Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Três boas notícias

Por lgarcia em 05/03/2000 na edição 85


Carlos Vogt

Três boas notícias para o ensino superior e para a pesquisa científica e tecnológica no Brasil.

A primeira, concerne ao ensino de graduação, desta vez a distância via internet, num grande programa do governo federal, através dos ministérios da Educação e do Desporto (MEC) e da Ciência e Tecnologia (MCT), reunindo 47 universidades públicas para formar a Universidade Virtual Pública do Brasil, a Unirede.

O programa, lançado oficialmente no dia 24 de fevereiro no Congresso Nacional, tem como um de seus principais focos a oferta de licenciatura para professores da rede pública de ensino.

Não há dúvida de que o projeto enfrentará muitos problemas de ordem técnica, tecnológica, metodológica, gestional, didática, político-institucional, mas que a experiência é ousadamente necessária, também nenhuma dúvida.

Pena que as três universidades estaduais paulistas ? USP, Unicamp e Unesp ? não integrem, ao menos até agora, o projeto. Por que será? Boa pergunta que exige boas respostas.

A segunda boa notícia é relativa ao documento “A Presença da Universidade Pública”, produzido pela USP e lançado no dia 16 de fevereiro, com informações importantes sobre o papel destas instituições no desenvolvimento do país e números que contestam, entre outros dados, aqueles decorrentes de certas metodologias de cálculo, que chegam a estabelecer em 17 mil reais por ano o custo de cada aluno das escolas superiores federais.

A publicação, com 32 páginas, procura desfazer outros mitos negativos que rondam o ensino público superior, entre eles o de que seus gastos são exagerados, relativamente ao PIB e relativamente ao que se aplica no ensino médio e fundamental, e o de que o seu público provém das camadas economicamente mais privilegiadas da sociedade.

Alguns anos atrás, então reitor da Unicamp, produzi vários documentos que iam nessa mesma direção. Felizmente, a USP retoma o mote e glosa na mesma melodia.

A terceira e agora já espetacular notícia é a da conclusão do seqüenciamento completo dos genes que compõem a bactéria Xylella fastidiosa, responsável pela praga do Amarelinho nos laranjais paulistas, e a conseqüente decifração do código genético desse microrganismo.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) reuniu, numa parceria inédita com a Fundecitrus, 34 laboratórios universitários ? formando um verdadeiro Instituto Virtual, com 160 cientistas de várias procedências institucionais ? para o projeto coordenado pelo professor Andrew Simpson, e que, depois de dois anos de trabalho dedicado, chegaram ao resultado que coloca o Brasil entre os poucos centros internacionais mais avançados em pesquisa genética.

O programa Genoma, da Fapesp, desenvolve ainda projetos de pesquisa com a cana-de-açúcar, em parceria com a Copersucar, com a bactéria Xanthomonas citri, causadora do cancro cítrico, e também em parceria com a Fundecitrus, com genes humanos relacionados à doença do câncer, em parceria com o Instituto Ludwig.

O justo reconhecimento público do esforço e dedicação do professor José Fernando Perez, diretor científico da Fapesp, o orgulho de toda a direção da agência financiadora e a satisfação que todos nós, cientistas, pesquisadores e cidadãos, sentimos pelo sucesso do empreendimento, a nossa imprensa soube muito bem captar, dando-lhe a repercussão e o alcance que merecem ? pela importância do projeto, pela eficiência institucional das ações, pela eficácia dos resultados obtidos e pela relevância científica e social do conhecimento adquirido.

 

Sairá em breve o livro O outro lado da Ciência. Leopoldo De Meis, professor do Departamento de Bioquímica da UFRJ, reuniu textos literários de 18 cientistas de diferentes áreas. A ser lançado em breve pela Editora Atheneu, o livro é uma coleção de contos, poesias e relatos pessoais escritos por pesquisadores.

O grupo quer com isso desfazer a imagem estereotipada que a população faz dos cientistas, como um tipo racional, lógico, sisudo, excêntrico.

Participam da experiência: Ivan Izquierdo, Sergio H. Ferreira, Angelo Machado, Vivaldo Moura Neto, Gregorio Monte, George Reis, Margarida Neves e muitos outros, além do próprio De Meis.

A capa representa um quadro do imunologista-pintor Julio Scharfstein. O livro tem 229 páginas, muitas delas ilustradas com desenhos e figuras dos autores, linguagem simples e leve, adequada ao objetivo da obra: mostrar o lado criativo, comum e lúdico da ciência.

Roberto Lent, Depto. de Anatomia, ICB/UFRJ

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