Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
Menu

PRIMEIRAS EDIçõES >

Ética ou concorrência?

Por Perdas da Midia-Most em 23/05/2001 na edição 122

MONITOR DA IMPRENSA


ACERTO DE CONTAS

Chris Nolan, ex-colunista do San Jose Mercury News que foi rebaixada de cargo e criticada por seus editores por "comercializar ações de forma antiética", resolveu seu caso com o jornal. Segundo Kenneth N. Gilpin [The New York Times, 14/5/01], fontes próximas do processo disseram que ela estava prestes a apresentar queixa pedindo 1,5 milhão de dólares por danos. O Mercury reconheceu, em 14 de maio, a "conduta profissional e ética da jornalista".

Chris comprou 500 ações da Autoweb.com em 1999 por um preço inicial, não disponível para o público ? 14 dólares por ação ? do amigo Dean DeBiase, executivo-chefe da empresa na época. Ela diz ter consultado seus editores sobre a compra, e afirma que nenhum deu sinal de aprovação ou reprovação. Dois dias depois de a Autoweb.com ir a público, a jornalista vendeu as ações por 9 mil dólares, e três meses depois informou a seus editores que tinha um contrato para escrever um artigo como freelancer para a revista Fortune, relatando sua experiência. De acordo com a repórter, novamente não houve reprovação.

A questão da ética na negociação não foi discutida até o dia 15 de julho do mesmo ano, quando o Wall Street Journal publicou sua história. Chris foi imediatamente suspensa e posteriormente rebaixada de cargo. O Mercury adota uma política, desde 1984, que não permite que seus jornalistas noticiem companhias em que tenham investimentos financeiros e que colunistas de finanças não invistam em negócios locais. Em novembro ela abandonou o jornal e foi para o New York Post.

RÚSSIA

Boris Jordan se vangloria de seu passado imperial; embora alguns duvidem, ele afirma ser descendente dos czares russos. Nascido e criado nos Estados Unidos, o banqueiro de 34 anos assumiu a direção da rede russa NTV ? tomada de Vladimir Gusinski pelo governo ? no mês passado, depois de 11 dias de protestos dos jornalistas que se recusavam a aceitar sua administração.

Jordan garante que são falsas as alegações dos manifestantes de que seria apenas mais um fantoche do presidente Vladimir Putin, e que seu objetivo é apenas salvar a empresa, em péssimas condições financeiras. Segundo Peter Baker [Washington Post, 14/5/01], o novo diretor afirmou que renunciará antes de ter que aceitar qualquer ordem do governo.

No entanto, sua meta parece um pouco utópica aos ouvintes, já que 46% da emissora é propriedade da estatal de gás russa Gazprom. Além disso, seu passado não tem inspirado muita confiança. Jordan saiu dos EUA logo depois da fragmentação da União Soviética, aos 26 anos, e fez sua fortuna na Rússia com a venda de propriedades estatais. Durante o processo, tornou-se conhecido como um brilhante homem de negócios, mas deixou vários inimigos convencidos de que trapaceou bastante em benefício próprio.

Em abril a NTV mostrou cobertura equilibrada. No próprio caso de Jordan, por exemplo, divulgou as manifestações, bem como seu discurso de posse. No entanto, não tem oferecido o mesmo tipo de reportagem sobre a Guerra na Chechênia que a consagrou, o que tem ajudado no questionamento de muitos sobre a suposta determinação de Jordan em manter a linha independente.

Uma estação de rádio ligada à antiga NTV é o último alvo do governo russo para acabar com a mídia independente, disse Susan B. Glasser [Washington Post, 15/5/01]. Depois que a Gazprom assumiu a emissora, um jornal e uma revista da Midia-Most, a Ekho Moskvy (Eco de Moscou), pioneira no radiojornalismo independente na Rússia ? que se tornou popular pelo teor de seus noticiários e debates políticos nos últimos anos ?, está brigando para evitar o mesmo destino.

Anunciantes estão nervosos e já cancelando contratos. No início do mês a justiça determinou que a maior parte da estação vá para a Gazprom. O editor-chefe, Alexei Venediktov, tenta traçar planos para comprar sua independência, mas reclama que a estatal não dará um preço sem antes ter um sinal político do Kremlin. "É uma tragédia", afirmou o editor. "Somos a última companhia de informação nacional não vinculada ao Estado. Se eles nos tomarem, será uma decisão puramente política".

Nascida nos anos decadentes da União Soviética, a Ekho Moskvy se tornou em 1990 a primeira estação de rádio a fazer transmissões de dentro da Rússia sem o controle do Estado. Nos dias de fracasso do golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, serviu como ponto de resistência popular.

Há cinco anos, os jornalistas da rádio, desesperados pela falta de dinheiro, decidiram se unir ao grupo de Gusinski, mantendo apenas um terço da empresa. Agora, podem ter de dividir a parte de Gusinski, que pegou empréstimo de US$ 940 milhões da Gazprom, dando ações como parte do pagamento, no ano passado. O gigante de energia pediu primeiramente US$ 2 milhões pela venda de seus 25%, mas no dia 4 de maio a justiça concedeu à estatal 25% mais uma ação ? o suficiente para controle total. O preço "será mais que o dobro", disse o editor Venediktov. Se a Gazprom concordar em vender.


Leia também


Volta ao índice

Monitor da Imprensa ? próximo texto

Monitor da Imprensa ? texto anterior

Mande-nos seu comentário

Todos os comentários

Siga o Observatório da Imprensa
Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade | Termos de Uso
x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem