Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > PEDOFILIA

Um âncora diferente

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

CNN

Na noite de 25 de outubro, seis semanas após os atentados terroristas e em meio ao pânico causado pelas cartas com antraz, o âncora Aaron Brown abriu o NewsNight com o seguinte comentário: "Hoje me ocorreu que eu simplesmente não sei. Alguém que conheço pode ficar doente e até morrer? Eu não sei… Não sei se o antraz vai ser substituído por alguma outra coisa. Não sei se mais prédios serão atacados. Não sei se os terroristas têm outros planos, algo pior. Eu não sei. Nesta profissão, não ser capaz de prever o dia sempre fez parte da graça. Não agora. E suspeito que não seja o único cansado, enjoado e estressado com tudo isso, com todos estes ?não sei?."

A confissão marca o estilo próprio do apresentador: pessoal e subjetivo, sempre disposto a dividir com o público suas decisões e erros no processo editorial. Estilo que contrasta com o tradicional tom profético dos colegas. "Se você é um âncora onipotente, o mistério ao redor do processo é bom", opina Brown. "Mas se você é um profissional acessível, então não. Não tenho medo de mostrar como é feita a salsicha. Ajuda as pessoas a entenderem porque às vezes somos muito bons e em outras, muito ruins."

Conta Samuel G. Freedman [New York Times, 26/5/02] que Brown foi contratado pela CNN em 2001 para apresentar NewsNight a partir de 15 de outubro, substituindo Bernard Shaw. Acabou estreando em 11 de setembro, quando apresentou 10 horas de matérias do World Trade Center e do Pentágono. Estas primeiras horas o firmaram no canal, mas ele claramente se opõe à volta ao jornalismo de crimes, celebridades e catástrofes, como demonstrou no caso do ator Robert Blake.

No dia seguinte à extensa cobertura da prisão de Blake, o ex-detetive Baretta, do seriado antigo, Brown declarou no programa que achou exagerado o tempo dedicado ao caso: "Furo de reportagem é como heroína para nós. É bom no começo, mas é perigoso e vicia." Para Siva Vaidyanathan, professor da Universidade do Wisconsin, reconhecer os erros ajuda a construir credibilidade. "O que Aaron Brown tenta fazer é combinar os papéis de âncora e ombudsman." O jornalista, de fato, mantém trocas freqüentes de e-mails com centenas de leitores, enviando mensagem diária a 10 mil assinantes sobre o programa.

PEDOFILIA

Na primeira edição sem o comando de monsenhor Peter Conley, The Pilot, o mais antigo jornal católico dos Estados Unidos, defende o cardeal Bernard Law, acusado de ser conivente com casos de abuso sexual por parte de padres em sua arquidiocese, em Boston.

Conley publicou polêmico editorial em março, quando apareciam escândalos sexuais na Igreja em vários pontos do país, dizendo que não poderiam ficar sem resposta questões como celibato e homossexualismo. Prometeu ainda discutir, na edição seguinte, a ordenação de mulheres. Este artigo, no entanto, nunca saiu.

Sob o comando de Antonio Enrique, Pilot passou a criticar os dois diários de Boston que fizeram os casos de abuso virem à tona. Na primeira página, texto de Law defende o padre Paul Shanley, acusado de pedofilia. Na página 3 há uma análise de alguns documentos recentemente divulgados por Shanley. A interpretação, feita pelo próprio Enrique, chega a conclusões diferentes das do resto da imprensa. "Fica claro que estão atacando tanto no front das relações públicas como no front legal", opina o advogado Jeffrey Newman, que defende 100 vítimas dos sacerdotes católicos. "Mas, nesta guerra, eles não podem ganhar em nenhum dos lados."

Eric Convey e Robin Washington, do BostonHerald.com [24/5/02], conta que Law já dava indícios de que a orientação da mídia que ele controla mudaria. "A Televisão Católica de Boston e o Pilot vão ajudar a fazer os fatos aparecerem", disse, em abril.

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