Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Sérgio Ripardo

Por lgarcia em 26/02/2003 na edição 213

NET EM CRISE

“Net perde 320 assinantes por dia e busca cliente de maior renda”, copyright Folha Online (www.folha.com.br), 21/02/03

“A Net, maior TV paga do país, perdeu, em média, 320 assinantes por dia, em 2002. Ou seja, sumiram quase 117 mil clientes no ano.

A operadora fechou o ano com 1,330 milhão de assinantes, queda de 8% em relação à base de 1,447 milhão de clientes no fim de 2001.

Esse número abrange os assinantes conectados, isto é, inclui os pagantes (1,323 milhão) e os temporariamente desabilitados (sinal bloqueado por falta de pagamento).

A companhia – controlada pelas Organizações Globo – atribuiu a queda aos menores gastos com marketing e à maior seletividade nas vendas.

Entre os motivos de desconexões no último trimestre, 28% citaram razões financeiras e pessoais. No terceiro trimestre, eram 32%.

?A empresa procura limpar sua base de clientes, focando em assinantes que geram maior receita e com melhor perfil de crédito?, diz um relatório de análise do Unibanco.

Essa estratégia visa reduzir as perdas da operadora com inadimplência e aumentar as vendas de pacotes mais caros.

Em 2002, o pacote ?advanced? (avançado)com 63 canais respondeu por 49,8% dos assinantes pagantes, quase estável em relação à fatia em 2001 (49,1%).

Já a participação do pacote ?standard? (básico) com 32 canais oscilou de 10,6% para 10,1%.

As vendas do pay-per-view [programa só exibido se pagar taxa extra – principalmente jogos de futebol] cresceram 25% em 2002.

Do total de assinantes em áreas habilitadas a adquirir o serviço [78% da base de clientes], cerca de 25% o fizeram.”

“Net perdeu 105 mil assinantes em 2002”, copyright Folha de S. Paulo, 20/02/03

“Maior operadora de TV paga do país, a Net encerrou 2002 menor do que começou. Perdeu 105,1 mil assinantes no ano _até agora o pior da história do setor_, uma queda de 7,4%. Segundo relatório operacional divulgado ontem, a Net fechou 2002 com uma base de 1,323 milhão de assinantes _tinha 1,428 milhão no final de 2001.

A empresa, controlada pelas Organizações Globo, atribui o resultado a ?menores gastos com marketing? e à ?cautela e seletividade? nos investimentos.

A queda de assinantes, no entanto, foi menor no quarto trimestre. Nesse período, a Net perdeu 14,9 mil clientes, contra 90,2 mil entre janeiro e setembro.

No relatório, a Net comemora uma melhora na taxa anualizada de desconexão (?churn?), que em parte indica insatisfação de assinantes com os serviços prestados. Essa taxa caiu de 17,9% da base de assinantes no terceiro trimestre para 13,8% no quarto.

Segundo a Net, isso é reflexo de ?maior seletividade nas vendas? e na melhora do serviço de atendimento ao assinante _no Rio, por exemplo, o índice de ligações atendidas subiu de 35% em junho para 92% em dezembro.

A operadora diz que conseguiu reverter 49% dos pedidos de desconexão feitos em São Paulo. Entre os clientes que definitivamente desistiram da Net, 32% alegaram mudança de domicílio e 28%, problemas financeiros. Só 7% migraram para outra operadora.”

 

TV ANIMAL

“Documentaristas contam suas aventuras em busca das mais belas imagens da televisão”, copyright Folha de S. Paulo, 23/02/03

“DEPOIS de dois dias filmando apenas os olhos dos crocodilos num pântano indiano onde havia aproximadamente 200 deles, o especialista Brady Barr, responsável pela série ?As Aventuras do Dr. Croc?, atualmente em sua segunda temporada no canal pago National Geographic Channel, decidiu tomar uma atitude drástica: entrou na água. ?O pântano estava escuro por causa da vegetação, e o guia advertiu para a rapidez do ataque. Armamos o equipamento, e, quando a água estava até os joelhos, um crocodilo veio de onde eu menos esperava e mordeu minha panturrilha direita. A dor foi lancinante, mas consegui sair dali antes de me transformar no lanche da tarde?, diz Barr, que também já foi atacado por várias cobras -entre elas uma anaconda. Garantia de audiência nos canais pagos National Geographic, Discovery Channel e Animal Planet -que não divulgam seus números- os documentários sobre o ecossistema na TV paga têm, na maioria do seu público, pessoas com mais de 18 anos e da classe média/alta. Na Cultura, único canal aberto a ter um programa especificamente nessa linha, o ?Planeta Terra?, a audiência registra média de quatro pontos (cada ponto equivale a 47 mil domicílios na Grande SP) e é formada em aproximadamente 50% pela classe C. Com orçamentos variando entre US$ 500 mil e US$ 2 milhões, esse tipo de documentário é uma perigosa aventura para as equipes, que passam de semanas a anos atrás das imagens. A série ?África Selvagem?, co-produção da inglesa BBC e do Discovery Channel, veiculada pela Cultura em janeiro e fevereiro deste ano e que terá nova temporada no segundo semestre, é um exemplo de megaprodução: consumiu 1.500 rolos de filme, percorreu 22 países desbravados em 53 viagens, durou 18 meses e envolveu 140 cientistas, 26 cinegrafistas e 16 produtores. ?SuperCroc?, do National Geographic, com Brady Barr -do ?Dr. Croc?-, custou US$ 2 milhões e levou quase dois anos para ser produzido, na Índia, Austrália, Costa Rica, África e nos EUA.

Aventura

Para o produtor Andrew Murray, 35, que integrou a equipe do ?África Selvagem?, o pior lugar para trabalhar é a floresta tropical, embora no deserto a temperatura seja superior a 45 graus. ?Elas são escuras e úmidas, e para filmar acima das copas, onde a luz é boa, temos que subir com a câmera a 60 metros acima do solo?, diz ele. Segundo Murray, ser ?forasteiro? em ambientes hostis é um dos grandes riscos do seu trabalho.?Os fungos estão a um palmo da lente da câmera, e as doenças são um problema para nós. Às vezes, nos sentimos explorados por insetos?, diz ele, lembrando que as dificuldades de locomoção também são extremas. ?Para chegar a alguns lugares, a viagem leva mais de uma semana mesmo com carro, avião e canoa?, afirma. Produtor do programa ?Jeff Corwin em Ação?, do Animal Planet, Jud Cremata, 35, diz que seu trabalho é ?exaustivo?. ?Acordamos às 4h e trabalhamos até a madrugada seguinte. Como os animais dormem à tarde, nós dormimos também, se a temperatura for suportável. Temos um dia de descanso para cada dez de trabalho.? No processo de captação das cenas, a equipe caminha silenciosamente pela selva, e todos pisam nas pegadas do primeiro da fila, para evitar as cobras. Mas Cremata diz que não há regras. ?Há dias em que corremos feito loucos atrás de um animal, como fizemos com um tamanduá-bandeira que encontramos: corremos, filmando, até que o tamanduá ou nós mesmos cansássemos.?

Pesquisa

Os preparativos começam meses antes das viagens. Dirk Hoogstra, supervisor de produção do Discovery Networks International, afirma que pesquisa é a ?palavra-chave?.

?Raramente partimos para uma expedição sem as melhores informações possíveis. Também é fundamental contratar alguém que conheça o processo de passar o equipamento na alfândega do país para onde iremos.?

Segundo Hoogstra, é impossível dizer o tempo médio de filmagem. ?Já trabalhei em projetos de três e de 12 semanas; alguns levam até anos?, afirma ele, que nunca foi atacado por nenhum animal. ?Mas achei que fosse morrer nos oito minutos em que filmei na cabine do helicóptero que ergueu um mamute da permafrost [camada de solo quase impermeável impregnada de gelo] na Sibéria. Foram oito longos minutos?, relembra.

Jud Cremata, da equipe de Jeff Corwin, lembra que conseguir permissão para filmar pode levar meses. ?Já aconteceu de conseguirmos um dia antes de a equipe entrar no avião?, diz.

Para Brady Barr, o especialista em crocodilos, é fundamental ter guias locais. ?O público nos vê como Indiana Jones, e fico irritado com esse clichê pouco científico. Sem o apoio dos nativos -que nos ensinam quais os cuidados a tomar-, meu conhecimento científico não adiantaria nada?, diz Barr.”

***

“No Brasil, botos e baleias”, copyright Folha de S. Paulo, 23/02/03

“O brasileiro Roberto Werneck (?Expedições?, TV Cultura), que há 25 anos produz documentários, diz que um dos segredos para filmar animais é aproximar-se deles contra o vento, para não ser notado. Com a jornalista Paula Saldanha, Werneck fez um especial sobre baleias jubarte para o ?Fantástico?, em 1990. ?O ibope subia até 17 pontos com as baleias?, diz Saldanha. O mais difícil trabalho da dupla foi com o boto cor-de-rosa, também em 90, na Amazônia. ?A água era transparente e, com o tempo, o boto foi se bronzeando: acabou apelidado de ?negão?, diz Werneck. ?A cozinheira do nosso barco nadava com ele para ver se engravidava e chorou quando ele foi solto?, relembra Saldanha.

Globo

?O nosso objetivo não é apenas apresentar documentários sobre o mundo animal. Exibimos grandes reportagens com assuntos de interesse jornalístico?, afirma a editora-chefe do ?Globo Repórter?, Silvia Sayão. Segundo ela, a proposta do programa é mostrar lugares desconhecidos do Brasil, com ênfase na pesquisa.

?Falamos sobre bichos quando achamos que o assunto desperta curiosidade?, diz ela, explicando a diferença entre o ?Globo Repórter? e os documentários estrangeiros. ?O padrão técnico e jornalístico talvez seja o mesmo, mas a nossa linguagem é a de um programa de reportagem destinado ao público brasileiro?, afirma.

Em março, no ?Fantástico?, estreará a série ?Natureza Fantástica?, comprada à BBC, na qual os animais são mostrados de forma mais científica que habitualmente. A Globo afirma que os documentários são divididos em episódios, mas que não há edição ou mudança de linguagem.”

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