Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Sérgio Benevides

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

COBERTURA DA GUERRA

"?Falta acesso às informações?", copyright Jornal do Brasil, 12/10/01

"Diretora-executiva do Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa, que defende o direito de acesso à informação nos Estados Unidos, Lucy Dalglish diz que gostaria de ver a mídia ter mais acesso aos locais atingidos em 11 de setembro. Para Lucy, que falou por telefone, de Washington, com o Jornal do Brasil, o maior perigo vem da falta de informação sobre deslocamento de tropas e pessoas detidas.

– Há queixas de que as autoridades restringiram o acesso aos escombros do World Trade Center, com detenções de jornalistas. Isto representa uma redução da liberdade de imprensa?

– Não tenho informação sobre prisão de jornalistas. Há pessoas que foram afastadas, fotógrafos cujos filmes foram apreendidos. Gostaria que houvesse acesso maior para a imprensa. No Pentágono, a segurança é ainda maior.

– A senhora diria que há um esforço para manter a imprensa afastada?

– Há um esforço nesse sentido. Em Nova York, creio tratar-se apenas de garantir que as pessoas não correrão perigo e que as equipes de resgate poderão trabalhar. Já no Pentágono, creio que se trata mais de uma preocupação com questões sensíveis que estão ocorrendo lá. Por isso, a área de segurança é maior.

– A Casa Branca pediu às TVs e aos jornais que não veiculassem na íntegra os comunicados de Bin Laden e da Al Qaeda, pois neles poderia haver alguma mensagem cifrada…

– Isto é o que o governo diz. Não estou em posição de dizer se essa possibilidade é real. O que posso dizer é que, como se trata de um pedido, não se violou a lei de liberdade de imprensa dos Estados Unidos.

– Existe algum perigo para a liberdade de imprensa?

– Sim, principalmente devido à falta de acesso a informações sobre movimentos de tropas, o Pentágono e o Departamento de Justiça. Há mais de 600 pessoas detidas nos EUA por serem consideradas testemunhas ou devido a violações de normas de imigração. Não sabemos quem são, nem por que estão detidas. Ou seja, há perigos na restrição às informações.

– Que tipo de perigo isso representa para a sociedade?

– Os americanos não sabem o que está acontecendo e não têm como avaliar o desempenho do governo Bush. Podem não ter meios para tomar decisões respaldadas por informações sobre o governo."

"De que lado estamos?", copyright O Globo, 12/10/01

"Era fevereiro de 1968. Os Estados Unidos estavam se recuperando de um ataque devastador no Vietnã. O secretário de Estado, Dean Rusk, que mais tarde admitiu estar trabalhando à base de uísque e aspirina, conversava com repórteres no final da tarde de uma sexta-feira. De repente, após ouvir uma pergunta de John Scali, da ABC, o diplomata geralmente suave explodiu: ?De que lado você está??, perguntou.

Enquanto a guerra do Vietnã piorava, altos funcionários do governo começavam a questionar o patriotismo dos repórteres. Era uma época terrível. Na crise atual, a atmosfera é muito diferente. O patriotismo está na ordem do dia; redes de TV e jornais vestem a camisa. As pesquisas indicam um apoio amplo ao presidente. Quando ataques aéreos americanos foram descritos por um comediante de TV como ?covardia?, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, pulou na frente das câmeras para alertar os americanos, que ?deveriam prestar atenção no que diziam e no que faziam?.

Para o governo, a crítica não é útil em tempos como os atuais. Os repórteres enfrentam agora um desafio: como ser sensíveis aos sentimentos de uma nação ferida e aplicar doses apropriadas de jornalismo cético, impaciência e curiosidade à cobertura de uma guerra diferente de todas as outras?

Recentemente, o repórter Jack Kelley, do ?USA Today?, disse que tropas de elite dos EUA já estavam trabalhando secretamente no Afeganistão. A reportagem provocou uma tempestade de críticas ao jornalista e a seu veículo. Kelley teria passado dos limites? Exatamente o contrário. A reportagem era exata e foi confirmada mais tarde pelo governo. Um outro exemplo: quando Howard Rosenberg, crítico de TV do ?Los Angeles Times?, criticou a competência do presidente à frente das câmeras, dizendo que ?faltou-lhe o porte de um comandante?, ele foi inundado com telefonemas, e-mails e cartas, duvidando de seu patriotismo e até ameaçando sua vida.

Isto significa que a imprensa deve mudar suas prioridades e suavizar a crítica? Não há contradição alguma entre o patriotismo e o profissionalismo de um repórter. As duas características estão unidas quando jornalistas sujeitam as ações do governo à luz do inquérito honesto e verdadeiro – e então relatam corajosamente os resultados. É o seu trabalho, na paz ou na guerra. (MARVIN KALB é um estudioso da imprensa de Washington)"

"Uma rede imune a terrorismo cibernético", copyright Jornal do Brasil, 12/10/01

"Uma rede de informação segura para o governo dos Estados Unidos, operando fora da internet e, em teoria, imune a ataques de hackers e terroristas. Essa é a proposta de Richard Clarke, que assumiu na quarta-feira o novo cargo de Conselheiro para Assuntos de Segurança no Ciberespaço. A GOVNET, como foi batizada, faz parte do pacote amplo de medidas contra o terrorismo como resposta aos ataques do dia 11 de setembro nos EUA.

Clarke, que por mais de uma década ocupou altas posições nas organizações de contraterrorismo dos EUA, inclusive o NSA, Conselho de Segurança Nacional, é conhecido por alertar para a possibilidade de um ??Pearl Harbour digital?? na internet americana – sérios ataques que interromperiam a comunicação dentro do governo. Clarke era encarregado de pressionar as empresas para aumentarem a segurança dos softwares e redes de dados.

A GOVNET será usada para todo o tipo de comunicação entre agências federais e usuários autorizados, incluindo a transmissão de voz e vídeo. Até ligações telefônicas e videoconferência poderão ser feitas por ela.

Código – No projeto da nova rede, Clarke sugere que seja usada a mesma tecnologia de comunicação da internet, baseada no protocolo TCP/IP que garante o envio e recebimento dos dados. Toda a informação seria encriptada – codificada de forma que só o emissor, o receptor e pessoas autorizadas podem entendê-la. ??O projeto trará mais segurança às comunicações do Estado??, diz o especialista André Diamand, diretor da Future Technologies, empresa de segurança de dados.

Apesar de usar a tecnologia da internet, a GOVNET não teria comunicação com ela ou qualquer outra rede pública ou privada. Ainda não foi revelado como continuarão a operar as homepages das instituições federais como CIA, FBI, Casa Branca e outras. ??Os cidadãos vão querer continuar a acessar serviços do governo pela internet??, diz Diamand. Segundo ele, será complicado manter a GOVNET completamente isolada da internet.

Algumas agências do governo americano, como a CIA e o Departamento de Defesa, já têm redes próprias e seguras, que, ao serem integradas à GOVNET, podem perder sua confiabilidade. ??Quanto mais organizações e pessoas numa rede, menor é o seu grau de proteção??, diz Diamand. ??Os maiores responsáveis por roubo de dados confidenciais em redes de comunicação são seus integrantes mal intencionados??, completa. Segundo Clarke, não há prazo para a decisão de qual empresa montará a GOVNET, mas quando ela for escolhida, terá seis meses para terminar o projeto, que poderá custar bilhões de dólares."

    
    
                     
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