Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

PRIMEIRAS EDIçõES > CASO SILVIO SANTOS

Sórdida cumplicidade

Por lgarcia em 15/07/2003 na edição 233

CASO SILVIO SANTOS

Chico Bruno (*)

Alguns veículos de comunicação se prestaram a encenar na semana passada sórdida armação. O principal ator foi Silvio Santos, animador de auditórios e proprietário do SBT. Conseguiu-se a união do útil ao agradável: como diz o dito popular, um negócio só é bom quando ambos os lados ganham. E assim foi: uma revista da Editora Abril aumentou a circulação paga e Silvio Santos ganhou espaço gratuito na mídia.

Uma armação que envergonha a imprensa brasileira, de qual participaram os que buscam aumentar a audiência a qualquer custo. Lastimável. Por algumas horas, um apresentador de programa que explora a miséria e a violência, a editora da revista e mais alguns áulicos se prestaram a vender uma história sem pé nem cabeça aos telespectadores, mexendo entretanto com a ingenuidade e a tolerância do brasileiro, bem conhecidas.

A mídia brasileira, que já anda mal das pernas em todos os sentidos, inclusive no principal, que é a credibilidade, saiu dessa triste jogada de uso indevido do marketing ainda mais arranhada. Para tentar inverter a queda de audiência de sua rede, Silvio Santos explorou a compaixão da população usando o artifício de uma doença incurável.

Conivente, tolerante e omisso

A crítica de televisão Leila Reis, do Estado de S. Paulo, sem tocar no assunto abordou em seu artigo semanal de domingo a conivência do poder público brasileiro com esse tipo de gente, que com um microfone na mão não mede as conseqüências de seus atos e acha que na telinha da televisão tudo pode.

Os poderosos de plantão fazem vistas grossas, pois, conforme a necessidade, tiram casquinha da audiência desses animadores. De pouco adiantam os alertas dos críticos se o poder público é parceiro dessa gente.

Em novembro foi lançada, em Brasília, a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", pela Comissão de Direitos Humanos, para tentar combater essa prática. Pouco conseguirão de produtivo. Ao abrir as portas do palácio, para receber essa gente em jantar íntimo, o Poder Executivo está sendo seu avalista principal.

No governo passado foram criadas diversas agências reguladoras e fiscalizadoras de concessões públicas. Infelizmente, falta uma que regule e fiscalize a radiodifusão de som e imagem. Se o governo atual enviasse projeto de lei ao Congresso Nacional propondo a criação de tal agência, em vez de tirar uma lasquinha do lixo da TV, estaria prestando grande serviço à nação. Não pode é continuar conivente, tolerante e omisso nesta questão.

(*) Jornalista

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