia completa pode ser lida no site do Diário: http://www.diariodopovo.com.br; por sinal, já está mais do que na hora dos grandes jornais se habituarem a freqüentar os sites dos jornais editados fora das capitais.)

Reponta, à margem de escorregões éticos, a presença crescente de uma imprensa regional ativa, que não se deixa intimidar pelos “jornalões”. Marini, por sinal, afirmou no programa que o Diário do Povo, proporcionalmente às populações das duas cidades, vende mais em São Paulo do que o Jornal da Tarde em Campinas.

Quem deu furo, quem dormiu? Veja, na edição datada de 4/6/97, diz olimpicamente: “Dois anos e meio depois de ter sido tema de longa reportagem de Veja, e de ter mofado numa gaveta do partido, uma denúncia de corrupção no PT reapareceu”. De fato, mofou. Mofou também nas gavetas de Veja, que só foi voltar ao caso depois que o Diário do Povo e o JT o tiraram do armário.

Mofou na Folha de S.Paulo, que em 24/10/95 publicou a informação de que Lula iria sair da casa emprestada por Roberto Teixeira para um apartamento de cobertura que havia comprado por R$ 98 mil, em prestações. Lula jamais mudou de residência, mas a Folha, em 19 meses, não se interessou em saber por quê.

Isto tudo, diga-se de passagem, cinco anos depois do primeiro desentendimento entre Lula e Paulo de Tarso, então secretário do prefeito de Campinas, Jacó Bittar, ocorrido em 1990.

Ou seja: trata-se de um assunto que levou sete anos para emergir em Campinas, submergir e vir a furo – em Campinas. O que não se sabe é quanto tempo levará para ir a pique.

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