Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > SBT

Sérgio Dávila

Por lgarcia em 14/05/2003 na edição 224

BESTEIROL DA YOUNG

“O perigo da menina que fala besteiras”, copyright Folha de S. Paulo, 11/05/03

“QUANDO uma bomba explode perto demais de uma pessoa, a morte é certa. Morte por despedaçamento e, às vezes, pulverização, primeiro dos ossos. Dependendo da distância, as chances de sobrevivência aumentam. Pode-se ter apenas partes do corpo carbonizadas. Ou ter os membros arrancados, braços, pernas.

Foi o que aconteceu há algumas semanas com o menino iraquiano Ali Ismail Abbas, de 12 anos, que estava no lugar errado (num alvo civil atingido por engano pela coalizão anglo-americana) na hora errada (em Bagdá durante a guerra). Ele perdeu os dois braços e boa parte da família, mãe e pai incluídos.

Estava semimorto num hospital até ser descoberto pela mídia ocidental, que o fez virar símbolo do sofrimento civil que atingiu o povo iraquiano, uma espécie de prova viva de que a ?guerra cirúrgica? de que falava George W. Bush é uma expressão tão mentirosa quanto ?guerra pacífica?.

Articulado, sonhador, gracioso, Ali Ismail Abbas comoveu meio mundo, compreensivelmente, e deve ganhar braços artificiais bancados por dinheiro de doação. Meio mundo, menos a nossa Fernanda Young, escritora de Niterói que frequenta o ?Saia Justa?, exibido pelo GNT. Num programa recente, ela comentou o caso de Ali Abbas.

?É tudo uma gente velha, preconceituosa, machista. Tem que saquear mesmo, pisar a estátua do Saddam. Se eu estivesse lá, estaria roubando tudo também. Estão fazendo muita euforia com a foto do menino sem braço. Acho mediocrizante. Morro de constrangimento. É apelativo. Tanta criança morrendo de bala perdida no Rio, e ninguém faz nada.?

?Estou cagando se estão saqueando a MesopotâNia?, concluía seu desarranjo cérebro-intestinal, assim mesmo, com ?ene? no lugar de ?eme?, erro muito comum entre as crianças. Fernanda Young não é criança, nem tão jovem como tenta dizer seu sobrenome tirado do inglês, como as chacretes.

Fernanda Young é perigosa.

Perigosa porque defende e divulga idéias preconceituosas, que são tratadas com risadinhas de ?olha como essa menina é rebelde e fala besteiras? por suas colegas de programa. O problema é que, diferentemente de Young, as três são competentes, o que acaba por dar certo ar de ?normalidade? à bobajada.

Rita Lee excede comentários, sua importância no rock (no começo) e no pop (depois) nacionais é incontestável. Monica Waldvogel é jornalista de verdade. E Marisa Orth é atriz idem. Mas elas batem palminha para Young. É como se os promotores de uma briga de galo chamassem o Trio Esperança para abrir o espetáculo, para amenizar.

Uma amiga manda uma corrente que anda pela internet relacionada a Young. É uma boneca imaginária, criada aparentemente pelo site www.kibeloco.blogspot.com, que tem o rosto dela e se chama ?Barbie fala merda?. ?Já vem de saia justa!?, anuncia a caixinha genial, que traz uma Fernandinha Younguinha com a camiseta com o logo da GNT.

?É a única que faz três declarações infelizes em apenas uma hora!?, ensina a embalagem. ?Basta apertar o saquinho dela e ela diz: ?Sou bonita, não preciso ser inteligente?; ?Felicidade é comprar coisas?; e ?Só quem tem mau-caráter envelhece!?.

A última declaração, inclusive, rendeu um comentário oportuníssimo no site da jornalista Cora Rónai (cora.blogspot.com), que por sua vez citava um texto de Alexander Zimmer e remetia a outro de Joaquim Ferreira dos Santos feito para o ?no mínimo?. Recebi tudo numa corrente de e-mail de outra amiga, cuja linha de assunto era ?Fernanda Stupid?.

Que o menino Ali Ismail Abbas ganhe logo seus braços artificiais e venha ao Brasil dar umas palmadas no intelecto de Fernanda Young, agora rebatizada pela rede.”

 

TELEVENDAS

“Tudo pelo seu telefonema”, copyright Folha de S. Paulo, 11/05/03

“VERSATILIDADE é a palavra de ordem entre os televendedores. Em suas pequenas bancadas no canto dos estúdios, eles podem anunciar antena de televisão, creme redutor de gorduras, cabide multiuso, carro, pílula emagrecedora ou título de capitalização. Mas, como não têm vínculo empregatício com nenhuma emissora, o local de trabalho também muda a toda hora, e isso transforma sua rotina diária numa autêntica maratona. Os televendedores mais requisitados podem ser vistos num único dia em até cinco programas de emissoras diferentes. ?Outro dia, fiz a conta e vi que apareço na TV em média uma hora por semana, somados todos os merchandisings que apresento?, diz Paulo Salgado, 36, apelidado de ?Silvio Santos? por Ney Gonçalves Dias, da RedeTV!. Um dos pioneiros na atividade, Salgado deixou o jornalismo para ser televendedor há dez anos. ?Seria muito difícil receber o que ganho hoje se tivesse continuado como repórter de televisão?, diz. Como a maioria dos profissionais, o televendedor não gosta de contar quanto ganha. ?A média mensal fica entre R$ 10 e R$ 15 mil para os mais experientes?, segreda um deles, pedindo anonimato. Eles não ganham comissão sobre as vendas, mas recebem cachês por entrada no vídeo. Para os iniciantes, o valor por aparição gira em torno dos R$ 100, e as despesas com figurino, maquiagem e transporte são pagas do próprio bolso. ?Para começar, o melhor caminho é entrar em contato com as empresas e agências que atuam no setor de televendas?, indica Verena Zago, 29, no ramo há quatro anos. ?Comecei como operadora de telemarketing, e o funcionário da empresa que fazia o merchandising faltou. Meu gerente me convidou e, em pouco tempo, já estava pulando de estúdio em estúdio?, lembra ela. O começo da carreira de Ademir Plasa Filho, 29, foi bem parecido. ?Trabalhava como vendedor em uma corretora e fui chamado para substituir um colega na TV. A tensão se dissolveu nos primeiros segundos, pois sou comunicativo.?

Correria

O dia-a-dia da profissão afasta qualquer imagem de glamour. De 12 horas diárias de trabalho, pelo menos quatro são passadas dentro do carro. Como ganham por aparições, é preciso fazer várias ações de vendas por dia para conseguir um bom rendimento mensal. O trânsito de São Paulo é um inimigo constante, especialmente em dias de chuva. Verena quase faz mágica para cumprir a agenda. ?Com certeza, parte significativa do que ganho vai para as multas?, diz. Quando o tempo fecha, o jeito é trocar as ações com algum colega de trabalho. ?Na semana passada, estava na RedeTV!, em Barueri, e precisava chegar em meia hora à Gazeta, na avenida Paulista. Não dava. Liguei para o Paulinho, e trocamos. Fiz o dele na RedeTV!, e ele o meu na Gazeta?, conta Verena. A moto parecia a solução perfeita para Plasa Filho, mas as duas que comprou foram roubadas. ?Não tem jeito, tenho que usar um carro?, reclama. Um dos poucos que trabalham com contrato de exclusividade, Plasa conta que já chegou a fazer 13 ações num único dia. Para os dias mais caóticos, Wilson Bombini Júnior, 24, lança mão de um recurso extremo. ?Ligo para uma empresa de motoboys e peço um com garupa para me levar a outra emissora.?

Patinhos feios

Apesar de serem vistas com certo desdém pelas emissoras, que não gostam de falar sobre o assunto, as televendas têm garantido a sobrevivência de alguns canais. Na Rede TV!, o campeão de inserções é o ?A Casa É Sua?, com 20 minutos por edição, seguido do ?Bom Dia Mulher?, com 18.

Uma fonte que prefere não se identificar afirma que 25% do faturamento da RedeTV! vêm daí. Um sinal disso é que a emissora deixou de transmitir o Grande Prêmio da Inglaterra de Fórmula Mundial, na manhã do último dia 5, para não sacrificar os anunciantes do ?Bom Dia Mulher?.

Diretor de planejamento da agência de publicidade AlmapBBDO, Hélcio Emerch diz que essa modalidade de propaganda serve como paliativo à ausência dos grandes anunciantes, que preferem investir em horários mais nobres. ?Esse tipo de publicidade pode ser comparado aos marreteiros [camelôs?.?

Para as empresas de televendas, no entanto, o rendimento em nada lembra o dos ambulantes. A ação custa pouco -em média R$ 5 mil por dois minutos- e dá resultados imediatos.

?Quando entro no ar, tenho em mente que preciso fazer o telefone tocar no ?callcenter?, afirma Verena. A média de ligações varia muito. ?O ibope é importante, mas não é tudo, o fundamental é o produto ser adequado ao público daquele programa?, diz Salgado.

Alguns dias são tradicionalmente piores. ?Na sexta-feira é duro, e, por isso, costumo ser ainda mais incisiva, pareço uma feirante?, brinca Verena.

O jogo de cintura e a capacidade de improvisação são fundamentais. ?O produto mais difícil que vendi foi um kit religioso, com velas e orações. Foi complicado oferecer algo não palpável?, conta ela.

Na lista dos produtos mais aceitos, estão os emagrecedores e os planos de capitalização. ?As pessoas sonham com carro, casa própria, e isso ajuda.?

Mas os telefones disparam mesmo quando o inesperado acontece. ?Se cometemos alguma gafe, os telespectadores ligam sem parar?, diz Salgado, que, como os colegas, recorre às dálias (papéis com os telefones anotados que ficam atrás das câmeras) para não errar.”

***

“Curso já colocou 50 no mercado”, copyright Folha de S. Paulo, 11/05/03

“Tente convencer uma pessoa que você não conhece, em dois minutos, a levantar da poltrona, pegar o telefone e ligar para gastar dinheiro com produtos às vezes supérfluos.

A tarefa exige desinibição, carisma e técnica. Carla Gialluca, 40 anos e televendedora há cinco, percebeu que só intuição não bastava e elaborou um curso para os novos profissionais.

Em três anos, ela preparou 50 alunos e tornou-se colega de trabalho de 15 deles. Durante os dois meses de curso, os alunos -na maioria mulheres- treinam postura e dicção, elaboraram textos e aprendem técnicas de comunicação, improvisação e vendas.

?A respiração correta e a entonação são fundamentais, e ainda é preciso saber conquistar a audiência?, explica pausadamente a professora.

No ar como televendedora há dois meses, a atriz Tânia Castello fez o curso e gostou. ?Me formei na EAD [Escola de Arte Dramática da USP], dou aulas de interpretação, faço comerciais frequentemente e achei que seria fácil, mas não é?, diz Tânia.

A maior dificuldade, segundo a ex-aluna, é aprender a vender. ?Existem técnicas bem específicas para conseguir bons resultados, e a voz tem papel decisivo.? O programa de treinamento custa em média R$ 300 por mês, e as turmas têm até três pessoas.

?Na nossa área não adianta apenas ser bonito, é preciso ter boa voz e dominar a câmera?, ensina a professora. Além do curso, Carla comanda workshops sobre comunicação e vendas abertos ao público. ?Todo profissional precisa saber vender suas idéias com clareza e segurança?, diz ela.”

 

SBT

“Ibope do SBT cai 20% à tarde e à noite”, copyright Folha de S. Paulo, 10/05/03

“A audiência do SBT à tarde e à noite caiu 20% em São Paulo de janeiro a abril de 2003 em relação ao mesmo período de 2002.

A queda mais representativa foi à noite (das 18h às 24h), o horário mais nobre da TV: de 15 pontos no ano passado, a média baixou para 12, o que significa que a emissora deixou de ser sintonizada em quase 150 mil residências em SP. Na faixa vespertina (das 12h às 18h), o ibope do SBT caiu de 10 para 8 pontos. De manhã (das 7h às 12h), a emissora manteve a média de 6 pontos. Cada ponto na Grande São Paulo equivale a cerca de 48,5 mil domicílios.

A perda de audiência do SBT (que também registrou queda de faturamento) ocorreu em um período turbulento na emissora, com a demissão de cerca de 400 pessoas e a extinção de programas, que devem resultar em economia de R$ 100 milhões no ano.

Os pontos mais fracos do SBT têm sido o ?Falando Francamente? (que anteontem deu 3 pontos, contra 4 da Record e 19 da Globo), a sessão de filmes ?Cinema em Casa?, o ?reality show? ?O Conquistador do Fim do Mundo? (6 pontos anteontem), o ?Programa do Ratinho? (9 pontos na quinta) e o ?Show do Milhão? (9).

Já a Globo caiu um ponto na faixa das 18h às 24h, marcando 32 pontos de média. As demais emissoras mantiveram suas médias: Record, 6; Band e Rede TV!, 3, e Cultura, 1. O número de televisores ligados caiu de 64% para 61%.”

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