Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > PUBLICIDADE DA CÂMARA

Silvio Bressan

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

PUBLICIDADE DA CÂMARA


"Aécio defende gasto com publicidade", copyright O Estado de S. Paulo, 14/8/01

"O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), considera precipitadas as críticas de alguns deputados a seu projeto de investir R$ 8,5 milhões em uma campanha publicitária para melhorar a imagem da Casa. ?Os parlamentares tem de ter um pouco de cuidado ao antecipar suas críticas?, afirmou ontem ao Estado, depois de participar da gravação do Programa Jô Soares, em São Paulo. ?Acho essas críticas, que são muito localizadas, no mínimo precipitadas.?

Segundo Aécio, os recursos para o projeto são fruto de uma economia de R$ 133 milhões que vem sendo feita desde que assumiu a presidência da Câmara, em março. Ele citou, como medidas de austeridade, a extinção de 240 cargos, a redução de 15% em contratos, o cancelamento de algumas licitações e a redução em 42% do consumo de energia. O orçamento da Casa para este ano está previsto em R$ 1,5 bilhão. ?Não haverá nenhum aumento de despesa. Ao contrário, estamos cortando gastos como nunca se cortou na Câmara.?

O objetivo do projeto, segundo ele, é buscar mecanismos para que a Câmara possa ouvir a sociedade e comunicar-se melhor. ?Não se fala especificamente em publicidade nem é um projeto personalista para promover alguém?, explicou. ?O importante é que a Câmara possa ouvir sugestões para montar sua pauta, por exemplo, e dizer às pessoas como aproveitar os benefícios das leis aprovadas.? A campanha só será feita depois que a Comissão Mista de Orçamento aprovar o remanejamento do dinheiro e levará em conta pesquisas sobre o sentimento da sociedade em relação aos deputados.

Aécio se disse preocupado com pesquisa publicada pela revista inglesa The Economist sobre a América Latina, pela qual só 30% dos brasileiros acham a democracia fundamental. ?Isso é grave e preocupante?, assinalou. ?No momento em que a democracia passa a ser supérflua é preciso que o parlamento se comunique melhor.?

Ele ressaltou que não se trata de salvar a imagem da Câmara. ?Não será simplesmente trabalhando em comunicação que vamos melhorar sua imagem?, observou. ?O que melhora a imagem da Câmara é continuar votando matérias importantes, como a regulamentação das medidas provisórias e o pacote ético que estamos propondo.?

Na entrevista, o assunto principal foram as medidas do pacote ético, como o fim da imunidade parlamentar e a instituição da fidelidade partidária. ?Não é simples aprovar essas propostas?, admitiu Aécio. ?Mas conto com a maioria dos parlamentares, que é formada por homens de bem, para aprová-las.? O comentário provocou uma reação de Jô: ?Se a maioria é assim, então a minoria tem uma força extraordinária.?

Quando Aécio falou das vantagens de um projeto de comunicação, Jô não perdeu a piada. ?Quantos jovens e estudantes, por exemplo, não sabem como se faz uma lei?, disse o tucano. ?Parece que alguns deputados também não sabem?, emendou o apresentador.

Parecer ? Em Brasília, o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG) defendeu a idéia: ?Será uma prestação de contas de tudo o que os deputados fizeram.? Relator do projeto de lei que remaneja os R$ 8,5 milhões, ele quer apresentar seu parecer à Comissão de Orçamento hoje.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Inaldo Leitão (PSDB-PB), apóia o projeto de Aécio, mas acha que a publicidade não é o suficiente. ?Não basta divulgar, é preciso ter conteúdo?, observou. E cita como exemplo o fato de, atualmente, a Câmara estar trabalhando somente nas tardes de terça-feira e nas quartas-feiras. ?É apenas um dia e meio de trabalho, quando deveria ser fixado um calendário de votações.?

Outro defensor da campanha publicitária sobre as realizações da Câmara é seu primeiro-secretário, Severino Cavalcanti (PPB-PE). ?Tem de haver uma contra-ofensiva, um contra-ataque para levantar a imagem da Casa?, avaliou. Para Cavalcanti, Aécio deveria, ainda, convocar cadeia nacional de rádio e televisão, a exemplo do Executivo, para divulgar os trabalhos do Legislativo.

O vice-líder do PFL na Casa, Pauderney Avelino (AM), mostrou-se receoso. ?Essa verba pode ter um efeito contrário porque a população acha, de uma maneira geral, que gastamos à toa o dinheiro do povo?, observou."

"Investida é criticada por especialistas em marketing", copyright O Estado de S. Paulo, 14/8/01

"A intenção da diretoria da Câmara de gastar R$ 8,5 milhões em publicidade, para tentar melhorar a imagem da Casa, foi criticada por especialistas em marketing político ouvidos pelo Estado. ?É uma loucura? afirma o consultor político Gaudêncio Torquato. Ele diz que já existem instrumentos de divulgação das atividades parlamentares, como a TV Câmara, além da cobertura da imprensa, que não se furtaria a noticiar realizações importantes.

Para Torquato, a iniciativa não se coaduna com o ?pacote ético? defendido pelo presidente da Casa, Aécio Neves (PSDB-MG). ?Isto pode causar um efeito bumerangue?, destaca, referindo-se a uma eventual repercussão negativa entre a população. O publicitário Chico Malfitani diz que a idéia é um exagero. Se o Congresso não se portar de maneira adequada não há publicidade que resolva.?

Apesar de achar natural a preocupação em melhorar a imagem da Câmara, o marqueteiro Nelson Biondi afirma que a publicidade não vai influenciar a opinião pública, a não ser que os parlamentares mostrem, na prática, que merecem uma avaliação positiva.

Mostrar trabalho, discutindo temas como o pacote ético e a reforma política é a melhor maneira de reverter o desgaste, de acordo com os especialistas.

?Se estas questões tivessem uma tramitação rápida, o efeito seria muito mais positivo do que a campanha?, diz o cientista político Marco Antônio Teixeira, da PUC de São Paulo."

    
    
              

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