Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Um abraço a Nova York

Por lgarcia em 31/10/2001 na edição 145

REVISTAS EM CRISE

A Conferência de Revistas Americanas, que deveria ter ocorrido em Phoenix, Arizona, nos EUA, foi transferida para a Big Apple. A justificativa foi dada pelo prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, que agradeceu aos organizadores por mudarem o local do evento. "É um impulso bem-vindo a nossa economia", afirmou à multidão no Hotel Sheraton.

O encontro, segundo Keith J. Kelly [The New York Post, 22/10/01], reuniu as principais editoras e os mais renomados jornalistas de revistas. A época é ruim: nos últimos dois meses, quatro revistas conhecidas fecharam: Mademoiselle, Expedia Travels, The Industry Standard e Lingua Franca. Mesmo antes dos ataques de 11 de setembro, a indústria de revistas já sofria com custos astronômicos de transporte e correio e faturamento publicitário em queda.

Do começo do ano até 30 de setembro, esse faturamento caiu US$ 11,8 bilhões, queda de 2,5% em relação ao ao mesmo período no ano passado, segundo a Agência de Informações Editoriais. O número de páginas de propaganda caiu 9,2% de um ano para cá.

Fim de Agency

As discussões da conferência, porém, não foram pessimistas. Os executivos vêem na crise a possibilidade de fortalecer operações preparatórias para a inevitável melhora cíclica da indústria. Mas não muito longe do Sheraton, na Associação Americana de Agências de Propaganda, tomava-se a decisão de suspender a publicação de Agency, revista da própria entidade, devido à recessão da economia.

John Wolfe, vice-presidente sênior da associação de agências de propaganda e editor-chefe da Agency, afirma que a edição de outono (primavera no Hemisfério Sul) será a última, até que a economia volte a crescer e seja possível retomar a publicação. Não é a primeira vez que a revista pára de circular. Em 1992, também por razões econômicas, a publicação foi interrompida e assim ficou até 1994.

"Não fizemos nosso trabalho como comerciantes de um bem de consumo", afirmou um dos conferencistas do encontro no Sheraton, Jack Kliger, presidente da Hachette Filipacchi Publications. "Temos que alterar o modelo, porque nos tornamos muito dependentes do faturamento publicitário."

De acordo com Stuart Elliott [The New York Times, 24/10/01], estudo da Veronis Suhler & Associates estima que o dinheiro dos anúncios atingirá, em 2005, 62% do total arrecadado pela revista. A dependência do faturamento publicitário é perigosa devido à queda cada vez mais acentuada na demanda por páginas de anúncio entre os marqueteiros. A Business Week, por exemplo, fechará o ano com cerca de 4 mil páginas de publicidade, em comparação aos 6 mil no ano passado. O pior, segundo o editor-chefe Stephen B. Shepard, "é que os níveis de lucratividade voltarão aos de 1991", ano de guerra e recessão nos EUA.

Problemas postais

Para complicar, ameaças por antraz reduzem o número de correspondências, tornando o trabalho nos correios mais minucioso e, portanto, mais caro. No atual contexto, soa inoportuno pressionar por reformas no serviço postal e fazer lobby contra o último aumento das tarifas. Para o ano que vem será proposto aumento de 10% na tarifa postal para revistas. De acordo com Seth Sutel [The Associated Press, 23/10/01], trata-se do último ajuste numa série de três ? 9,9% no ano passado e 2,6% no mês passado.

Daniel Brewster, novo diretor da Magazine Publishers of America e presidente da Gruner + Jahr USA, divisão do conglomerado alemão Bertelsmann, considera os aumentos propostos "um absurdo" e disse que a questão é de "enorme magnitude" para a indústria. "Sabemos que o governo tem outras coisas com que se preocupar no momento e que o serviço postal tem muitos problemas desde a crise iniciada em 11 de setembro", disse Brewster. "Mas a crise postal que atinge nossa indústria e nossa nação não pode mais ser ignorada. Deve ser resolvida, e agora."

Apesar do desespero das editoras, um tipo de revista particularmente tem tido sucesso desde o dia 11 de setembro: os semanários. Na semana retrasada, a Newsweek afirmou que uma alta repentina foi registrada nas bancas. A informação fez estourar o faturamento publicitário da revista no terceiro trimestre.

    
    
                     

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