Terça-feira, 23 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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Silvio Ferraz

Por lgarcia em 11/11/2003 na edição 250

TV VANGUARDA / BONI

“O mago da televisão está de novo no ar”, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 10/11/03

“?É fantástico! Da Idade da Pedra ao homem de plástico, o show da Vida é Fantástico!?, Boni

A BMW 4×4 blindada, vidros escuros, aproxima-se lentamente do hangar do heliporto de Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio de Janeiro. Desce um homem de jeans, camisa Polo azul cansada de guerra, mocassins italianos cor de uísque, pasta de executivo da mesma cor, óculos escuros e um minúsculo celular. Os cumprimentos são parcimoniosos. Os dois comandantes do Eurocopter biturbinado dispensam instruções e rotas. Estão previamente avisados de todas as possíveis alternativas. Afinal, o proprietário é José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex, atual e futuro mago da televisão, reconhecido aqui e pelo mundo afora.

O aparelho trepida suavemente no ar leve da manhã. Com velocidade quase imperceptível ganha altura e leva o imperador às suas novas conquistas: as próperas terras do Vale do Paraíba. Ali, em dois pólos, São José dos Campos e Taubaté, Boni tem fincado agora seus principais alicerces: a TV Vanguarda, com 46 repetidoras exclusivas e mais 52 na fila de espera para associar-se a este magnífíco clube de qualidade. O padrão Boni, mais conhecido entre os íntimos como bonismo. No fértil vale entre as principais capitais brasileiras, Rio e São Paulo, a riqueza não vem mais do café, mas de indústrias de alta tecnologia. São radares, turbinas, aviões, centros de pesquisa, fábricas de automóveis e a maior siderúrgica brasileira. Boni sabe disso. Seus consumidores também, ansiosos como sempre estiveram por uma rede que os retratasse mais de perto. Boni já começa, em ritmo alucinante, a construção de um império moderníssimo. É Boni no ar, renascendo.

Pela primeira vez, Boni é Roberto Marinho. Tudo o que vê é dele. Antena, geradores, computadores, furgões cinza-metálicos com os logos da TV Vanguarda concebidos por Hans Donner, toda a parafernália da moderníssima estação geradora e repetidora de televisão. Se como diretor-geral de televisão ele foi implacável, como dono da bola guardou o chicote. Ou, pelo menos, não o exibe. Quer tudo do bom e do melhor, com tapinhas nas costas e voz quase meiga, mas firmíssima. Nesta fase de empresário, Boni exercita-se na tarefa de medir, pesar e verificar se o retorno do capital investido é garantido. Não dá um passo em seu império sem rever a planilha de custos. Uma empresa contratada pela Globo, antiga proprietária, para capinar o mato ao pé das torres, teve ceifada sua tarefa por um golpe firme e certeiro. ? Trezentos mil reais por ano, um absurdo?, vocifera Boni ainda com a foice na mão.

A sede da TV Vanguarda de Taubaté talvez seja uma das menores do mundo. Lá, tudo é miniaturizado e digitalizado. Cabe em um apartamento de sala e quatro quartos. Mas, todos os que a visitam ficam pasmos com a engenhosidade do projeto. Cada centímetro é aproveitado, e com muito bom gosto. No banheiro das jornalistas, a tampa da privada transforma-se em banco para que elas façam sua própria maquiagem à frente de um espelho de camarim. Tudo é limpíssimo. Boni tem a ousadia de imprimir seu padrão de qualidade até mesmo ao chão, pintado de branco. ?Assim, posso ver tudo?, diz.

Ao entrar em cada sala cumprimenta a todos, conversa e ouve, mas não deixa de passar discretamente o dedo sobre uma mesa para verificar se há poeira. Ao contrário dos estúdios tradicionais de televisão, onde o emaranhado de cabos se esparrama pelo chão, impedindo as câmeras e os técnicos de circularem com agilidade, os fios da TV Vanguarda são enrolados até às tomadas, onde aparecem descritas a corrente elétrica e a função do cabo. Quase todo o equipamento é de última geração e caro. Dizem as boas línguas que 90% da TV Vanguarda foram comprados por Boni à Globo por US$ 10 milhões, e entregues a Boninho, seu filho, diretor de sucesso da Globo, para gerenciá-los. Os restantes 10% ficaram nas mãos da família Marinho.

Homem de surpresas, de só acertar na bola sete, depois de escalados 67 anos de idade e quase 50 de profissão, Boni exibe provas cabais de que sabe o que faz, se é que alguém ainda duvida. Os números da vigorosa região falam por si: 7 milhões de romeiros visitam Aparecida a cada ano. Outros 3,8 milhões vão às praias do litoral Norte de São Paulo. Outro 1,5 milhão de paulistas visitam Campos do Jordão no inverno. E mais: 1,2 milhão de pessoas moram na região coberta pelo potente sinal da TV Vanguarda onde estão instalados 300 mil televisores. As estimativas apontam para 1 milhão de telespectadores potenciais da emissora sob novo comando. Como se isso não bastasse, nos últimos oito anos foram investidos na região nada menos que 12,8 bilhões de dólares.

Em palavras domésticas: Boni comprou o filé mignon que a Globo pensava ser pelanca. O sinal da nova rede atinge desde Bragança Paulista, no extremo oeste do Vale, a Bananal, na ponta oposta; de São Bento do Sapucaí, no extremo norte, até a Ilha Bela, cada vez mais próspera. O acordo para transmitir a grade da TV Globo, acrescida das oito horas de programação gerada pela própria TV Vanguarda, dá à emissora de Boni uma audiência de 63% dos telespectadores, deixando poeira para o SBT – míseros 9%.

Chega de números. Vamos ao que se passa na cabeça de Boni: manter o padrão de qualidade inaugurado por ele na TV Globo exige muita atenção e toda a dedicação do mundo. Por isso mesmo, Boni e sua equipe criarão 30% da programação para a região. ?Quero desenvolver novos programas voltados para essa gente. A TV Vanguarda será a alma das cidades?, afirma, entusiasmado. É que, quando surge na tela um repórter da TV Vanguarda transmitindo um evento local, a resposta da audiência é quase imediata. Um segredo: Boni já perambula por São Paulo à cata de um canal de televisão. Outro: Boni quer construir sua própria rede.

E o tal do bonismo, onde entra nisso? E o que é isso? ?É a capacidade que o Boni tem de extrair o máximo das pessoas dando a elas a certeza de que serão julgadas por ele próprio.? A definição é de Jorge Adib, ex-empresário internacional, ex-diretor da Globo e seu irmão de coração. O contra-regra, o maquiador, o editor de imagem, o artista, o diretor de novela sabem que seu trabalho é avaliado pelo próprio Boni, sem intermediários. É Gatorade na veia. Todos trabalham sob seu comando com entusiasmo. E mesmo com descontração, desde que saibam que estão fazendo o melhor que podem.

Cena de bonismo, presenciada em São José dos Campos: ?Ô Valério, você entrou na semana passada cinco segundos depois do sinal do Jornal Nacional. Não pode?. De sua vigilância ninguém escapa. Para a casa de Angra – antiga fábrica de cachaça convertida por Boni num magnifico resort -, comprou dez televisores acoplados ao sistema Sky, para o Rio e São Paulo outros tantos. Quando dorme, tem seus espias. Em Angra, é o vigia: ?Toda manhã ele aparece no meu café e diz: ?Seu Boni, ontem às 22h10 deu uma sombra esquisita na tela, às 3h23 deu zumbido?. Os que erram recebem de Boni um tapinha nas costas e o recado seco: ?Não deixe isso acontecer de novo?. Quem priva com Boni conhece a senha. Daí para frente, será no grito. ?Mas Boni não sabe dar um esculacho que não seja seguido por um afago. Ou é uma garrafa de vinho, ou um livro técnico com uma dedicatória?, atesta Adib.

A terceirização não combina com Boni, nem ele com ela. Ainda na TV Globo, irritado com uma falha, chamou o responsável e ordenou: ?Demite esse cara?. ?Não posso, ele nem é nosso empregado?, respondeu, impotente, o interlocutor. Solução à Boni: ?Então contrata e depois demite?. Joe Wallach, o braço direito de Roberto Marinho, o homem que fez o parto da Globo e que tem Boni como melhor amigo, testemunha: ?Com o Boni você às vezes pensa que está em cima do cavalo mas já está no chão?. Adib ressalta o espírito generoso de Boni. ?Uma vez, fui procurado por uma moça que queria porque queria ser recebida por Boni. Perguntei por quê, desconfiado. ?É que durante todos estes anos ele pagou meus estudos. Meu pai morreu, mas eu me formei graças a Boni. E eu quero agradecer?, respondeu. Falei com Boni e ele sempre se esquivando. Por fim, cedeu.? Ele era, é e será sempre assim, contam seus amigos. Ronald Levinsohn, um deles, explica em termos gastronômicos o jeito Boni de ser. ?Se você vai dar um churrasco para dez amigos, compra, digamos, cinco picanhas. O Boni compra quinze. E sem explicar o exagero vai preparando aquele mundo de carne. Um dos empregados aproxima-se e explica: ?Essa carne toda é que Seu Boni nunca esquece dos empregados, garçons, seguranças e motoristas?.

Amigo doente é com ele. Telefona uma dezena de vezes por dia. Tem mania de médico, como dizem alguns amigos, hipocondríaco bravo, como querem outros. Boni examina, verifica os remédios e toma a decisão: ?Vai preparando a malinha porque estou te levando para São Paulo, agora, de jatinho?. Isso aconteceu, há seis meses, para contar um só caso, com Adib. Água no pulmão, febre e coisa e tal. Boni tomou o pulso, puxou a pálpebra. Não gostou. Levou-o de helicóptero e aterrissou no Instituto do Coração. Aguardava-o Adib Jatene. Examinou Jorge, o outro Adib, e do consultório foi direto para a mesa de operação onde teve implantada uma ponte safena.

Boni encarna como ninguém o personagem que chega à farmácia perguntando pela última novidade da Squibb. Recebe e-mails de amigos do exterior com as últimas, acessa os sites dos laboratórios, conversa com médicos nos Estados Unidos e na Espanha. Conhece todos os sais que circulam no corpo humano, receita genéricos para os amigos. Ele próprio toma um montão diariamente. Diz que são vitaminas, mas não é verdade. Sua preocupação é tanta que controla as farmácias de suas quatro casas – Rio, Angra, São Paulo e Nova York -, mantidas com o mesmo carinho que dedica às suas 30 mil garrafas dos melhores vinhos. Volta e meia telefona para todas as governantas para checar como andam os prazos de validade de cada remédio.

Aliás, Boni é o marido que toda mulher quer ter. Além de apaixonado pelos filhos, ?é um gerente completo?, atesta Ronald Levinsohn. Agora, anda preocupado com as despesas. Durante o almoço, pergunta: ?Sabe quanto eu estou gastando de eletricidade??. Não respondo para não dar uma de pobre. ?Quarenta mil reais por mês!?, dispara. E prossegue, enquanto sorve um Tempranillo de Rialto no Antiquarius: ?Telefonei imediatamente para Angra e perguntei ao caseiro: ?A máquina de fazer gelo está ligada? Então desliga?. Lá em casa tenho cinco máquinas de lavar roupa funcionando todos os dias. Pra quê? Eu não uso vinte camisas por dia! Ordenei: agora, lavagem é só um dia sim, outro não?. E as luzes dos jardins suspensos da Babilônia, a cobertura de mil metros quadrados em São Conrado, por que não são apagadas? ?Ah, isso é para agradar a minha mulher, que gosta?, responde candidamente.

Boni vive duas vidas por dia. Acorda às seis, faz uma hora de esteira diariamente, almoça, trabalha e às seis da tarde dorme duas horas. Acorda, toma banho, e é outro dia que começa. Como é trabalhar com esse gênio que morde e sopra? Carlos Alberto Vizeu, produtor de televisão independente, seu amigo, responde: ?É questão de hábito. Boni não perde tempo com conversa fiada. É extremamente objetivo. Sabe o que quer e a gente tem é que prestar atenção na receita. O que decide, está decidido?. Vizeu explica: ?O cérebro de Boni funciona em segundos, tempo de televisão, ele veio da TV ao vivo?. Conta que uma vez Boni convocou uma reunião para ver um projeto que seria entregue no dia seguinte. Sentou-se e disse: ?Estou às ordens?. Falou-se pouco. No dia seguinte, o procuramos para prosseguir e tirar dúvidas que haviam surgido. ?Que projeto? Ontem, fiquei à disposição e vocês não aproveitaram. Agora não tem mais conversa. Quero o filme pronto às 18 horas, como combinado?.

Sua percepção do que pode haver de bom em algum profissional é melhor exemplificada por Hans Donner. Austríaco, veio para o Brasil e estava na TV Globo fazendo seus projetos tridimensionais, quase anonimamente. Boni viu um trabalho dele e quis ver mais. Tremendo, Donner foi mostrando os trabalhos. Boni comentou: ?Por que você não faz esta curva ao contrário, dando a impressão de que está passando por trás da imagem??. ?Ah, isso custa muito caro. E não existe no Brasil?, respondeu Hans. ?Quanto custa?? ?500 mil dólares.? ?Qual é a marca?? ?Oxberry, uma máquina de trucagem.? Boni cochichou com um assessor e respondeu: ?Esta semana você a terá aqui para trabalhar?. Deu um tapinha nas costas de Hans Donner, que jamais esqueceu a cena.

?Eu cheguei ao Brasil na hora certa, e fui trabalhar no lugar certo com o homem certo?, até hoje repete o principal designer que fez a Globo ter a cara que tem. Um dia chegou à sala de Boni e propôs a pintura de todos os carros da Globo de cinza metálico. ?Por quê??, indagou o poderoso chefão. ?Porque dá um ar hi-tech, de coisa moderna, ligada ao futuro.? Boni virou-se para o assistente: ?Manda pintar?. Pano rápido.

Boni conhecia o peso da imagem. Vinha do mundo publicitário, onde gerenciou as mais poderosas contas do país, à época – a Varig dos bons tempos, a Gessy Lever, a Willys Overland. ?Boni tinha uma cara meio branquela, que não acusava muito a idade, e um jeito autoritário e ranzinza. Mas foi extremamente simpático comigo, desde o primeiro encontro. Nós dois éramos garotos, fizemos sucesso muito cedo, e muito precocemente recebemos uma enorme carga de responsabilidade. Por isso tínhamos uma imensa identificação?, depôs Walter Clark em seu livro ?A Deusa Vencida?.

Roberto Marinho sabia disso. Tinha investido todo o seu dinheiro na construção da TV Globo e, como não entendia nada do negócio, entregou-o a uma dupla de meninos-prodígios. ?Boni tinha veneração por Roberto Marinho?, depõem amigos comuns. Roberto Marinho, o doutor Roberto, tinha por Boni uma incomensurável admiração e respeito profissional. Mas sabia-o temperamental demais para o tête-a-tête. Por isso, elegeu seu melhor amigo, Joseph Wallack, o Joe, como interlocutor entre os dois. ?Joe era o algodão entre cristais?, define Ronald Levinsohn. Ora amortecia crises entre doutor Roberto e Walter Clark, ora deste com o Boni. Ora entre ele e Boni. Com Boni já afastado da direção-geral da Globo, Levinsohn testemunhou um diálogo comovente. À mesa de jantar, Roberto Marinho perguntou a Boni: ?Quando é que você vai acabar estas férias??. ?Mas eu não estou de férias, doutor Roberto. Sou apenas um consultor a quem os seus filhos nada perguntam?, respondeu com honestidade. Doutor Roberto baixou os olhos umedecidos. Fez-se um silêncio constrangedor. Doutor Roberto era inconformado com a marginalização de Boni do comando da TV Globo. ?Não vou me convencer jamais de que a Globo possa prescindir do Boni?, desabafou a amigos, entristecido.

Depois de ganhar o maior salário do mundo, ninguém entendeu o congelamento de Boni na TV Globo. Roberto Irineu, o filho mais velho, propôs-lhe a função de consultor ganhando o mesmo que na ativa: 4% sobre o faturamento da rede, uma fábula. Roberto Irineu dizia esperar que Boni trouxesse um profissional e nele realizasse uma transfusão de competência. Coisa que nunca foi dita a Boni. Mesmo porque, se lhe dissessem, não seriam atendidos.

Em uma ocasião, Roberto Irineu cogitou defenestrar Boni com uma régia recompensa como rescisão de contrato. Um amigo de ambos ponderou ao herdeiro: ?Se você fizer isso e Boni for para outra emissora, sua folha de pagamentos vai aumentar, pelo menos, 20%?. E, explicou: ?Começará uma romaria a seu escritório com profissionais e artistas declarando: ?O Boni me chamou, o quê que eu faço??, e você não terá alternativa senão aumentar os salários para mantê-los em seu cast?. Roberto Irineu acatou o conselho.

Enfrentar o vácuo não deve ter sido fácil. Boni e seus amigos passam sobre o assunto de olhos, ouvidos e boca fechados. ?Ele se divertiu muito?, disfarça um. ?Ele viajou muito?, desconversa outro. Mas o que passava na cabeça do protagonista, ninguém sabe. Nem ele comenta. Sua infalível memória volta no tempo. Para aqueles tempos em que seu salário era pago em notas promissórias descontadas pelo banqueiro José Luiz Magalhães Lins, salvador da pátria. Boni sabia o que era enfrentar dificuldades.

Nascido em Osasco, em 1935, filho de dona Quina, Joaquina Fernandes de Oliveira, até hoje psicóloga e autora de livros, e Orlando de Oliveira, Boni foi contaminado pelo espírito do rádio já aos cinco anos. Seu pai acompanhava ao piano calouros nas rádios Record, Cultura e América. ?Quando ele morreu eu tinha 7 anos, mas já tinha sensibilidade para apreciar aquele trabalho criativo, aquela ebulição do rádio, aquela vontade de transmitir no som o que visualizávamos?, recorda Boni.

Ele conta que, aos 14 anos, levado por um tio, conheceu Dias Gomes, diretor da Rádio Clube do Brasil. Gomes lhe perguntou: ?O que você quer ser??. ?Diretor?, respondeu. ?Gomes riu, disse para eu não sair de perto dele, que um dia eu chegaria lá. Depois de uma semana não agüentou. ?Esse menino não me larga. Até quando eu vou ao banheiro, ele está atrás?, lamuriou-se, arrependido das próprias instruções.? E Boni fez de tudo. Foi locutor, redator, rádio-ator.

Em 1954, aos 19 anos, entrou na nascente televisão. A Paulista. ?O salário era em pneus, e eu não tinha carro. Ou, quando a coisa estava preta mesmo, o caixa me pagava com passagens de ônibus do Expresso Brasileiro, que recebia como permuta. Eu ia para a rodoviária ou para a avenida Ipiranga e as vendia para o trajeto São Paulo-Santos. Quando a luta terminava, comemorava comendo um churrasco na Churrascaria Farroupilha?, depõe. Hoje Boni faz como o escritor Alvaro Moreyra, autor de ?As Amargas, não?. Recusa-se a se chatear. Se puder, chateia os outros. No bom sentido.

Como costuma fazer com Adib, que entre outros negócios é proprietário de um dos melhores restaurantes de carne do Rio, o Esplanada Grill. Ele conta, rindo, que Boni telefonou de Barcelona, às quatro da manhã: ?Jorge, você não pode imaginar o vinho que estou tomando. Já vou levando duas caixas comigo para você?. Ou, como fez na semana passada de Taubaté, do restaurante Fazendinha, onde encomendou um leitão à pururuca. Sacou o minúsculo celular, ouviu a voz de Jorge e disse: ?Ouve isso?. Bateu com o garfo na casca crocante do leitão. ?Ouviu?, leitão à pururuca tem que ser assim, e não essa merda que o teu cozinheiro pensa que sabe fazer?.

Certa vez, Dona Quina, mãe de Boni, confessou a Jorge Adib: ?Eu fico tão comovida com a maneira como você trata meu filho?. Adib disparou: ?Olha, dona Quina, eu gosto dele porque ele sempre foi o mesmo chato. Se ele só tivesse ficado chato quando virou todo-poderoso, eu o detestaria. Mas, tenha certeza, ele foi, é e será sempre um chato adorável?.”

 

TV BANDEIRANTES

“Band quer entrar na era digital”, copyright MMonline (www. MMonline.com.br), 5/11/03

“Em um café da manhã que reuniu jornalistas e representantes de agências e clientes nesta quarta-feira, dia 5, em São Paulo, a Rede Bandeirantes apresentou seus planos de programação para 2004 e anunciou que vai investir US$ 5 milhões na compra de equipamentos digitais. O sistema será emplantado incialmente na área de jornalismo da emissora.”

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