Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > 10.

Sobre as poderosas de Brasília, Ciro, Sivam e outros

Por lgarcia em 31/07/2002 na edição 183

LUNETA GIRATÓRIA

Ricardo A. Setti (*)

1. Ponto para Eliane Cantanhêde, da Folha de S.Paulo, e Dora Kramer, do Jornal do Brasil e Estado de S.Paulo. As duas pontas-de-lança do time de mulheres que domina a cobertura política em Brasília começaram a levantar o véu sobre a discretíssima aproximação entre FHC e o PT. O presidente votaria em Lula num segundo turno se José Serra não chegar lá. Mais: poderia até ajudar um governo petista com seu prestígio internacional. Concretizadas as hipóteses, baseadas numa apuração muito interessante, seria a maior surpresa da eleição.

2. Para quem ainda não visitou o sítio No Mínimo <www.nominimo.com.br>, o toque: escrevem lá colegas do quilate de Marcos Sá Corrêa, Augusto Nunes, Flávio Pinheiro, Xico Vargas, Mario Sergio Conti, Zuenir Ventura, Joaquim Ferreira dos Santos, Villas-Boas Corrêa e Tutty Vasques, só para citar alguns. Ou seja, é leitura obrigatória.

3. Os jornalões progrediram em relação a reconhecer méritos recíprocos ? mas ainda há muito a caminhar. Vejam a reação ao furaço do correspondente da Folha de S.Paulo em Washington, Marcio Aith, sobre como o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) foi objeto de espionagem americana para beneficiar a empresa que venceu a licitação. Num caso exemplar de persistência, a Folha batalhou desde 1999 para obter documentos do governo americano, muitos deles sigilosos ? dos Departamentos de Estado e do Comércio, da CIA, da embaixada americana no Brasil ? via a extraordinária lei americana sobre liberdade de informação, o Freedom of Information Act. A repercussão nos concorrentes foi nula. E o Estadão conseguiu, no dia seguinte (quarta, 24/7), publicar a defesa de um brigadeiro brasileiro envolvido na história sem mencionar de onde ela surgiu.

4. A coluna anterior falou da notável good press com que é brindado o ex-senador Antonio Carlos Magalhães. Então, só para não perder o costume: reparem bem como não sai uma reportagem, uma entrevista, um artigo, uma matéria, uma única e miserável linha sobre o deputado Delfim Netto (PPB-SP), ex-czar da economia do regime militar, que não seja simpática. Suas aparições na TV, idem. E olha que, em matéria de telhado de vidro…

5. Será que não está na hora de a Rede Globo aproveitar um pouco os bons serviços do comentarista George Vidor, da Globonews? Titular de respeitada coluna em O Globo, Vidor é um baluarte de serenidade e clareza de linguagem na análise do atual turbilhão dos mercados.

6. SOS idioma: muitos coleguinhas estão precisando dar uma olhada no dicionário para ver o real significado de estratégia. A palavra é quase invariavelmente utilizada no lugar de tática, mas não raro como sinônimo de estratagema, artifício ou ardil. Tudo virou "estratégia".

7. Sérgio Rondino, apresentador da Rede Bandeirantes, é candidato a deputado estadual pelo PSDB em São Paulo. Se por um lado sua eventual eleição enriquece a Assembléia paulista, por outro os debates ao vivo que a Band vai realizar durante a campanha eleitoral ? entre candidatos a presidente, a governador do Estado e até a vice-presidente ? perdem um excelente mediador.

8. Se tiverem paciência, podem conferir: alguns jornais e emissoras de rádio andam repetindo em suas matérias ? quase todas na área política ? declarações que foram ao ar na véspera no Jornal Nacional sem tirar nem acrescentar um "a".

9. Não é por nada não, mas a pauta das semanais de informação ? saúde, remédios, beleza, celebridades, férias ? não está igualzinha à das femininas?

10. O que
é mais importante para os cidadãos? Se Ciro Gomes
remotamente lembra Fernando Collor em comportamento, estampa ou
origem, ou se seus planos de governo têm substância?
Já cansou essa insistência de nós, jornalistas,
ficarmos perguntando ao candidato, e a outras fontes, sobre Ciro-Collor,
ou remexendo em fiapos desse assunto ? ex-assessores de um que estão
com o outro, quem apoiou um e outro no passado. Será que
não aprendemos com campanhas anteriores? As pessoas querem
saber o que vai acontecer com o Brasil se Ciro, Serra, Lula ou ?
vá lá ?Garotinho vencerem a eleição.
Não tem sentido insistir com Ciro sobre o assunto Collor,
e depois publicar matérias críticas mostrando o quanto
ele se irrita com isso. Se há um consenso de que, diferentemente
de Collor, Ciro tem ficha limpa, chega disso, não?

(*) Jornalista

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