Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Uma estranha premiação

Por lgarcia em 16/01/2002 na edição 155

iBEST

Antônio de Pádua e Silva (*)

Todos os anos nós, que editamos o site QuebraTorto Online <www.quebratorto.com.br>, participamos da premiação do iBest, considerado o Oscar da internet brasileira. Participamos, claro, conscientes de que faturar algum top seria uma possibilidade bem remota. São centenas ou milhares de sites e portais do Brasil inteiro que concorrem e muitos de qualidade inquestionável.

Mas o nosso objetivo sempre foi de marcar a presença de Mato Grosso, um estado periférico que, no entanto, tem alcançado tecnologia e audiência que não ficam a dever a nenhum outro estado. Os parceiros do Terra estão aí para confirmar o que digo. É um provedor que tem vencido desafios e se colocado entre os mais visitados. Garantia de que aqui se faz um bom trabalho na web.

Só que este ano fatos estranhos aconteceram. No meio do concurso, o iBest criou uma nova categoria ? a dos sites regionais. De repente vimos que seria possível conquistar um Top10 ou qualquer outro prêmio, tendo em conta que somente o nosso site, o QuebraTorto, e o Fátima Atelier <www.defatima.com.br> inseriram banners e fizeram campanha de incentivo à votação do internauta.

Quando saíram os Top10 de Mato Grosso, tivemos uma desagradável surpresa. Nenhum dos dois sites constava na lista. É bom dizer que a ficha técnica dos "classificados" não está devidamente preenchida e também nenhum deles havia feito qualquer menção à premiação. Fui à redação do Diário de Cuiabá e obtive a confirmação com o diretor de redação deste jornal, Gustavo de Oliveira, de que a versão online do jornal não havia feito inscrição ao iBest. Passei e-mail ao Ministério Público de Mato Grosso, cujo site está também "classificado", e não obtive qualquer resposta. Entendemos que, ainda que fôssemos os dois piores sites do mundo, seria plausível que QT e DeFátima estivessem entre os top de MT.

Perda de credibilidade

Daí me veio a desconfiança de que por trás dos Top10 de Mato Grosso e de outros estados periféricos existe uma arrumação de última hora por parte do iBest. Claro, se o Diário não se inscreveu como poderia estar entre os 10? Que jurados são esses que resolveram premiar sites, podemos dizer, de forma espírita?

Fazendo uma pesquisa na internet, Fátima (do Fátima Atelier) descobriu que em estados como Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Tocantins etc. a situação é igual à de Mato Grosso. Ou seja, os sites escolhidos não têm fichas técnicas preenchidas e guardam a mesma característica: alguns sites de notícias, outros de turismo e ecologia e outros de governo ou de poderes constituídos, como Tribunal de Contas, Ministério Público, secretarias de Estado etc.

Há que se levar em conta a hipótese de que o iBest está na verdade premiando a ele mesmo. Depois que se associou a uma empresa de telefonia para criar um grande provedor de acesso à internet, seus objetivos mudaram, e não é de todo descartável a possibilidade de estar "selecionando" futuros parceiros quando for instalar portais regionais em vários pontos do país. Fica bem interessante: "Um portal de sites premiados com o Oscar da internet brasileira."

Só que ao violar as próprias regras que instituiu o iBest perde toda a sua credibilidade.

(*) Jornalista, editor do QuebraTorto Online; e-mail: <apadua@terra.com.br>

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