Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > NOVO GOVERNO

Tensões no ensino público

Por lgarcia em 08/01/2003 na edição 206

NOVO GOVERNO

Victor Gentilli

O novo ministro da Educação, Cristovam Buarque, assume o governo com a imprensa mais mansa do que nunca. O noticiário sobre educação há anos não produz novidades. Nos diários impressos e nos telejornais, o oficialismo alcança o paroxismo. Já estamos em 2003 e nenhum jornal ousou informar ao distinto público que as universidades federais, por conta da necessidade de repor as aulas em função da greve de 2001 ainda estão, sem exceção visível, em 2002. As universidades que não estão no meio do segundo semestre estão no início do segundo semestre letivo de 2002.

Estas mesmas universidades federais, embora não venham a contar, em princípio, com mais recursos, estão desafiadas a diminuir a evasão, a capacidade ociosa, a ampliar as vagas, a aumentar a oferta de cursos noturnos. Seja para cumprir o programa de governo, seja para, mais modestamente, atender ao Plano Nacional de Educação, cujas metas para os próximos anos são bastante desafiadores.

Nem jornalismo declaratório

Se as universidades recebessem repórteres que apenas ouvissem dirigentes, professores, funcionários e estudantes, veriam que esses desafios hoje são de cumprimento praticamente impossível; se as universidades fossem o foco de grandes reportagens, teríamos um material precioso de informação para a sociedade.

É improvável que já em 2003 o governo consiga dispor de verba para o ensino superior público capaz de oferecer o mínimo necessário para que as expectativas se cumpram. Se o MEC conseguir mais recursos, a tendência é que sejam alocados prioritariamente no ensino básico e fundamental. O que faz todo sentido nesta quadra da conjuntura.

Com relação à evasão, os números são assustadores. Com a única exceção da Universidade Federal de Minas Gerais (segundo o MEC), que tem programas e políticas que fazem com que o número de formandos se aproxime do número de ingressantes, são bastantes e numerosos os casos em que a evasão ultrapassa 50%.

A universidade já foi pauta para os jornais. Estes, não faz tanto tempo, já realizaram grandes reportagens sobre o ensino superior público. Se o jornalismo declaratório agora também colhesse declarações dos vários segmentos da comunidade universitária, já contaríamos com informação um pouco mais variada para o cidadão.

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