Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > DIA GAÚCHA

Ética? Mim não falar sua língua

Por lgarcia em 08/01/2003 na edição 206

DIA
GAÚCHA

Marcia Benetti Machado (*)

O jornal O Sul deve imaginar que a distância entre os pampas gaúchos e "o centro do país" ainda é digna de uma viagem de dias no lombo de um cavalo ? e que a poeira da estrada encobriria uma fraude.

No dia 31 de dezembro esse jornal publicou reportagem intitulada "Linguagem é compartilhada entre humanos e animais", assinada por Adriana Kühn. Pois não é que o texto era literalmente igual ao de uma entrevista realizada pelo editor-assistente de Ciência da Folha de S. Paulo, Claudio Angelo, e publicada neste jornal em 22 de dezembro? Só mudava o título, que na matriz era "O porta-voz da evolução", e suprimia as perguntas e respostas da entrevista que Angelo fez com o psicólogo Marc Hauser, professor de Harvard.

Um jovem jornalista formado pela UFRGS ficou intrigado por ler, em tão pouco tempo, dois textos que abriam do mesmo modo, retomando o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, e versavam sobre o mesmo tema. Uma rápida e banal pesquisa revelou que o jornal gaúcho cometia uma fraude e mentia a seus leitores sobre a origem das informações que fornecia.

Não é preciso ir, aqui, mais longe do que isso. Muitas discussões podem se desdobrar a partir de casos como este. Ensinamos a nossos alunos o valor da ética jornalística e insistimos em que o maior bem de um veículo (e de um profissional) é sua credibilidade. Em algum lugar do caminho, a ética e a credibilidade tornaram-se velhinhas simpáticas, mas ultrapassadas ? para alguns, inclusive um estorvo.

Francamente, os leitores de O Sul mereciam mais respeito.

(*) Jornalista e professora do curso de Jornalismo da UFRGS

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