Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE 

Um americano em Paris

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE 

Leneide Duarte, de Paris

O jornal International Herald Tribune tem uma ligação antiga com a França. Há 114 anos tem base em Paris e entrou para a história da cultura francesa ao ser anunciado e vendido nas ruas pela linda e jovem Jean Seberg em A bout de souffle, de Jean-Luc Godard. Quem não lembra da cena de um dos filmes mais marcantes da nouvelle vague?

O IHT ? que pertence em partes iguais a dois gigantes americanos, New York Times e Washington Post ? já sai com uma vantagem sobre os outros diários: aos artigos e reportagens de seus 64 jornalistas (que trabalham em Paris) somam-se as matérias e artigos publicados nos dois outros jornais. Só de correspondentes pelo mundo, os três jornais somados contam com 100 jornalistas, o que faz com que o trabalho de triagem (afinal editar é escolher, priorizar) se transforme num drama di&aacutaacute;rio para David Ignatius, 51 anos, diretor de redação do IHT, ex-editor do Washington Post e ex-correspondente do Wall Street Journal no Oriente Médio.

Vendido em 180 países, o IHT não é conhecido por suas grandes tiragens. Ao contrário, o jornal ele vende apenas 242 mil exemplares, dos quais 36 mil na França. Mas se não tem uma circulação enorme, o IHT tem prestígio: o grande trunfo do jornal é uma mistura de credibilidade com sobriedade, qualidades importantes para seu seleto público leitor, pessoas de boa posição social e excelente formação cultural que se espalham por dezenas de países. David Ignatius evita manchetes com apelo sensacionalista e não publica fotos chocantes. Foi por isso que o jornal não publicou ? ao contrário de toda a imprensa francesa ? as fotos das pessoas se jogando do alto das torres do World Trade Center, no dia do atentado de 11 de setembro.

Como aconteceu com a imprensa em geral, as vendas do International Herald Tribune aumentaram depois do atentado. O jornal viu suas vendas crescerem em 15%. Eram leitores que procuravam um resumo do que a imprensa americana publica de melhor, com a sobriedade que caracteriza o jornal. Com uma linha editorial totalmente independente de seus dois proprietários americanos, o IHT não se refere aos Estados Unidos como se falasse de seu país. "Não dizemos ?nós? quando nos referimos aos EUA nem temos a bandeira americana na primeira página", diz Ignatius.

Enquanto a imprensa escrita no mundo inteiro sofre as consequências de uma forte crise neste ano de 2001, o IHT não pára de crescer. Segundo dados da auditoria Diffusion Contrôle, um órgão especializado francês Diffusion, o jornal cresceu 5,47% no ano passado e 25% em cinco anos.

Essa progressão no número de leitores é em parte explicada pela política de parcerias estabelecida pelo jornal. Em outubro passado, o IHT assinou parceria com o diário espanhol El País, a sétima estabelecida nos últimos anos. Diariamente, oito páginas em inglês passaram a ser publicadas pelo Herald com o melhor do El País. Com vendas de apenas 6 mil exemplares diários na Espanha, o IHT tem, a partir de agora, um material editorial de qualidade de um periódico que vende média de 440 mil exemplares diários durante a semana e mais de 1 milhão, aos domingos.

Segundo o presidente-diretor-geral do IHT Peter Goldmark, esse programa de parcerias é uma das mais importantes inovações da imprensa escrita dos últimos dez anos. As parcerias do "americano de Paris" foram feitas com o Frankfurter Allgemeine Zeitung? (Alemanha), Asahi Shimbun (Japão), Corriere della Serra (Itália), Ha?aretz (Israel), Kathimerini (Grécia) e Joong Ang Ilbo (Coréia do Sul).

Publicidade e vendas

Segundo pesquisa encomendada pela revista Stratégies, 62% dos anunciantes franceses acham que o próximo ano não será bom para o mercado publicitário, isto é, não vai ser possível recuperar o que se perdeu neste ano. Segundo outra pesquisa, estad do instituto de estudos Secodip, no primeiro semestre deste ano as receitas publicitárias, na França, já haviam sofrido uma queda de 2% na imprensa escrita e de 4% na televisão. Depois veio o 11 de setembro, que não ajudou em nada o panorama já deficitário dos meios de comunicação.

Na Europa, a França teve uma queda considerada média, comparada aos outros países. Essa queda foi de 5,4% de janeiro a outubro deste ano. Para tentar superar o problema da fuga de anunciantes, os veículos não mexeram nos seus preços, salvo duas exceções: o Canal Plus baixou suas tarifas de 7% a 17 % e o jornal France Soir baixou em 5% os preços de seu espaço publicitário.

Outra pesquisa, divulgada no fim de outubro, mostrou que os jornais Le Figaro e Le Monde continuam disputando palmo a palmo o primeiro lugar de vendas entre os quotidianos franceses. Levando-se em conta apenas as vendas na França, Le Figaro ganha. Se consideradas também as vendas no estrangeiro, ganha o Le Monde. Segundo os dados do Diffusion Contrôle, as vendas no primeiro semestre deste ano mostravam o seguinte quadro: Le Figaro, com vendas médias diárias de 350 .156 exemplares (queda de 1,18%) e Le Monde, com 349 .224 exemplares (crescimento de 0,94%). Logo depois do Monde vem Libération, com 161.269 exemplares (crescimento de 2,02%).

Uma curiosidade: o jornal católico La Croix (84.073 exemplares/dia, queda de 2,18%) vende quase o dobro do comunista L?Humanité (46.500 exemplares, queda de 10,7%).

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