Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES >   "TV ESTADÃO"

Sérgio Rodrigues

Por lgarcia em 12/12/2001 na edição 151

COPA NA TV

"Tatu, vai tu mesmo…", copyright Jornal do Brasil, 9/12/01

"Alguém aí já viu o mascote da Globo para a Copa 2002? Ele anda sumido (parece que enfrenta oposição até dentro da emissora, coitado), mas o fato é que foi apresentado com pompa aos telespectadores no encerramento da transmissão de Brasil x Venezuela, quando garantimos nossa suada vaguinha. Se não for abortado nos altos andares do Jardim Botânico, imagino que o destino do personagem seja freqüentar a paciência pública com assiduidade crescente de agora em diante, aspirando a virar um Pacheco. Não que se trate de mais um protótipo de torcedor-mala, a coisa é mais original. O mascote que a Globo apresentou é um tatu. Isso, um tatu. Tatu de desenho animado, é verdade, bem diferente do mascote laqueado do presidiário Hélio de la Peña no Casseta e Planeta, que em episódio recente foi visto cumprindo a sina de sua raça – como se sabe, brasileiro come tatu. Nada tão grave, porém, se abate sobre o bichinho da Globo, um tatu até simpático: sorridente, ágil, bem produzido. Mas ainda tatu. E vestido de canarinho.

A piada mais fácil é a primeira que me veio na hora: vemos o tatu cavando o seu buraco e pensamos, como um cronista barroco: ?É, tatu, deves mesmo na terra enfiar a cabeça, para não veres o futebol medroso, travado, mentalmente contundido que aqui jogamos hoje em dia, maculando as nobres cores do pavilhão em que te adornas?. Mesmo trajando canarinho, a ave que o cívico tatu evoca é outra, o avestruz: ?Melhor nem olhar, o que não vemos não existe?, parece dizer. Se a seleção for tão mal na Copa quanto muitos de nós tememos nos momentos de maior realismo (que, felizmente, por aqui dão e passam), é avestruz que o tatu será.

Mais alguns segundos de filmete e aí entendemos tudo, a que veio o tatu. O bichinho, depois de se enfiar na terra aqui no Brasil, continua cavando e vai sair… no Japão! E na Coréia do Sul! Nos dois ao mesmo tempo, presume-se, com a licença geográfica dos desenhos, mas aí a culpa é menos do tatu que do Blatter. Quer dizer: se fosse um canarinho, iria voando, numa viagem certamente mais aprazível e inspiradora de jornadas gloriosas. Como é tatu, vai tu mesmo, quer dizer, de metrô. Por achar o canarinho um símbolo afrescalhado demais, João Saldanha trocou-o no mercado de animais silvestres por suas feras, que ganharam o tri. A Globo preferiu, a onças e leões, escalar o tatu.

Não chego ao exagero dos que viram no animal o augúrio definitivo de nossa condenação. Argumentam estes que é impossível sair vitorioso de qualquer competição tendo como símbolo um bicho tão medroso, tão desajeitado e feio, tão comicamente ligado a nossas raízes rurais mais atrasadas. Tatu lembra Jeca Tatu, a cachaça Tatuzinho, tardes de preguiça mascando fumo de rolo enquanto o roçado vai pro brejo. Como galgar as muralhas da China (primeiro lugar garantido do grupo, segundo o doutor Sócrates), se vamos buscar inspiração em um animal assim? Será que depois do complexo de vira-lata, muito bem denunciado por Nelson Rodrigues, vamos cair no complexo de Jeca Tatu?

Calma. Tanto alarmismo deixa de levar em conta duas coisas. A primeira é a capacidade do futebol brasileiro de transformar símbolos negativos em trunfos, sem a qual o Flamengo, com um Urubu pousado em sua sorte, não seria a potência que sempre foi e, com a ajuda do Porco, ainda é. O segundo aspecto que os inimigos (inclusive os globais) do tatu não consideram é a capacidade que têm os êxitos de reescrever a história. Pois quem sabe um pouco de nacionalismo, mesmo caipira, não faria a Seleção se convencer de que o futebol é um esporte que aqui sempre jogamos com alegria, achando que dava pra ganhar? Nem sempre dava, claro. Mas se for para jogar assim (impossível não há), viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!"

 

NOTE E ANOTE NAS BANCAS

"Da telinha às bancas", copyright IstoÉ, 9/12/01

"Uma parceria firmada entre a Editora Três e a Rede Record vai agitar o mercado brasileiro de publicações. Com uma tiragem de 300 mil exemplares, chega às bancas de todo o País a partir da terça-feira 11 a revista semanal Note e Anote, versão impressa do programa comandado por Claudete Troiano. Apresentado na Rede Record de segunda a sexta-feira, às 14h, o Note e Anote, há oito anos no ar, tem audiência diária de cerca de três milhões de telespectadores. Note e Anote, a revista, trará dicas, reportagens e informações exclusivas para o público cativo do programa.

?É a primeira parceria forte entre uma editora e uma rede de tevê, e tem tudo para dar certo. Será uma revista que falará diretamente com a mulher brasileira, sempre com muitas promoções. Irá aliar o poder de fogo do programa junto a seu público à experiência da editora em revistas semanais?, diz Carlos Alzugaray, diretor-executivo da Editora Três. Será a primeira investida da Rede Record no mercado editorial. ?A Editora Três é o melhor parceiro que poderíamos encontrar para entregar a marca Note e Anote?, diz Marcus Vinicius Chisco, diretor de novos negócios e estratégias da rede. ?Vamos contar com os parceiros e clientes da Record e da Três nas promoções que estamos planejando?, diz Chisco.

A revista, claro, não perderá de vista os interesses de seu público. ?Sempre com um olho nos temas tratados na tevê, a Note e Anote pretende abordar, com uma linguagem simples e leve, temas como saúde, beleza, culinária, moda, artesanato e serviços, nos mesmos moldes dos programas na tevê?, diz Juliana Leão, gerente de marketing da Três.

Na primeira promoção, válida para São Paulo, os leitores que comprarem as duas primeiras edições trocarão os selos que acompanharão as revistas por um panetone Bauducco de 500 g. Como cada exemplar custará R$ 1,90, deverá agradar. Outras promoções irão abranger os demais Estados onde a revista circulará. Em uma delas, em parceria com a Sadia, os leitores enviarão receitas que utilizem o peru da marca, e o vencedor ganhará um kit de prêmios. Terá ainda seus 15 minutos de fama: apresentará a receita em um programa Note e Anote."

 

"TV ESTADÃO"

"Grupo Estado inicia projeto de TV", copyright Agência Estado, 10/12/01

"Decreto do Presidente da República publicado no Diário Oficial da União transfere para a Rádio Eldorado, empresa do Grupo Estado, a concessão de um canal gerador de televisão, o canal 10 da TV Maranhão Central, uma empresa em operação há mais de dez anos. O processo de transferência passou pela aprovação prévia do Ministério das Comunicações. O decreto é datado do dia 6 e foi publicado no dia 7, sexta-feira passada.

A TV Eldorado Santa Inês, como passará a ser chamado o Canal 10, terá uma nova programação, mesclando produção local com a grade de programação da TV Cultura de São Paulo, da qual será afiliada. A TV Eldorado está instalada na cidade de Santa Inês, com 80 mil habitantes, localizada na parte central do Estado do Maranhão, a cerca de 250 quilômetros da capital, São Luiz. A concessão abrange uma área de cobertura que engloba outras 19 cidades, com uma população estimada de 570 mil habitantes.

A compra da geradora é o ponto de partida de uma futura rede nacional de televisão que será constituída por meio de novas concessões, parcerias, alianças e aquisições nas principais cidades brasileiras, com recursos próprios e de terceiros. Quase uma dezena de diferentes oportunidades vinham sendo analisadas desde meados do ano passado em diferentes Estados brasileiros.

Convergência das Mídias

Na opinião de Francisco Mesquita Neto, Diretor-Superintendente do Grupo Estado, a nova legislação que vem sendo discutida no Congresso Nacional abrirá certamente novas oportunidades ao setor de comunicações. ?A nova legislação permitirá que pessoas jurídicas participem dos meios de comunicação além de abrir possibilidades para eventuais investimentos estrangeiros no setor. É o caminho natural para a convergência das mídias, cujo potencial o mercado já visualiza de forma bastante otimista?, conclui. E é neste contexto – complementa – ?que incorporar uma rede de televisão aos negócios atuais nos parece ser estrategicamente interessante?.

?O ingresso do Grupo Estado no segmento televisivo atende a uma antiga aspiração estratégica com vistas a buscar na convergência das mídias uma melhor eficácia no fornecimento de informação de interesse público à população brasileira?, afirma Francisco Mesquita Neto. ?Atende também a exigências do próprio mercado, uma vez que os anunciantes passam a ser beneficiados com maior diversidade de veículos de comunicação para a disseminação de seus anúncios, numa sinergia benéfica a todos?.

A TV Eldorado Santa Inês, no Maranhão, é o ?passo inicial de um processo?, afirma Francisco Mesquita, para quem o fato de o Grupo Estado somente agora entrar no segmento de televisão se deve a um sistema regulatório ?que caminha cada vez mais para processos objetivos, transparentes e melhor supervisionados pela sociedade?.

Quanto ao futuro conteúdo da rede de televisão Francisco Mesquita esclarece que ?embora naturalmente isso não esteja definido, certamente um dos focos será o da informação e uma programação que efetivamente agregará educação e cultura além de entretenimento à população brasileira?.

Prioridades

A intenção, segundo Francisco Mesquita, é a de constituir a rede nacional em dois anos, um prazo ?que parece bastante razoável?. As prioridades, segundo ele, serão definidas naturalmente pelos mercados mais interessantes, pelas oportunidades que forem surgindo; entre elas as concessões, futuras aquisições, alianças e parcerias. ?Estaremos atentos às concessões, pois elas poderão orientar o direcionamento da rede no seu início?."

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