Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > ABAIXO O FUTEBOL

Sou mais o Show do Milhão

Por lgarcia em 08/08/2001 na edição 133

ABAIXO O FUTEBOL

Renato Albuquerque (*)

No país do futebol, do jogo do bicho, da Sena, Loto, Loteria Federal e outras "jogatinas", o Show do Milhão não poderia passar despercebido. A chamada "crítica especializada", no entanto, fica incomodada com seu sucesso. Não sei se o problema é o SBT, Silvio Santos ou o próprio Show. Se for o próprio programa, alguma coisa anda errada neste país.

A título de comparação vamos fazer de conta que o Show do Milhão é uma partida de futebol. Os jogadores são as pessoas sorteadas; a torcida são os "colegas de trabalho" e outros participantes que carregam suas bandeiras ? no caso, as placas ?, e o juiz é Sílvio Santos que, como árbitro de futebol, também dá suas mancadas, favorecendo ou prejudicando uma ou outra equipe.

Parte da torcida terá que comprar ingressos, a tal Revista do SBT. Outra parte é convidada ? para demonstrar sucesso de público ?, assim como aconteceu no campeonato paulista do ano passado. Os universitários são a "crônica esportiva", que também têm direito de errar ? afinal, ninguém é de ferro.

O jornalista Juca Kfouri disse na Rádio CBN que se o Brasil não ganhasse de Honduras ele passaria a comentar "gastronomia" em vez de futebol. Os universitários não chegaram a tanto.

Grito da galera

A equipe "adversária" ? vamos chamá-la assim ? é formada por internautas. Aí sim, podemos dizer que se trata de um time que curte um jogo no estilo "futebol-bandido". Dá pancadas (mancadas), joga sempre no contrapé do adversário (pegadinhas) e procura "segurar" o jogo (perguntas sem pé nem cabeça), deixando a equipe principal (os jogadores) zonza no gramado. Quando a bola rola no palco, a torcida tanto pode ajudar como atrapalhar. Quando ela tremula suas bandeiras ? as placas ? chega a empolgar, mas, muitas vezes não passa disso. A "crônica esportiva" ? universitários ? é tão empolgante quanto a torcida. Nunca se sabe quando eles vão acertar.

E os gols são a identificação da resposta certa com o grito da galera. Quem é que não gostaria de estar ali acertando uma das questões e embolsando alguns milhares de reais? Aliás, este é o único ponto que não se compara em nada com o futebol. A torcida vai ao estádio ou assiste ao jogo de casa, xinga, briga e chega à violência exacerbada.

Sou mais o Show do Milhão.

(*) Jornalista

    
    
                     

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