Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES >

TAM, FAB e silêncio da imprensa

Por lgarcia em 20/07/1998 na edição 49

Victor Gentilli

 

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ia 9 de julho de 1997. Um Fokker 100 da TAM sai de Vitória com destino a São Paulo e escala em São José dos Campos. Na etapa final do vôo, algo explode na aeronave, faz um rombo na fuselagem, expele um passageiro que morre, mas o avião pousa sem problemas em São Paulo. Todos os demais passageiros levam apenas um susto. Há um suspeito, dois laudos contraditórios e nenhuma conclusão até agora.

Dia 9 de julho de 1998. Um ano depois, um Fokker 100 da TAM parte de São Paulo com destino a Vitória. Vôo direto, mas para surpresa de todos – passageiros, tripulação e até mesmo o comandante – o avião não pousa no aeroporto de Goiabeiras, em Vitória, mas na pista de pouso do aeroporto de Guarapari, cerca de quarenta quilômetros ao Sul.

Sabe-se que o comandante pediu autorização de pouso em Vitória, mas informou que iria fazer pouso visual devido às boas condições metereológicas. Após o pouso, as comissárias não escondem a surpresa com a ausência de serviço de solo. A pista de pouso estava desativada, embora sua ampliação para receber aviões de maior porte fosse recente. O comandante não esconde o constrangimento. Metade dos passageiros segue viagem nos táxis oferecidos pela empresa. Os demais aguardam um bom tempo para uma nova decolagem e um novo pouso, desta vez no destino certo.

Há fortes indícios de um erro sério do comandante. Há outras especulações e muitos boatos em Vitória. Será que este fato não merece divulgação pública pela imprensa.

Nos jornais cariocas, silêncio. Nos jornais paulistas, pequenos registros. Nos jornais capixabas, manchete no dia e sustentação de suíte por apenas um dia.

Enquanto todos os jornais – com suas equipes, sucursais, esquemas e recursos – esqueciam o caso, Elio Gaspari, sozinho, fazia suas apurações. Sua coluna de 19 de julho traz elementos novos que ajudam a explicar o que ocorreu: a aeronave fora comandada por um piloto da FAB, não da TAM.

Não é propriamente complicado fazer jornalismo. Mas é indispensável.

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