Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > O DIA, JB & ROSINHA

Truculência em efeito-dominó

Por lgarcia em 25/12/2002 na edição 204

O DIA, JB & ROSINHA

Luiz Egypto

Na terça-feira, 10/12, o médico e poeta da MPB Aldir Blanc foi demitido do jornal O Dia por causa do artigo “Eminência marron”, publicado no dia anterior, no espaço semanal que mantinha naquele diário desde 1995. O motivo foram as críticas acerbas ao casal Garotinho (Rosinha, a governadora eleita do Rio de Janeiro e Anthony, ex-governador e ex-candidato à presidência da República). O gancho de seu artigo [remissão abaixo] foram as declarações grosseiras do ex-governador sobre a necessidade de “desinfecção” do lugar ocupado por Benedita da Silva, a governadora negra e ex-favelada, para a posse de sua mulher Rosinha.

Sobre o episódio, o escritor João Ubaldo Ribeiro cravou a seguinte análise no Globo de domingo, 15/12, ao final do artigo intitulado “A lei da mordaça”:


“Envolvidos por tanta coisa, não prestamos atenção. A censura vai mostrando sua carantonha repulsiva, nós não vamos notando e, um belo dia, estaremos cercados por ela. Posso enganar-me, mas o Rio de Janeiro está na vanguarda da Nova Era Censória. Falou-se em casos envolvendo o Artur Xexéo, o Mauro Rasi e o Arnaldo Jabor. Dos três, só conheço pessoalmente o Jabor, mas não nos vemos há muito tempo, de forma que não sei direito o que houve, mas o que se comenta à boca pequena é que a dra. Rosinha tem ficado chateada com críticas ou brincadeiras da imprensa e ameaça processos. Ameaçar processos é um direito de qualquer um, mas, no caso, sente-se uma pitadinha de censura. Pitada mais forte no caso, também comentado à boca pequena e, pensando bem, não tão pequena, de Aldir Blanc, um dos nossos maiores compositores populares e cronistas, que teria sido súbita e inesperadamente demitido devido a pressões lá do alto. Aldir diz que sim e acredito nele. Mas, mesmo que ele esteja enganado, quem vê as barbas do vizinho pegarem fogo… Mandam a prudência e meu terror a processos abandonar esta coluna, para assumir uma de jardinagem, onde evitarei insultar o cravo ou desacatar a rosa, para não falar que não me envolverei em problemas controvertidos, como o das bromélias.”


O efeito-cascata provocado pelos arroubos de truculência citados por João Ubaldo fez nova vítima na segunda-feira, 16/12, quando o músico Aquiles Rique Reis, do veterano grupo vocal MPB4, teve censurada, no Jornal do Brasil, a menção feita à demissão de Aldir Blanc na coluna que assinava às segundas-feiras, sob o chapéu “Visão da cidade”.

O casal de políticos vem desmonstrando sintonia fina no tratamento dispensado às críticas que recebe da imprensa. Ambos praticam com desenvoltura uma versão jurídica da modalidade “bateu-levou” em voga na era Collor.

Nas páginas seguintes, artigo do músico Aquiles Rique Reis para este Observatório; a reprodução da mensagem eletrônica que ele enviou ao diretor de Redação do Jornal do Brasil, demitindo-se do posto de colunista; o artigo original de Reis, com o trecho censurado, e remissões a textos sobre o assunto publicados no OI.

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