Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > ROSINHA vs. ALDIR BLANC

São coisas nossas (?)

Por lgarcia em 25/12/2002 na edição 204

ROSINHA vs. ALDIR BLANC

Aquiles Rique Reis


Original do artigo publicado na segunda-feira, 16/12. O último parágrafo foi suprimido pela Redação do Jornal do Brasil


Não é de hoje que os políticos tratam a Cultura como mercadoria de quinta. Sempre que se tentou fazer grandes mobilizações populares por causas nobres ? Diretas-Já, Anistia etc ? os artistas foram cortejados e levados à boca de cena dos palanques. Os organizadores ? partidos políticos, entidades sindicais etc ?, sensibilizavam o público com um show e, de quebra, ofereciam-lhe discursos dos políticos engajados na campanha da hora. Depois: “Festa acabada músicos a pé”.

O Partido dos Trabalhadores sempre esteve ao lado da Cultura. Desde antes da sua fundação, no início dos anos oitenta, os metalúrgicos Lula, Djalma Bom, Osmarzinho e Alemão, junto com alguns intelectuais, cuidavam de explicar aos artistas como seria o PT. Foram inúmeros encontros. Participando de alguns, lembro-me que questionávamos que só éramos chamados para animar a “festa” e na hora em que a coisa ficava “séria”, estávamos dispensados de participar. “Nós não faremos isso”, declararam unanimemente os fundadores do PT.

Lula ganhou as eleições e aí vemos a Cultura ser usada como moeda barata de barganha. Indignados, vemos os que sem pejo nem pudor recusam e ainda cospem de lado por desprezo ao bem maior de uma Nação: sua Cultura. A verdadeira impressão digital de um povo é o que brota da alma de seus artistas. São eles que dão cara à Nação e a fazem mais viva. Surpreende imaginar que o PT não queira para si o Ministério da Cultura. É decepcionante a posição indigente que a equipe de transição impõe à Cultura. Tratam-na de forma melancólica. Justo ela, que, somada aos projetos sociais já propostos, poderia tornar o governo Lula verdadeiramente diferenciado. Cultura é o arroz com feijão da alma.

Gil seria ótimo. E ainda existem outros bons nomes que poderiam ser indicados como ministro. Tem que ser alguém que una o saber intelectual a uma capacidade executiva tal que possibilite atuação tão plural quanto democrática. A Cultura deve ser entregue a alguém comprometido com o PT e com a missão de multiplicá-la aos quatro ventos. Alguém que saiba que artista não serve só para animar comício e divulgar candidato, não! Artista, companheiros, serve para ser Ministro, sim! E serve para conduzir os destinos culturais da Nação que vive um momento histórico que não pode ser desperdiçado. Isto certamente acontecerá se a Cultura for ainda mais empobrecida e entregue a alguém que a receba como xepa de fim de feira.

Aldir Blanc

Poeta de canções que fazem a história da MPB, Aldir foi “despedido” sem maiores explicações pel?O Dia. Cronista do jornal desde 1995, ele acabara de ter seu contrato renovado quando escreveu comentando a tristemente famosa frase do ex-governador Garotinho recomendando que o Palácio Guanabara (será a Benedita?) deveria ser desinfetado antes que sua esposa Rosinha lá entrasse. No dia seguinte à publicação (coincidência?) Aldir foi defenestrado. Liberdade de expressão? Censura? Onde? Com a palavra a direção d?O Dia.

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