Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > BLECAUTE EM NOVA YORK

Um teste para as redações

Por lgarcia em 19/08/2003 na edição 238

BLECAUTE EM NOVA YORK

É complicado comparar os ataques de terroristas de 11 de setembro com o blecaute de 14/8, mas não se pode emitir que a experiência anterior ajudou veículos de comunicação do nordeste dos EUA a enfrentarem melhor o apagão. Mesmo assim, o fim da tarde e a noite do dia 14 foram marcados por muita correria.

As emissoras de TV com geração em Nova York não saíram do ar, pois estavam preparadas para manter suas operações essenciais com geradores. O maior problema talvez fosse que os principais interessados nas notícias não tinham eletricidade em suas casas.

A voz do apresentador da MSNBC Brian Williams, que falava no momento da queda de força, por volta das 16h, teve o volume momentaneamente reduzido. Ele ficou no ar na MSNBC e também na irmã NBC, porque o âncora desta emissora para o horário, Tom Brokaw, estava de férias. Como parte dos equipamentos estavam desligados, Williams teve de recorrer a um atlas para mostrar onde havia ocorrido o problema na rede elétrica, em vez de utilizar os gráficos computadorizados a que está acostumado. A redação de notícias da NBC estava tranqüila com o fato de que os geradores tinham combustível suficiente para 90 horas de trabalho. Na Fox News, seria necessária uma nova carga, pois o combustível não passaria das 6h da manhã seguinte.

O rádio passou a ser uma das únicas opções para as pessoas saberem de notícias na área atingida pelo apagão. Contudo, houve estações que ficaram fora do ar por algum tempo. O sinal da rádio de notícias de esportes WFAN-AM, maior audiência de Nova York, sumiu. Sua estação-irmã WCBS-AM, que transmite notícias gerais, conseguiu se manter graças a um transmissor separado. Com torre em Nova Jersey, a WINS, também de notícias, saiu do ar por 20 minutos logo após a queda de força. Às 18h, por motivo não-esclarecido, deixou de transmitir por mais 20 minutos.

Nos jornais, a confusão não foi menor. Na redação do New York Post, os editores tinham apenas duas horas de reserva de energia para o fechamento. Desligou-se a maioria das luzes e deixaram funcionando somente alguns computadores para ganhar tempo. Pouco depois que a primeira edição estava pronta, entrou na redação, pingando suor, o fotógrafo Lorenzo Ciniglio. Ele havia percorrido cerca de 50 quarteirões de Manhattan tirando fotos do caos nas ruas. Quando chegou ao Post ? no décimo andar, com elevador desligado, é claro ? foi informado de que era tarde para que suas imagens fossem incluídas. "Assim é a vida do free-lancer", lamentou.

No New York Times, a falta de energia fez com que a impressão fosse toda transferida para o parque gráfico de Edison, em Nova Jersey, porque o do bairro do Queens, em Nova York, estava inoperante. O Newsday, que normalmente conta com 10 gráficas para ser impresso, teve de sair com menos páginas, pois somente quatro das instalações puderam ser utilizadas. O Wall Street Journal, por sua vez, não foi afetado, já que as 17 gráficas que o diário de negócios possui no país funcionaram normalmente. As informações são de Frank Ahrens e Paul Farhi [The Washington Post, 15/8/03], e David Kirkpatrick e Jacques Steinberg [The New York Times, 15/8/03].

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem