Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > 12.

Traço e humor na imprensa brasileira

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226

O RISO IMPRESSO

[do realease da mostra]

Com curadoria de Denise Mattar e cenografia de Guilherme
Isnard, o Salão Cultural ? Museu de Arte Brasileira
da FAAP, em São Paulo, abre ao público, de 24
de maio a 29 de junho, a exposição “Traço,
Humor & Cia.” ? que mapeia a trajetória do traço
(ilustração, charge, caricatura e cartum) na
imprensa brasileira, de forma interativa e bem-humorada. A
mostra conta, a partir de obras dos principais artistas gráficos
do país, a história do traço no decorrer
dos dois últimos séculos.

A imprensa brasileira só obteve permissão oficial
de funcionamento no início do século 19, com
a chegada da família real ao país. Já
nas primeiras publicações pode-se

Revista Careta n?
672 ? 28/3/1921

constatar a importância do desenho, que ilustrava os títulos,
as situações cotidianas, as propagandas e, principalmente,
as charges políticas. Todo jornal ou revista tinha um grande
caricaturista. O humor crítico contido no traço dos
artistas gráficos sempre foi o principal tempero da imprensa
nacional.

“O mais importante desta exposição é mostrar que, apesar de toda a tecnologia existente, nada pode prescindir da mão humana. O humor, dom exclusivo do ser humano, possibilita que, através do riso, possam ser ditas as verdades mais trágicas”, diz Denise Mattar, curadora da exposição.

A exposição será dividida nos seguintes núcleos:

1. Traço e imprensa: as artes gráficas, a ilustração e a caricatura no Brasil

Um painel dos jornais e revistas de 1831 a 2003, possibilitando a visão histórica do desenvolvimento das artes gráficas no Brasil e a evolução do traço através dos tempos. Neste núcleo serão apresentados originais das principais revistas editadas no país, como A Lanterna Mágica (1844), O Arlequim (1867), O Mequetrefe (1875), Revista Illustrada (1876), O Malho (1902), Tico-Tico (1905), O Cruzeiro (1928) e muitas outras. Além da beleza plástica do conjunto, há algumas surpresas muito divertidas, como uma capa da revista Veja de 1971, ilustrada por Ziraldo, que mostra a estátua da liberdade de nariz empenado, arrastando a cauda do vestido, com a manchete: “Os Estados Unidos e o mundo mais afastados”.

2. O traço brasileiro

Serão apresentados cerca de 100 originais, alguns raríssimos, dos principais ilustradores e caricaturistas brasileiros, realizados com técnicas como xilogravura, litografia, gravura em metal, reprodução fotográfica, autotipia até a computação gráfica. Di Cavalcanti, Augusto Rodrigues, Ferrignac, Henrique Fleuiss, Angelo Agostini, Julião Machado, Rian, Cardoso Ayres, Raul, K.lixto, J. Carlos, Storni, Seth, Yantok, Voltolino, Belmonte, Fritz, , Guevara, Théo, Nássara, Alvarus, Mendez, Péricles, Carlos Estevão, Alceu Penna, Millôr, Jaguar, Fortuna, Ziraldo, Claudius, Borjalo, Lan, Henfil, Trimano, Chico Caruso, Paulo Caruso, Loredano, Angeli, Laerte e Miguel Paiva.

3. Sedução e exclusão

Neste núcleo será apresentada a visão, um pouco machista, dos cartunistas sobre a mulher através dos tempos. São destacados os seguintes personagens: “As Melindrosas”, de J. Carlos; “As Garotas do Alceu”, de Alceu Penna; “A Radical Chic”, de Miguel Paiva; e “A Supermãe”, de Ziraldo.

4. Galeria do poder

Núcleo de caricaturas dos 33 presidentes brasileiros e de figuras importantes no cenário político, como o Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, Oswaldo Cruz, Carlos Lacerda, Luiz Carlos Prestes, Brizola, Maluf, Benedita, Roseana Sarney, Marta Suplicy, retratados pelos mais importantes caricaturistas do Brasil, de Angelo Agostini a Chico Caruso.

5. E nada mudou…

Este núcleo reúne trabalhos de 1898 a 2003, apresentando charges que poderiam, todas elas, ser republicadas hoje nos jornais. Uma imagem de J. Carlos de 1908 mostra o presidente preocupado com as evoluções do câmbio, uma outra de 1915 mostra o Tio Sam de boca aberta engolindo todos os países. Ao vermos este núcleo, realmente podemos constatar que quase nada mudou. Entre o material selecionado, podemos destacar: a política cambial, a ineficiência do poder público, o déficit, as enchentes, as epidemias, o jornalismo, a utilização de cargos políticos, as eleições, etc. O cenário é uma bandeira do Brasil.

6. O Beco do Riso Mau

Ambientado pelo cartunista Angeli, um imenso “Beco” permitirá ao público entrar num cartum gigante, tendo a sensação de conviver com todos os personagens dos principais autores de humor negro do Brasil. Estarão reunidos “O Amigo da Onça”, de Péricles e Carlos Estevão; “Fradim”, de Henfil; “Os Skrotinhos”, de Angeli; “Los Tres Amigos”, de Laerte, Angeli e Glauco; “A Rebordosa”, de Angeli; e “Os Piratas do Tietê”, de Laerte.

7. O rádio

Com a introdução do rádio, um contingente de autores que trabalhavam nos jornais passa a escrever textos para o rádio e o teatro de revista. Os resultados são verdadeiras caricaturas auditivas. Serão apresentados programas como: PRK-30, Nhototico e outros, em pequenas cabines.

8. Charges eletrônicas

Com a introdução da televisão, as caricaturas e charges buscam a animação. Neste núcleo as charges eletrônicas poderão ser vistas através dos “plim plim” da Rede Globo, cujo conjunto reúne os mais importantes profissionais do Brasil. Entre eles encontram-se Ziraldo, Aroeira, Lan, Zelio, Jaguar, Henfil, irmãos Caruso, Miguel Paiva, Borjalo e L. F. Veríssimo (35 minutos de projeção).

9. Charges tridimensionais

Será apresentado um conjunto de figuras tridimensionais em cerâmica com traços caricaturais realizados em vários períodos, incluindo peças de J. Carlos. Entre os caricaturados estão: JK, ACM, Caymmi, Caetano, Gil, Getúlio Vargas, etc.

10. Cyberhumor.uol.com.br

Será montada uma sala de computadores, onde poderão ser acessados os principais sites de humor brasileiros, sites dos artistas da exposição, charges animadas e uma espécie de museu virtual com as melhores charges publicadas nos principais jornais do País, selecionadas pelo desenhista Mariano, titular do pioneiro site “chargeonline”.

11. Túnel do tempo

Adultos e crianças poderão folhear revistas de 1920 a 1970. O contato com este material proporciona uma verdadeira viagem no tempo através das modificações ocorridas na política, nos costumes e na publicidade.

12. Workshop

A garotada vai se esbaldar criando suas próprias caricaturas e desenvolvendo suas habilidades artísticas, orientadas por um grupo de monitores especializados.

Endereço: Rua Alagoas, 903 ? Pacaembu ? São Paulo/SP. De terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados de 13h às 18h. Informações: (11) 3662-7198/7204. Entrada gratuita

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