Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > 10.

Sobre ACM, Pedro Bial, Juca Kfouri e outros

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

LUNETA GIRATÓRIA


Ricardo A. Setti (*)


A partir desta edição, R.A.S. passa a ocupar regularmente esta rubrica para comentar, em 10 tópicos, os altos e baixos da mídia. O autor é repórter atilado, autor de A história secreta do Plano Cruzado, prêmio Esso de reportagem em 1986; em sua carreira exemplar dirigiu sucursais e redações dos principais jornais e revistas brasileiros. O OI lhe dá as boas-vindas.



1. Ele manda e desmanda, sofre uma senhora queda, parece que perdeu poder, mas, na mídia, a coisa não muda: o ex-senador Antonio Carlos Magalhães continua tendo só o que os americanos chamam de good press. Feliz da vida, ACM ironiza o governo, desce o malho no candidato do PSDB, José Serra, dá pitos no prefeito do Rio, César Maia (PFL). Passada a devassa feita pela maioria dos nossos grandes veículos sobre a violação do painel eletrônico do Senado, aparecer na imprensa, para o veterano cacique, continua sendo um passeio.

2. Ponto para a Folha de S. Paulo pela boa cobertura do julgamento dos seqüestradores do publicitário Washington Olivetto e a estranha sentença condenatória que receberam. A juíza do caso, como se sabe, desconsiderou ? só para ficar neste item ? a existência de crime de tortura. (Deus, como chamar, então, o que fizeram com Washington no cativeiro?) Destaque para o repórter Gilmar Penteado, que está indo fundo no assunto.

3. Por que será que certos colunistas têm tanta dificuldade em referir-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso como isto mesmo, "presidente"? Já quase no final do segundo mandato, insistem em ainda não reconhecer diplomaticamente o governo FHC.

4. Será que nós todos, jornalistas, não estamos tímidos demais em elogiar a Rede Globo por seu papel na cobertura da campanha presidencial? Pelo espaço dedicado ao assunto, pela iniciativa das entrevistas, pela isenção? Na hora de criticar…

5. Por falar em campanha presidencial, reparem só: os marqueteiros ainda não explicaram aos candidatos que, nas entrevistas, devem dirigir-se ao público ? leitor, ouvinte, telespectador, internauta. Eles continuam falando para (e, sobretudo, na linguagem dos) jornalistas que os entrevistam. Inclusive o Lula.

6. Tremenda frangada da mídia em geral: logo que se deu a escolha da candidata a vice de José Serra (PSDB), deputada Rita Camata (PMDB-ES), divulgou-se amplamente que ela tem uma irmã gêmea. Por definição, um assunto interessante em qualquer lugar do mundo. Pois bem, ninguém ? nem jornal, nem rádio, nem as grandes revistas ? teve a idéia de ir atrás. Coube à ainda novata Tudo, a semanal de informação popular da Editora Abril, dar sozinha a matéria. Foi até Venda Nova do Imigrante, a 100 quilômetros de Vitória, entrevistou e fotografou a irmã, Mônica Paste, 41 anos, divorciada, uma filha, pacata bancária da Caixa Econômica Federal.

7. Mais uma sobre campanha ? inevitável neste ano: não percam as análises que Fátima Pacheco Jordão tem feito no Estado de S.Paulo, aos domingos, sobre as pesquisas de intenção de voto.

8. Vamos parar de malhar o Pedro Bial por ser o âncora do Big Brother Brasil, pessoal. Sabe-se lá porque ele aceitou se transferir para a área de entretenimento da Globo desde que começou a dupla com Glória Maria no Fantástico. Mas, além de poeta e documentarista, tem uma boa obra feita como repórter (confiram suas anotações de viagem em Crônicas de Repórter, Editora Objetiva, 1996). E continua fazendo um bom trabalho como jornalista na Globononews.

9. Deus é pai, e Juca Kfouri não deixou a Rede TV! Um oásis de inteligência, bom senso e bom humor naquele oceano de horror que é a sucessora da ex-Manchete.

10. Um excelente jornalista vence seu recato pessoal e conta em livro parte de sua vasta experiência. Está nos retoques Idiotas e Demagogos, que tem como subtítulo Pequeno manual de instruções da democracia, de Almyr Gajardoni. Atual editor da revista Leitura, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Almyr, antes disso, foi fundador e por vários anos diretor de redação de Superinteressante. O livro lança mão de seu conhecimento sobre cobertura política, que inclui ter sido repórter pioneiro no começo dos anos 60 em Brasília, na Folha de S. Paulo, depois chefe da sucursal de Veja na capital e mais tarde, por longos anos, editor de política da revista concorrente IstoÉ.

(*) Jornalista

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